SEX, 07 de jun / 2019

Argentinos protestam e pedem saída imediata de Bolsonaro do país

No final da tarde desta quinta-feira (6), a hashtag #FueraBolsonaro estava nos trendtopics do Twitter no Brasil. No mesmo horário, uma manifestação se formava na Praça de Maio, em Buenos Aires, em frente à Casa Rosada, sede do Executivo e principal palco de manifestações políticas no país vizinho. Em telão montado na praça, vídeos com discursos e entrevistas do então deputado federal Jair Bolsonaro, com declarações de apoio à ditadura e outras sandices já frequentes para os brasileiros, eram então mostradas para os hermanos argentinos. Em sua primeira visita à Argentina, o agora presidente Bolsonaro vê atos contra sua presença, tal qual aconteceu recentemente em Nova York, nos Estados Unidos.

“Essa visita tem muito mais importância política do que na questão econômica, porque na área econômica, os países passam por situações diferentes”, analisa Giorgio Romano, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, na Rádio Brasil Atual, na tarde desta quinta-feira (6).

Por “importância política”, segundo Romano, entende-se a intenção de Bolsonaro em ajudar na reeleição do atual presidente argentino, Mauricio Macri, que disputará as eleições de outubro tendo como principal adversário da oposição Alberto Fernández, com a ex-presidenta Cristina Kirchner como sua vice.

“Os dois precisam um do outro. O Bolsonaro tem medo de um governo progressista na Argentina, já temos um governo progressista no México, e aí ficaria mais difícil essa política de entregar a América Latina aos interesses dos Estados Unidos”, explica o professor da UFABC.

Seu raciocínio leva em conta a grande comitiva de ministros levada por Bolsonaro, principalmente o ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja figura pretende despertar uma nova confiança dos setores econômicos da Argentina em relação a Macri. Por outro lado, Giorgio Romano pondera que Bolsonaro pode não ser o melhor cabo eleitoral no país vizinho, considerando as graves consequências da ditadura na alma da sociedade argentina.

“Na Argentina, nem de longe se discute uma revisão da história do período militar. Então a imagem de Bolsonaro é bastante negativa. De um lado tem a figura do Paulo Guedes, a figura da confiança do mercado, o que ajudaria Macri, e do outro lado, a própria figura do Bolsonaro e o que ele representa”, pondera o professor de Relações Internacionais.

Fora da área política, Romano não prevê muitas consequências na esfera econômica. Isso porque a Argentina tem um grande problema externo, o qual tem procurado enfrentar, inclusive, com altas taxações de produtos brasileiros. “O problema da Argentina é muito ligado ao setor externo, à dívida externa em dólar, à falta de dólar, e não é o caso do Brasil. O Brasil ainda mantém, da época de Lula e Dilma, um ‘colchão’ de reservas internacionais, de modo que, na frente externa, o Brasil não tem problema.”

Assim, Romano avalia que poderia haver alguma evolução no acordo comercial com a União Europeia. Porém, mesmo nessa perspectiva, o professor da UFABC tem dúvidas, já que a Comissão Europeia que trata do tema está em final de mandato, e sua nova composição terá muitos deputados ligados à questão ambiental, com forte discurso crítico a posição de Bolsonaro e a grande liberação de novos agrotóxicos. “Isso tudo trabalharia contra fechar esse acordo.”

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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