QUI, 11 de jul / 2019

Com livros em punho, movimento estudantil dá início ao 57˚ Congresso da UNE

Estudantes de todo o Brasil deram início, nesta quarta-feira (10), ao 57ª Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), o Conune, em Brasília. A abertura reforçou será o objetivo principal do encontro, que vai até domingo (14): defender a educação, sobretudo a pública e com qualidade, além de denunciar e enfrentar as políticas anti-populares do governo de Jair Bolsonaro.

A noite também serviu para lançar a campanha “Mais livros, menos armas”. Pelo auditório do Centro Comunitário Athos Bulcão, na Universidade de Brasília (UNB), estudantes desfilaram com estandartes de diversas obras importantes da literatura brasileira, como “Morte e Vida Severina”, “Capitães de areia”, “O Cortiço” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Cada passo era acompanhado do grito “não é mole não, tem dinheiro pra milícia, mas não tem pra educação!”.

Em seu discurso de abertura, a presidenta da UNE, Marianna Dias, disse que o estudantes representam umas das frentes de maior resistência em nome dos direitos do povo brasileiro. “Contra os tiros que estão matando a nossa juventude negra e pobre, vamos fazer com que esse Conune seja histórico. Esse governo precisa saber que enquanto eles tiram os direitos do povo com essa reforma da previdência, Brasília vira a capital dos estudantes.”

Já o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Reinaldo Centuducatte, afirmou se lembrar do congresso de reconstrução da UNE, realizado em 1979, e destacou as semelhanças das lutas populares de ontem e de hoje.

”Em 79 tivemos um movimento de extrema importância para varrer para longe a ditadura. Hoje temos de novo essa necessidade: a democracia está em risco. Temos que colocar para fora essa política que não leva em consideração a maioria da população brasileira. Por isso, que esse congresso seja de muito sucesso e que saiamos daqui com mais disposição e boas energias para enfrentar as lutas que nos aguardam”, declarou.

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Pedro Gorki, reiterou o papel estudantil na luta pela educação e criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Enquanto o presidente fala que fazemos balbúrdia, nós fazemos esperança. Esperança para que a nossa luta e nossa voz não sejam consideradas crimes. Eles tentam deslegitimar o papel da educação, mas seremos pedra no sapato de qualquer um que tente acabar com a educação pública brasileira.

O Congresso da UNE
A UNE calcula que até 18 mil estudantes, representando mais de 90% das universidades do país estejam em Brasília para participar do Conune. O número ultrapassa os números da edição de 2017, em Belo Horizonte, que teve cerca de 15 mil participantes. Os encontros são bienais.

A programação do fórum é recheada de debates, grupos de trabalho, atos políticos e atividades culturais. Um dos destaques é a realização de uma passeata na Esplanada dos Ministérios na sexta-feira (12), com o lema “Não matem nosso futuro: educação, emprego e aposentadoria”.

Outro destaque da programação é a participação do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, convidado para discutir o tema das fake news em uma das mesas do congresso. A investigação e denúncia do conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e procuradores da operação Lava Jato também será pauta do debate.

O Congresso da UNE também realizará o Festival da Democracia, com shows gratuitos – no Ginásio Nilson Nelson –, de hoje (11) a sábado (13), que reunirá diversos estilos musicais, com artistas convidados de todo o país.

Nesta quinta, se apresentam o grupo baiano Attooxxaa e a cantora brasiliense Vera Veronika. Já na sexta, a cantora pop Duda Beat e o rapper RAPdura Xique-Chico estarão no palco do ginásio. Por fim, no sábado, a apresentação será de Leci Brandão e do grupo Estação Primeira de Mangueira.

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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