QUI, 16 de ago / 2018

Candidatura de Lula à Presidência da República é registrada no TSE

Parlamentares e governadores apresentam Plano Lula de governo. "Vamos lembrar que os pobres devem ser contemplados no orçamento como investimento, não despesa", diz Lula em carta.

A candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República foi registrada na tarde de hoje (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Foi protocolado também o Plano Lula de governo, coordenado pelo candidato a vice na chapa, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Enquanto uma multidão aguardava do lado de fora, em ato marcado pela leitura de cartas escritas pelo ex-presidente Lula de dentro da prisão em Curitiba, onde é preso político desde 7 de abril, a presidenta do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), Haddad, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) e a presidenta deposta, Dilma Rousseff, além de outros parlamentares e lideranças entraram no TSE para registrar a candidatura e o programa de governo.

Após o registro, Lula afirmou, novamente em carta (abaixo), que quer que "o povo possa decidir se me dará a oportunidade de consertar o país". "Vamos nos espalhar pelo Brasil para nas ruas, no trabalho, nas redes sociais, mas principalmente olhando nos olhos das pessoas, lembrar que esse país um dia já foi feliz e que os mais pobres estavam contemplados no orçamento da União como investimento, e não como despesa", disse o ex-presidente e agora oficialmente candidato.

“A candidatura de Lula está registrada. De agora por diante, se a legislação for cumprida, o Lula é candidato até o final das eleições e vai ganhar”, afirmou Haddad. "Agora é irmos para a rua defender Lula, defender o plano de governo e ganhar essa eleição. Não pretendemos arredar pé das ruas até reconduzir o presidente ao Palácio do Planalto. Ele (Lula) manda dizer, por meio de uma carta, que pode fazer muito para tirar o Brasil de uma das piores crises da nossa história."

"Esse é o papel mais famoso da nossa vida. Vamos subir agora para mostrar ao povo", destacou Manuela, que participará da campanha de Lula. "Vamos fazer essa eleição conversando com o povo, pois estamos conscientes de que as pessoas sabem que com Lula o povo pode voltar a ser feliz. É isso que essa multidão está provando aqui, hoje".

"Lula está registrado como candidato a presidente do Brasil. Está aqui o registro.Quero falar não apenas para todos vocês, mas para o Lula, que vai ver esse vídeo. Dizer que valeu a pena, valeu a força presidente. Valeu sua garra. Agora você é nosso candidato", disse Gleisi.

"Estamos de pé depois de um golpe em 2016. Achavam que iriam nos destruir, mas  nós enfrentamos os golpistas e estamos aqui de pé, querendo acabar com o retrocesso dos direitos sociais no país. Lula Livre e Lula presidente representam a democracia no nosso país. Hoje ganhamos com nossa força, nossa convicção, a certeza de que Lula é inocente, o registro da candidatura de Lula e do candidato a vice, Fernando Haddad", afirmou Dilma.

“Estamos transformando Brasília na capital da democracia em nosso país. Nunca imaginamos que iríamos viver um dia como este por isso é importante estarmos do lado certo da historia. Defender a candidatura de Lula é defender a democracia do país. A UNE quer sim que o povo escolha de forma soberana quem quer votar nas urnas. Lula é um preso político, estamos sob um estado de exceção, com a democracia ameaçada e, por isso, precisamos seguir firmes e fortes para derrotar os nossos inimigos. Os estudantes brasileiros estão aqui para gritar bem alto Lula Livre” , disse a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, durante ato em apoio à candidatura de Lula.

“Estamos com a representação do povo brasileiro. Aqui somos milhares, mas representamos milhões. Mulheres, homens, trabalhadores, sem-teto, camponeses, agricultores rurais sem terra, todos estamos com Lula”, disse o coordenador da Central dos Movimentos Populares, Raimundo Bonfim.

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Gilmar Mauro falou em nome da Via Campesina e dos movimentos que marcharam durante cinco dias para chegar até Brasília. “Não marchamos porque achamos bonito, embora a estética da marcha é bela, nem para perder peso. Marchamos para registrar a candidatura Lula", afirmou.

O dirigente lembrou outros momentos históricos do país. "Marchamos pela reforma agrária e temos certeza que continuaremos marchando e ocupando latifúndios pelo Brasil. Mas é preciso que todos saibam que luta corporativa e luta política não podem ser separadas de jeito nenhum, porque o sujeito da luta política pode ser o sujeito das lutas mais diversas neste país. É por isso que o registro da candidatura de Lula é importante, assim como é importante depois deste ato, continuarmos organizando e mobilizando nosso povo. Não temos dúvida que os golpistas deram o golpe. É fundamental que daqui por diante, continuemos nos organizando."

O ex-governador da Bahia Jaques Wagner destacou a esperança que Lula representa para o povo. "Todos sabem que sua prisão é arbitrária, sem crime, sem prova. Movimentar essa quantidade enorme de pessoas significa que ele mora no coração de milhões de brasileiros e brasileiras. Eu espero que essa energia possa contaminar os ministros do STF e do TSE para que possamos obter justiça. Precisamos de Lula livre pela democracia e pelo Brasil.”

Quero que o povo possa decidir se me dará a oportunidade de consertar o país

Registrei hoje a minha candidatura a Presidência da República, após meu nome ter sido aprovado na convenção do PT e com a certeza de que posso fazer muito para tirar o Brasil de uma das piores crises da história.

A partir dessa aprovação do meu nome pelas companheiras e companheiros do PT, do PCdoB e do Pros, passei a ter o direito de disputar as eleições.

Há um ano, um mês e três dias, Sérgio Moro usou do seu cargo de juiz para cometer um ato político: ele me condenou pela prática de “atos indeterminados” para tentar me tirar da eleição. Usou de uma “fake news” produzida pelo jornal O Globo sobre um apartamento no Guarujá.

Desde então o povo brasileiro aguarda, em vão, que Moro e os demais juízes que confirmaram a minha condenação em segunda instância apresentem alguma prova material de sou o proprietário daquele imóvel. Que digam qual foi o ato que eu cometi para justificar uma condenação. Mas o que vemos, dia após dia, é a revelação de fatos que apenas reforçam uma atuação ilegítima de agentes do Sistema de Justiça para me condenar e me manterem na prisão.

Chegou-se ao ponto em que uma decisão de um desembargador que restabelecia a minha liberdade não foi cumprida por orientação telefônica dada por Moro, pelo presidente do TRF4 e pela procuradora Geral da República ao Diretor-Geral da Polícia Federal.

Como defender a legitimidade de um processo em que conspiram contra a minha liberdade desde o juiz de primeira instância até a Procuradora-Geral da República?

Sou vítima de uma caçada judicial que já está registrada na história.

Tenho certeza de que se a Constituição Federal e as leis desse país ainda tiverem algum valor serei absolvido pelas Cortes Superiores.

A expectativa de que os recursos apresentados pelos meus advogados resultem na minha absolvição no STJ ou no STF é o que basta, segundo a legislação brasileira, para afastar qualquer impedimento para que eu possa concorrer.

Não estou pedindo nenhum favor. Quero apenas que os direitos que vem sendo reconhecidos pelos tribunais em favor de centenas de outros candidatos há anos também sejam reconhecidos para mim. Não posso admitir casuísmo e o juízo de exceção.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU já emitiu uma decisão que impede o Estado brasileiro de causar danos irreversíveis aos meus direitos políticos – o que reforça a impossibilidade de impedirem que eu dispute as eleições de 2018.

Quero que o povo brasileiro possa decidir se me dará a oportunidade de, junto com ele, consertar este país.

A partir de amanhã, vamos nos espalhar pelo Brasil para nas ruas, no trabalho, nas redes sociais, mas principalmente olhando nos olhos das pessoas, lembrar que esse país um dia já foi feliz e que os mais pobres estavam contemplados no orçamento da União como investimento, e não como despesa.

Cada um de vocês terá que ser Lula fazendo campanha pelo Brasil, lembrando ao povo brasileiro que nos governos do PT o povo trabalhador teve mais emprego, maiores salários e melhores condições de vida.

Que um nordestino que mora no Sul podia visitar sua família de avião e não somente de ônibus.

Que um pobre, um negro, ou um índio podia ingressar na universidade.

Que o pobre podia ter casa própria e comer três vezes ao dia.

Que a luz elétrica era acessível a todos.

Que o salário mínimo foi aumentado sem causar inflação.

Que foi posto em prática aquele que a ONU considerou o melhor programa de transferência de renda do mundo, beneficiando 14 milhões de famílias e tirando o Brasil do mapa da fome.

Que foram criadas novas universidades e novos cursos técnicos.

Para recuperar o direito de fazer tudo isso e muito mais é que sou candidato a Presidente da República.

Vamos dialogar com aqueles que viram que o Brasil saiu do rumo, estão sem esperança mas sabem que o país precisa resolver o seu destino nas urnas, não em golpes ou no tapetão.

Lembrar que com democracia, com nosso trabalho, o Brasil vai voltar a ser feliz.

Enquanto eu estiver preso, cada um de vocês será a minha perna e a minha voz. Vamos retomar a esperança, a soberania e a alegria desse nosso grande país.

Companheiras e companheiros, o Moro tinha até hoje para mostrar uma prova contra mim. Não apresentou nenhuma! Fato indeterminado não é prova! Por isso sou candidato.

Repito: com meu nome aprovado na convenção, a Lei Eleitoral garante que só não serei candidato se eu morrer, renunciar ou for arrancado pelo Justiça Eleitoral. Não pretendo morrer, não cogito renunciar e vou brigar pelo meu registro até o final.

Não quero favor, quero Justiça. Não troco minha dignidade por minha liberdade.

Um forte abraço,

Lula

(Fonte: Rede Brasil Atual, com reportagem de Hylda Cavalcanti)

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QUA, 24 de out / 2018

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Maicon Vasconcelos*

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