QUI, 11 de out / 2018

Bolsonaro quer tirar jovens e crianças da escola para estudar à distância

A proposta de ensino à distância, do fundamental ao superior, do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), tem preocupado educadores e profissionais da área. Se ele ganhar a eleição e implementar seu projeto de Educação, o Brasil vai andar para trás na formação de jovens e crianças, afirmam educadores.

Segundo eles, além de desempregar milhares de professores, o ensino a distância, especialmente na área rural, é um dos maiores absurdos que se pode cometer contra a educação no país.

O resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2017 comprova que os estudantes de ensino a distância alcançam os piores resultados: 46% dos cursos a distância avaliados tiraram notas 1 e 2, as mais baixas na escala de 1 a 5. Só 15% tiveram as notas mais altas (4 e 5). Já no ensino presencial, 33% das graduações receberam as piores notas e 29%, as melhores.

O ensino a distância prejudica a formação da criança tanto como aluno quanto cidadão, diz Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE-CUT).

“A nossa profissão exige a sensibilização olho no olho. Se não há o convívio presencial, o aluno não se forma um profissional e um cidadão. Além disso, o ensino a distância para o fundamental prevê, pela lógica, que a criança seja supervisionada pelos pais e como 86% das matrículas são em escolas públicas, e muitos alunos vêm de famílias desestruturadas, o prejuízo na formação será imenso”, explica o dirigente.

A educação a distância proposta pelo candidato do PSL não tem nenhum interesse pedagógico e sim financeiro, complementa a professora de Educação da USP, Carmem Moraes, que afirma ter muitos grupos econômicos interessados nos lucros que um projeto como esse garantirá.

“Sabemos que há grupos econômicos interessados na educação. E a própria imprensa já denunciou que o economista Paulo Guedes, o ‘Posto Ipiranga’ de Bolsonaro, cotado para ser ministro da economia, tem interesses financeiros, já que ele possui empresas na área de educação que atuam no ensino a distância”.

A professora se refere às denúncias na imprensa de que uma das principais áreas de negócio de Guedes é a educação, onde já investia em seu fundo BR Investimentos, incorporado pela Bozano em 2013. Nos diversos fundos da Bozano, há oito empresas de educação. A maioria delas explora a educação a distância.

”Com a crise do sistema capitalista, eles querem abrir outras fontes de lucro para o capital financeiro, privatizando a educação”.

“Além disso, é preciso saber se a criança tem esse acesso à tecnologia, se pode processar sozinha esse ensino. É tudo tão absurdo, sem pé, nem cabeça, sem fundo científico e pedagógico, que só posso dizer que as teses de Bolsonaro para a educação são trogloditas, anti-intelectuais”, lamenta a professora.

Outra proposta de Bolsonaro é revisar e modernizar o conteúdo. Isso inclui a alfabetização, expurgando a ideologia de Paulo Freire, mudando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Segundo a professora de Educação da USP, Carmem Moraes, Bolsonaro só fala em retirar os ensinos do educador Paulo Freire porque ele apenas reproduz as teses do Movimento Brasil Livre (MBL) que defende a escola sem partido, mas que, na verdade é partidária, pois quer eliminar o pensamento escolar.

“Dizer que Paulo Freire era comunista é um absurdo completo. Freire era um socialista cristão e mesmo que ele fosse comunista não diminuiria a sua importância para a educação no mundo. Ele foi responsável pela alfabetização de milhões de adultos no Brasil, no continente africano e de diversos outros países”, defende a professora.

Já para o presidente da CNTE Heleno Araújo, retirar a educação libertadora de Paulo Freire é um pensamento terrível. “Paulo Freire”, diz o educador, “é reconhecido mundialmente como um pedagogo”.

“É uma insensatez, é preciso que a população leia as propostas de educação de Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro, para que entendam o que está em jogo no país”, alerta Heleno.

Já para a professora da USP, o fato de Bolsonaro aprovar o Teto dos Gastos Públicos, que congela investimentos por 20 anos, outra grande preocupação dos educadores, e ainda propor mais mudanças no Ensino Médio dando ênfase na educação de matemática, português e ciências, aprofunda as mudanças que o golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) quer que é retirar do currículo escolar  disciplinas como sociologia, filosofia, história e geografia da base curricular.

“Bolsonaro desconhece o papel do professor, além de ir contra todas as teses mais importantes das reflexões humanísticas que existem há séculos. Toda a sua proposta é uma violência contra a educação humanista, de premissas de séculos”.

(Fonte: Rosely Rocha, especial para Portal CUT)

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QUA, 24 de out / 2018

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Maicon Vasconcelos*

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