QUA, 28 de mar / 2018

Caixa aumenta taxas, diminui repasse de benefícios sociais e tem lucro de 202%

A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou nesta terça-feira (27) um lucro líquido  de R$ 12,5 bilhões em 2017 - aumento é de 202,6% em relação a 2016. É o maior da história do banco.

“Esse lucro recorde é consequência da diminuição nas linhas de crédito, aumento de tarifas, demissões e diminuição dos programas sociais”, denuncia Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e representante dos empregados no Conselho de Administração da CEF.


A dirigente lembra que as marcas dos governos Lula e Dilma eram de que a Caixa era o banco da menor taxa, era mais que um banco, fazia investimentos sociais. “Hoje está mais próximo de um banco privado, colocando um modelo de gestão de pressão sobre os trabalhadores, para que atinjam metas em detrimento do atendimento à população”.

Para Rita, não há problema algum em um banco público obter rendimentos, mas não ao custo do bolso da população, com lucros absurdos destoando do restante da economia; ganhando com spread bancários, nas taxas cobradas e nos juros de cartão de crédito e cheque especial, que continuam altos, independentemente da queda de juros no país.

Cortes nos benefícios

A Caixa é gestora do programa Bolsa Família e de outros 26 programas de transferência de renda. Em 2016, o banco foi responsável por 166 milhões de pagamentos de benefícios sociais no valor de R$ 28,5 bi. No ano passado, foram 117 milhões de pagamentos no valor de R$ 21,2 bilhões.

Aumento de taxas e tarifas e queda no crédito

Enquanto a população perde, ganham os rentistas e acionistas.  O banco estatal aumentou suas taxas de juros, quase se igualando aos bancos privados. As receitas obtidas por meio da prestação de serviços e com tarifas bancárias cresceram 11,5%, totalizando R$ 25 bilhões.

“A Caixa era conhecida como o Banco com menores taxas, o Banco do Povo. Não é mais”, diz Rita.

A carteira de crédito da Caixa sofreu uma queda de 0,4% em 12 meses. Para Pessoa Física, a queda foi de 8,6% em relação a 2016, atingindo, aproximadamente, R$ 93,7 bilhões. Para Pessoa Jurídica, o corte foi ainda maior (-23,1%), somando R$ 68,1 bilhões.

Esses números mostram que o governo do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP) não tem compromisso com a classe trabalhadora, diz Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

“A queda na carteira de crédito tanto para pessoas físicas como jurídicas demonstra a falta de compromisso desse governo golpista com os trabalhadores de menor renda e com os micro e pequenos empresários que estimulam o comércio e a indústria”.

“O banco deveria aquecer o mercado interno ampliando o acesso ao crédito, não o contrário como está fazendo”, diz o dirigente.

Casa própria

Outro exemplo de retrocesso nos programas sociais a partir da decisão do atual governo é a diminuição nas linhas de crédito destinadas à habitação.

Enquanto a Selic caiu quase pela metade, a taxa média dos cinco maiores bancos do País para o financiamento da casa própria teve uma redução de, em média, 14%.

Entre novembro de 2016 e janeiro de 2017,  a Selic passou de 13,75% para 7% ao ano. No mesmo período, a taxa média cobrada por Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander para compra da casa própria caiu de 11,24% para 9,69% ao ano, segundo levantamento feito pela empresa Melhortaxa, plataforma que cruza informações de crédito imobiliário.

A Caixa Econômica Federal é líder no setor, dona de uma fatia de 65% do mercado de crédito imobiliário.

Demissões

Segundo a representante dos empregados no Conselho de Administração da CEF, Rita Serrrano, o lucro do banco também foi motivado pelo retrocesso nas condições de trabalho.

De 2014 a 2017,14 mil trabalhadores saíram da empresa, seja por demissão voluntária ou aposentadoria.  Em janeiro deste ano já deixaram o banco outros 1.600 funcionários. Até o final do semestre, este número vai aumentar podendo chegar no total em 16 mil.

O relatório do banco aponta ainda que o resultado deve-se, principalmente, à limitação dos gastos com a folha de pagamento e com a oferta de assistência à saúde dos empregados.

“Esse resultado foi obtido devido ao sacrifício da assistência à saúde dos trabalhadores e à exploração dos clientes. A Caixa obteve R$ 4 bilhões de lucro só com a diminuição na assistência à saúde do trabalhador. Devemos questionar o desvio que esse governo está promovendo no papel dos bancos públicos. Esse governo não tem nenhum compromisso com a classe trabalhadora e nem com o desenvolvimento do país”, diz Roberto von der Osten.

O banco encerrou o ano de 2017 com o fechamento de 18 agências, 55 lotéricos e 1.737 correspondentes “Caixa Aqui”.

(Fonte: Rosely Rocha, especial para Portal CUT)

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