QUI, 29 de mar / 2018

Ato final da Caravana de Lula reúne esquerda em luta contra escalada fascista

O ato final desta nova etapa da Caravana Lula pelo Brasil começou no início da tarde desta quarta-feira (28), em Curitiba. O público chegou cedo e enfrentou chuva enquanto artistas locais realizavam apresentações e lideranças deixavam suas mensagens. Lula chegou por volta das 20h junto com outras personalidades que dividiram o protagonismo nesta noite, já que o ato, marcado, após os episódios criminosos contra a comitiva do ex-presidente, se transformou em uma manifestação suprapartidária em defesa da democracia.

Participaram do ato representantes do Psol, incluindo o pré-candidato à presidência pelo partido, Guilherme Boulos, além de Manuela D'Ávila (PCdoB), que também está na disputa pelo Planalto. Pelo PSB, o senador João Capiberibe (AP) e pelo MDB, o senador Roberto Requião (PR).

A ex-presidenta Dilma Rousseff começou cumprimentando todas as lideranças, com destaque para os muito partidos presentes em torno da defesa da democracia. Foi interrompida por diversas vezes pela plateia com gritos de “Dilma eu te amo” e direcionou saudações para Manuela, Boulos, Capiberibe e Requião, que foi ovacionado pelos presentes. “Estamos aqui no final da caravana com todas essas lideranças que lutam pela democracia", apontou.

"Ao longo dessa caravana ,nós enfrentamos uma das mais graves manifestações de fascismo desse país. A construção do meu processo de impeachment, fraudulento, semeou o ódio. Aquele ódio cego, a única coisa que ele semeia é a violência", disse Dilma. "Atiraram em um ônibus da caravana e queriam atingir Lula. Quem faz isso tem um certo tipo de mentalidade e faz um certo tipo de política. Uma política que não gosta do diálogo, do debate e da democracia. Gostam do ódio, só falam em matar, como escutamos o grande líder deles. O que faz alguém que quer ser presidente só falar em morte? Faz isso uma pessoa que defende a tortura como método”, disse, em referência velada ao pré-candidato à presidência, deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

"Temos que denunciar a violência e o ódio fascista e defender o processo eleitoral. Por que, para nós, a democracia é uma arma. Enquanto eles jogam com as mentiras e a violência física, usamos nossa verdade, nossa consciência e capacidade de luta e resistência", pontuou Dilma.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, também falou aos presentes. "Estamos aqui com duas missões: ver o Lula e assumir um compromisso. Quero convocá-los para que, na presença do Lula, assumamos nossos compromissos de militantes. Primeiro: não deixar que a burguesia prenda o Lula. Segundo: vamos transformar nossa militância, todos os dias, em agitação, denunciar golpistas", conclamou. 'Os muros são a Globo do povo. Vocês tem que sair de casa com spray na bolsa e em cada muro que acharem livre, escrevam 'Lula inocente, Lula presidente'."

Stédile ainda fez referência ao trabalho da esquerda em precisar trabalhar com a base. "A esquerda tem que reaprender a fazer trabalho de base. Nós viramos bundões, esquecemos de falar com o povo", afirmou. "Só sabemos discursar, temos que convencer o povo."

Falas anteriores
O presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, esteve no ato e confirmou aos presentes o caráter suprapartidário do ato. Para ele, a conjuntura pede a união das forças progressistas em defesa da democracia frágil do país. "Vivemos um momento muito grave da nossa história. Esse ato é o dia em que a esquerda deixa de lado suas diferenças para reafirmar o compromisso com a democracia, com a justiça, com as liberdades políticas e com o direito de manifestação."

"Assassinaram um companheiro do MST dentro de um hospital. Depois, o avanço sem freio da extrema-direita, temos a morte da Marielle. Não vai parar nela porque eles não têm vergonha. Assassinaram cinco jovens inocentes negros da periferia que davam aula para crianças. Esse tipo de gente está solto. Esse regime político perdeu a vergonha e está disseminando o terror, a violência, que também vitimou a caravana. Vocês têm a solidariedade do Psol. Estaremos juntos construindo uma frente política nas ruas para combater a extrema-direita", completou.

Também em defesa da livre manifestação e dos movimentos sociais, o presidente da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, fez um breve discurso, condenando os "atos criminosos" contra a caravana. "Os responsáveis covardes devem ser processados e presos. Se pensavam que iam intimidar a militância, isso animou mais ainda. Fomos inspirados pela coragem de Lula. Ele sofre ataques diários dos meios de comunicação, do judiciário, da elite, e ele está percorrendo o Brasil dialogando com a classe trabalhadora."

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que atua na pré-campanha de Lula para a presidência, reforçou a necessidade de enfrentamento aos avanços da extrema-direita. "Me sinto hoje, não no fim da caravana Sul, do presidente Lula, mas quem sabe, no início de uma nova campanha em Curitiba para derrotar os fascistas que estão levantando voz. Começamos uma nova caravana que vai se espalhar pelo país. Temos três ou quatro presidenciáveis no campo progressista e não vamos aceitar o fascismo", disse.

Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), a escalada do ódio tem relação com a mídia. "Vi um jornalista da Globo dizendo: como chegamos nesse ponto?'. Eu digo: Mandela dizia que ninguém nasce com ódio, o ódio é ensinado. Neste caso é construído com outras violências. Vocês começaram com isso quando afastaram uma presidente eleita democraticamente sem crime. Continuaram isso quando disseram que PT era organização criminosa. Todo dia uma campanha contra Lula. A Globo é responsável por esse crime."

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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