TER, 21 de ago / 2018

Congresso pode ter baixa 'renovação' e ser ainda mais conservador

"Além de uma renovação menor e de má qualidade, ainda há o risco de que a próxima composição da Câmara dos Deputados seja mais fisiológica e conservadora do que a atual", diz o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em levantamento sobre a eleição de outubro. De acordo com o instituto, 407 dos 513 deputados federais (79,3%, ante 80,2% em 2014) tentarão a reeleição. No Senado, 32 dos atuais parlamentares tentarão permanecer – estarão em disputa dois terços (54) de um total de 81 cadeiras.

Segundo o Diap, na Câmara o número de deputados que disputarão a reeleição ficou pouco abaixo da média das sete últimas eleições (407, ante 408). Mas cresceu em relação a 2014 (307).

Agora, 106 deputados "fizeram outras opções político-eleitorais": 31 desistiram da vida pública e 75 disputarão outros cargos, sendo 40 para o Senado. O Diap cita vários motivos para a possível menor renovação, como mudanças na legislação, menor tempo de campanha e fim das doações empresariais.

"São poucos os nomes competitivos – com vida profissional organizada – que se dispõem a concorrer a mandato eletivo, particularmente para a Câmara. Os custos de campanha e, principalmente, de imagem são enormes", diz o instituto, chamando ainda a atenção para um aspecto desta eleição que considera preocupante: a "qualidade" da renovação.

"As vagas que serão preenchidas por 'novos', ou serão ocupados por ex-ocupantes de cargos públicos – eleitos ou nomeados – numa espécie de circulação no poder, ou pertencerão às futuras bancadas evangélica, da segurança ou bala e parentes, segmentos que irão crescer na Câmara", aponta.

Já no Senado, o total de parlamentares que tentará a reeleição está acima da média dos três últimos pleitos, de 27. Foram 20 em 1994, 33 em 2002 e 29 em 2010. Dos 22 que decidiram não concorrer, 11 desistiram da vida pública e 11 disputarão outros cargos, sendo cinco para deputado federal.

Mas há também candidatos entre o um terço que tem mandato até 2023, fazendo com que a renovação na Câmara possivelmente seja maior. Treze tentarão vaga para governo estadual e dois para Presidência ou vice da República. Se forem eleitos, terão de renunciar ao mandato – com isso, assumiriam o suplente (primeiro ou segundo) eleito em 2014.

Entre os partidos, na maior bancada da Câmara, a do PT, 52 dos 61 deputados (85,25%) querem permanecer na Casa em 2019. Na segunda maior, a do MDB, são 42 de 50 (84%). Dos 49 do PSDB, tentarão voltar (79,6%). O PP tem números exatamente iguais. No DEM, serão 31 de 43 (72,1%). A maior taxa é a do SD: 90,9%, ou 10 de 11 deputados disputando a reeleição, e a menor, de PHS e PV: 40% (dois de cinco).

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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