terça-feira, 28 de março de 2017
TER, 07 de mar / 2017

8 de Março: mulheres nas ruas contra a reforma da Previdência

Marli Melo

O golpe contra a democracia brasileira consolidado em maio de 2016 não utilizou armas e tanques nas ruas; não vestiu farda, e sim paletó e gravata. Foi o golpe de homens brancos e ricos, que nunca aceitaram as transformações promovidas nos últimos 13 anos por um operário e por uma mulher. Junto com a presidenta eleita afastada, a democracia foi derrotada e desde então os direitos conquistados com muita luta estão indo embora.

Para dar início às atrocidades do governo golpista, o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos foi extinto. Em pouco tempo, uma histórica conquista dos movimentos sociais perdeu protagonismo e voz. A montagem do primeiro escalão do governo de Temer sem a presença de mulheres e negros foi o primeiro indício do que viria pela frente.

Desde a consolidação do golpe, as mulheres estão sofrendo mais com a política de austeridade de Temer. Para começar, o desemprego atingiu mais o sexo feminino do que o masculino. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2016, a taxa de desocupação entre mulheres no país foi de 13,8%, enquanto de homens foi de 10,7%. Em todas as cinco grandes regiões do país a situação se repete. Já no total de desempregados em busca de oportunidade, a maioria é de mulheres (50,3%).

E em menos de um ano do governo ilegítimo, foram desferidos diversos ataques à classe trabalhadora: fim dos gastos mínimos em saúde e educação, desmonte do “Minha Casa, Minha Vida”, fim da política de valorização do salário mínimo, envio ao Congresso das reformas trabalhista (com flexibilização da jornada de trabalho) e a reforma da Previdência.

Crédito: CNM/CUT
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É neste cenário que a CUT e os movimentos sociais vão promover neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, mobilizações em diversas regiões do país contra a Reforma da Previdência e pelo fim da violência contra a mulher. Não podemos nos conformar com a continuidade de um governo golpista e aceitar os ataques contra os direitos sociais e dos (as) trabalhadores (as).

O maior exemplo das atrocidades do golpista Michel Temer é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Previdência: sua aprovação significa o fim do acesso à aposentadoria pela maioria da classe trabalhadora. A reforma quer fixar 25 anos de contribuição mínima e 49 anos de contribuição para acessar o sistema previdenciário com integralidade.

Além disso, a PEC aumenta a idade mínima da aposentadoria para 65 anos para mulheres e homens. Isto significa que mulheres terão que trabalhar mais cinco anos (hoje a idade mínima é de 60 anos); se forem servidoras públicas ou trabalhadoras rurais, trabalharão mais dez anos; se forem professoras da educação básica, trabalharão mais quinze anos.

Esta reforma ignora a realidade da mulher brasileira. Dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, revelam que a soma da jornada de trabalho pago com a jornada de trabalho não pago entre as mulheres é de 55,1 horas por semana; ao mesmo tempo, a dos homens é de 50,5. Ou seja, nós trabalhamos mais ao longo da vida e, mesmo aposentadas, seguimos cumprindo socialmente com as tarefas não pagas e omitidas nos orçamentos do Estado.

Diante deste cenário, este Mês Internacional da Mulher representa um momento de mais luta! É preciso resistir aos ataques e bloquear estas medidas que estão em tramitação para acabar com os nossos direitos.

Para isso, é preciso ir às ruas, esclarecer os (as) trabalhadores (as) nas portas de fábrica, os amigos do bairro, os estudantes e todos (as) do nosso círculo de convivência sobre o massacre contra a nossa classe que o governo golpista e seus aliados no Congresso e na mídia estão desferindo e que atingem com mais ferocidade ainda as mulheres.

* Marli Melo é secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT)

 

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