QUI, 21 de dez / 2017

Assédio sexual perdura por 25 anos em fábricas da Ford em Chicago

Crédito: NYT
Shirley (esq.) e Suzette relatam assédio sofrido na montadora
Shirley (esq.) e Suzette relatam assédio sofrido na montadora

Os empregos eram os melhores que elas poderiam conseguir: trabalhar na Ford, uma das maiores companhias dos EUA, recebendo salários negociados por sindicatos fortes. Mas em duas fábricas da empresa em Chicago as mulheres se viram submetidas a ameaças.

Os chefes e colegas as tratavam como propriedades ou presas. Os homens faziam comentários cruéis sobre seus seios e nádegas. Bolinavam as mulheres, as agarravam, simulavam atos sexuais ou se masturbavam diante delas. Os supervisores distribuíam promoções em troca de sexo e puniam as operárias que não cediam às abordagens.

Isso aconteceu um quarto de século atrás.

Hoje, mulheres que trabalham nas mesmas fábricas dizem ter sido submetidas a abusos similares. E, como aquelas que se queixaram no passado, contam ter sido alvos de zombaria, ameaças e ostracismo. Uma conta ter sido chamada de "vagabunda resmungona", e outra foi acusada de "estuprar a empresa".

Muitos dos homens que as perseguiam mantiveram seus empregos, segundo as mulheres envolvidas.

Em agosto, a agência federal americana que combate a discriminação nos locais de trabalho (EEOC) chegou a um acordo de US$ 10 milhões com a Ford em um processo administrativo por assédio sexual e racial nas duas fábricas.

Uma ação quanto a isso continua a andar na Justiça. Foi, uma vez mais, a repetição de algo que já havia acontecido: anos atrás, uma série de investigações da EEOC resultou em acordo sob o qual a Ford pagou US$ 22 milhões em indenização e assumiu o compromisso de reprimir comportamento desse tipo.

Para Sharon Dunn, que processou a Ford na primeira série de queixas, o novo processo foi um golpe. "Muito de bom deveria ter ocorrido por causa daquilo que sofremos, mas ao que parece a Ford nada fez", disse. "Se tivesse de fazer a mesma escolha hoje, teria calado a boca".

A história revela a persistência do assédio em um setor que no passado só empregava homens e no qual os abusos talvez sejam ainda mais escancarados que em outros.

Em um momento no qual tanta gente vem exigindo que o assédio sexual não seja mais tolerado, a história dessas fábricas da Ford é um exemplo dos desafios que precisam ser enfrentados para reformar uma cultura.

Trabalhadores descrevem uma mistura de sexo, empáfia, suspeitas e ressentimento racial que torna as fábricas especialmente voláteis.

Muitos sentem profunda lealdade à Ford e seu sindicato e encaram com ressentimento as queixosas, temendo que elas prejudiquem a empresa e coloquem em risco seus bons salários.

Shirley Thomas-Moore recorda a situação na metade dos anos 1980: um operário batia com seu martelo em uma grade, chamando a atenção dos colegas: "Carne fresca!", gritavam os operários.

Um emprego na Ford era visto como grande oportunidade. Quando Suzette Wright foi convidada a trabalhar, aos 23 anos, em 1993, ficou "extremamente entusiasmada". Wright era mãe solteira e estava trabalhando em empregos de tempo parcial. Em um instante, seu salário por hora triplicou, para cerca de US$ 15. Com as horas extras, conseguia ganhar US$ 70 mil ou mais por ano – incentivo para aguentar muita coisa.

Como muitas das operárias que processaram a Ford, Wright é negra. Os acusados de assédio incluem homens brancos, negros e latinos.

Wright tentou ignorar as afrontas incessantes – cantadas repetidas, gemidos a cada vez que dobrava a cintura para apanhar alguma coisa.

Operárias veteranas a avisaram de que denunciar só lhe traria mais problemas. Infrações menores das normas de trabalho, usualmente desconsideradas, passaram a ser suficientes para que ela recebesse advertências escritas.

Mas depois de um homem a quem Wright via como mentor brincou sobre lhe pagar US$ 5 por sexo oral, ela pediu ajuda a um representante sindical. Ele começou uma campanha que ela descreve como "não processe o Bill".

O colega de trabalho que a assediou perderia o emprego, os benefícios, a aposentadoria, o representante disse. Logo surgiram boatos sobre o relacionamento entre eles. Um dirigente sindical proferiu o insulto final: "Suzette, você é uma mulher bonita. Entenda o que aconteceu como cumprimento".

Os delitos acumulados tiveram seu efeito. Algumas mulheres se demitiram. Outras começaram a sofrer de fadiga emocional.

As trabalhadoras disseram que enfrentaram retaliações de colegas e chefes. Uma veterana do Exército que acusou um homem de boliná-la foi fisicamente impedida pelos colegas dele de fazer seu trabalho e disse que mais tarde encontrou os pneus de seu carro furados, no estacionamento.

Problemas sem fim
A Ford se esforçou para combater o assédio nas fábricas e recentemente expandiu seus esforços disciplinares e apontou novos líderes.

Mas ao longo dos anos a empresa não agiu com agressividade ou coerência suficientes para erradicar o problema, segundo mais de cem atuais e antigos empregados da fábrica e especialistas do setor e com documentos judiciais sobre os casos.

A Ford postergou a demissão de homens acusados de assédio, o que levou os operários a concluírem que os responsáveis não seriam punidos. Permitiu que o treinamento sobre assédio sexual minguasse e, de acordo com mulheres envolvidas nos casos, permitiu retaliações.

Dirigentes da Ford disseram ver o assédio como episódico, e não sistêmico, com um surto nos anos 1990 e outro iniciado em 2010, em meio a uma onda de contratação de trabalhadores. Os executivos dizem que levam todas as queixas a sério. 

(Fonte: The New York Times, via Folha de S. Paulo)

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