SEG, 18 de dez / 2017

Brasil ficou 'mais adulto', diz presidente da Fiat Chrysler

Nem sempre a visão de quem comanda uma empresa a respeito da economia de um país coincide com a de analistas. O presidente do grupo Fiat Chrysler na América Latina, Stephan Ketter, não acredita que as eleições de 2018 representem qualquer risco à agenda de reformas. Para ele, a transformação política pela qual o Brasil passou recentemente tornou o o país "mais adulto". Otimista em relação aos negócios, Ketter prepara-se para um ano "de colheita" de decisões que tomou para enfrentar a crise, como elevar a produtividade nas fábricas sob seu comando. E sente segurança para prever que no próximo ano o mercado brasileiro de carros vai repetir o crescimento de 10% esperado para este ano.

Isso não significa que o executivo espera um mar de rosas no cenário macroeconômico de 2018. "Não se pode imaginar que tudo será perfeito porque não se redescobre o Brasil de um ano para outro", afirma. "Mas a coragem para iniciar o processo de reformas em oito meses, como vimos, é um caso único no mundo", completa.

Esse executivo paulistano de 58 anos, que trabalha na indústria automobilística desde o início da década de 80, conhece o mundo. Ele já viveu na Alemanha, Itália, Estados Unidos e precisa viajar com frequência, pois é também vice-presidente de manufatura do grupo FCA em todo o mundo.

Ketter não prevê desvios na retomada do crescimento econômico mesmo se opositores ao atual governo vencerem a eleição presidencial. Para ele, a reforma da Previdência é o único meio de alcançar "a responsabilidade fiscal necessária para viabilizar o país". E se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vier a se candidatar e vencer, a consequência, diz o executivo, será um "plano de governo mais voltado ao consumo da classe C". "O país está mais maduro", repete.

Ketter está no comando da América Latina desde novembro de 2015, sete meses depois da inauguração da fábrica de veículos Jeep em Goiana (PE), o primeiro projeto industrial que nasceu da fusão entre Fiat e e Chrysler. Os resultados de um primeiro ano de funcionamento em meio à crise foram tímidos. Mas em 2017, a operação deslanchou e ajudou o grupo a vender e faturar mais e aumentar os lucros na região.

Dados de licenciamento no Brasil mostram um incremento de 55% nas vendas da Jeep de janeiro a novembro. A marca quase dobrou de participação no mercado, para 4%, e ultrapassou a Nissan. O balanço mundial da FCA mostra que o resultado líquido do grupo na América Latina - onde a fatia do Brasil é próxima de 50% - foi de um prejuízo de € 16 milhões no terceiro trimestre de 2016 para lucro de € 59 milhões em igual período em 2017. A região foi a única, no grupo, a registrar crescimento na receita líquida, que passou de € 1,49 bilhão para € 2,11 bilhões no período.

O sistema produtivo na fábrica pernambucana é moderno e alinhado ao parque de fornecedores no entorno. Mas foi decisiva, para driblar a crise, a decisão da montadora de socorrer fornecedores com dificuldades financeiras.

Para tornar a ajuda possível, a FCA usou a Magneti Marelli, fabricante de peças ligada à Fiat. A Marelli fez "joint ventures" com algumas empresas e comprou outras. Uma vez sanadas as dificuldades financeiras, a ideia agora, destaca Ketter, é colocar as empresas compradas à venda. Esses fabricantes de componentes, diz, sofreram com a crise, mas estão agora preparados para a retomada de vendas de veículos no Brasil.

As mudanças nos hábitos de transporte não preocupam o presidente da FCA. "Os jovens perderam o interesse pela posse do carro, mas não pelo automóvel em si", diz. Para ele, haverá sempre veículos nas ruas independentemente de os proprietários e suas famílias serem os únicos ocupantes ou de o carro pertencer a um sistema de transporte por aplicativo. "O automóvel não é um vilão; é uma oportunidade dentro de um novo conceito de mobilidade."

Ketter fala com orgulho dos investimentos do grupo, que somaram R$ 21,9 bilhões nos últimos cinco anos. Mas os valores de futuros programas ainda não são divulgados. Apesar do otimismo em relação ao cenário macroeconômico, no setor automotivo, o executivo demonstra-se preocupado com a demora do governo em lançar o Rota 2030, programa de incentivos que substituirá o atual, o Inovar-Auto, que termina este ano.

Apesar de esperar estímulos, ele defende maior abertura do mercado brasileiro. Diz que se o país quer fechar acordos como o que tem sido negociado com a União Europeia não pode esperar uma "via de mão única". A exportação também tem ajudado a Fiat, que venderá ao exterior este ano 141 mil veículos, 61% mais do que em 2016.
Ketter é um árduo defensor do etanol. Tem posição firme em relação às discussões sobre incentivar a entrada de carros elétricos no país ou aproveitar mais a disponibilidade do combustível derivado da cana-de-açúcar. "O Brasil não pode render-se a "modismos", diz.

Para Ketter, a indústria pode desenvolver motores a etanol mais econômicos e o governo buscar meios de tornar o preço desse combustível mais vantajoso em relação à gasolina. Além disso, ele defende a criação de incentivos para o etanol de segunda geração, feito a partir do bagaço de cana, o que ajuda a preservar o ambiente. "É chance única de o Brasil desenvolver uma matriz de biomassa fantástica."

(Fonte: Valor Econômico)

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