QUI, 12 de nov / 2009

Bosch vai ampliar nacionalização de seus produtos

Quando se mudou para o Brasil, há pouco mais de um ano, para assumir a presidência da filial brasileira da Bosch, o alemão Andreas Nobis teve que passar dois meses em um hotel. Seus planos de ter logo uma residência no país frustraram-se. A mobília e todos os seus objetos pessoais estavam em um navio, que só pôde ser descarregado quatro semanas além do previsto em razão de uma greve no Porto de Santos. O executivo imagina hoje os problemas que enfrentaria se ao invés da sua própria mudança aquele navio vindo da Alemanha estivesse trazendo as peças que a filial brasileira da Bosch costuma importar daquele mesmo país.

A história ilustra as razões que levaram a Bosch a criar um ousado plano para elevar rapidamente a nacionalização dos produtos. O momento mais importante dessa estratégia será hoje de manhã, quando 120 fabricantes de componentes automotivos estarão na sede da Bosch, em Campinas (SP). Não se trata de uma simples visita. Em uma área normalmente usada para eventos de lazer, a companhia montou uma exposição com todas as peças que importa.

Essa galeria será exibida aos 120 visitantes. Aquele que achar que tem condições de produzir algum daqueles componentes no Brasil poderá se candidatar a ser o fornecedor da peça que hoje vem do exterior. Em troca, a empresa garante uma parceria de longo prazo.

Dos 120, 100 já são fornecedores da Bosch. As outras 20 empresas, todas brasileiras, foram escolhidas pela equipe de compras da multinacional. "São empresas que, acreditamos, têm potencial", afirma o diretor de compras da Bosch, Paulo Rocca Vieira.

Com esse passo, Vieira acredita que entre um e dois anos será possível elevar o índice de nacionalização das peças que compõem os produtos Bosch de 70% para 80%. Isso significa acréscimo de R$ 140 milhões em compras locais anualmente.

Nos últimos dez anos, ela aumentou o volume anual de compras no país em RS$ 350 milhões. A cada ano, a empresa gasta cerca de R$ 1 bilhão em material produtivo. Desse total, hoje cerca de R$ 700 milhões ficam no mercado interno. A ideia é elevar o valor para mais de R$ 800 milhões.

Além dos fabricantes de peças, o encontro de hoje contará com três importantes fornecedores de matéria-prima (Gerdau e Mangels, do setor de aço em barra e aço plano, e Radici, de plásticos de engenharia). Ao aumentar o índice de nacionalização, a Bosch diz ter conseguido também melhorar as condições de negociação de seus fornecedores com os fabricantes de matéria-prima. Além disso, a empresa também chamou representante do BNDES para falar de linhas de financiamento se algum dos visitantes estiver interessado em investir.

Além da experiência pessoal com os atropelos logísticos na mudança para o Brasil, Nobis tem um elenco de razões para explicar por que a Bosch não vê futuro na importação de componentes e nem de matéria-prima.

A primeira e mais forte delas se baseia na filosofia que o grupo alemão vem disseminando em todas as suas fábricas do mundo: abastecer-se preferencialmente no mercado local se o produto também for preferencialmente voltado para consumo doméstico. É o caso do Brasil. Desde 2004, a filial brasileira registra gradativa queda nas exportações. Os negócios no mercado interno tomaram boa parte do espaço ocupado pelos contratos no exterior. Do total das vendas da empresa, que produz uma diversificada linha de componentes, principalmente ligados a injeção de combustível para carros, e que fatura mais de R$ 4 bilhões ao ano, a fatia das exportações, que chegou a 50% em 2004, está gora em 30%. Mas Nobis já conta com uma retração ainda maior, para algo em torno de 22% no ano inteiro. "Se você tem negócios localmente é melhor também abastecer-se no próprio mercado", diz.

O executivo tem ainda um argumento que certamente agradará aos ambientalistas. Ele diz que em breve o mundo levará em conta o nível de emissões não apenas na fabricação de determinado produto como também no seu transporte. "Imagine a quantidade de CO2 emitidos em viagens de navios e caminhões num produto importado", diz. Segundo ele, algumas regiões, como o Reino Unido, já começam a levar isso em conta na contratação de fornecedores.

Não são apenas esses argumentos que Nobis usa para rebater a lógica dos que defendem a importação de peças feitas em países de baixo custo num momento em que o câmbio também é propício. Ele destaca, ainda, o tempo que uma empresa gasta para visitar fornecedores distantes. "Uma viagem de São Paulo a Xangai leva uma semana enquanto que para Curitiba você pode ir pela manhã e retornar no fim do dia", afirma. Sem falar em outras dificuldades como comunicação e a necessidade de traduzir desenhos de peças.

O executivo lembra que muitas vezes a decisão pela importação leva em conta apenas o preço. "Mas isso é perigoso", diz. "As viagens, a necessidade de buscar intérpretes, traduzir desenho para línguas como o Mandarin; tudo isso, no final, se traduz em custos escondidos." Para Nobis, somente o custo de estoque de peças em trânsito numa viagem de dois meses já elimina vantagens de preços de 20% a 30% em uma peça importada.

Entre 1999 e 2003 Nobis foi presidente da Bosch na Índia, onde, segundo ele, a filosofia é a mesma. Agora no Brasil, ele vê condições de crescimento sustentado tanto na economia como no setor automotivo. O executivo estima que a produção de veículos no país vai crescer em médias de 5% ao ano daqui em diante, no mínimo. Para sustentar a expansão, é preciso criar bases sólidas de fornecimento local.

Fonte: Valor

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