QUI, 13 de nov / 2014

Crise afetou muito as condições de trabalho e de vida, revela acadêmico da Alemanha

Professor Stephan Voswinkel participou de painel da 3ª Conferência Expressões da Globalização, ao lado de trabalhadores alemães na ZF e Mahle e de economista da Unicamp.

 
Selo
 


A alta precarização do trabalho, o crescimento da mão de obra terceirizada e dos empregos temporários e o aumento dos transtornos psicológicos em trabalhadores foram os principais impactos do pós-crise de 2008 na Alemanha e na Europa como um todo. A avaliação foi feita pelo professor Stephan Voswinkel, da Universidade Johann Wolfang Goethe, na manhã desta quinta-feira (13), segundo dia da 3ª Conferência Expressões da Globalização. O evento, que reúne cerca de 200 metalúrgicos (as) brasileiros (as) e alemães e está sendo realizado em Guarulhos, termina amanhã (14).

O evento, que tem como tema “Trabalhadores (as) frente à Crise Econômica, Política e Social - cinco anos depois", é uma realização da Fundação Hans Böckler (FHB), organizada pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), em parceria com o Instituto Integrar e o IG Metall (Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha). A 1ª Conferência foi feita no Brasil em 2009 e a 2ª ocorreu na Alemanha, em 2012.
 

  Créd: Roberto Parizotti
Stephan Voswinkel
   S.Voswinkel

Voswinkel participou do painel o panorama político, econômico e social nos dois países, ao lado do economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Manzano, dos representantes alemães das Comissões de Fábrica da Mahle, Jürgen Keith, e da ZF, Johann Kirchgässner.

Segundo o professor da Universidade Johann Wolfang Goethe, essas transformações no mercado de trabalho europeu têm impactos significativos não apenas nas condições de emprego, mas, principalmente, no modo de vida dos trabalhadores. “O trabalhador vive sob pressão para cumprir prazos e metas. Os dias de falta por transtornos psicológicos aumentaram mais de 60% entre 2001 a 2013, na Alemanha. Os trabalhadores estão sofrendo uma grande depressão por conta das condições de trabalhos”, lamentou. 

Crédito: Roberto Parizotti
Professor Stephan Voswinkel analisou os impactos sociais e econômicos na Alemanha no pós-crise
Painel reuniu acadêmicos e e trabalhadores brasileiros e alemães 

O alemão também fez uma análise da relação entre sindicatos e a política neoliberal naquele país. De acordo com Voswinkel, a representatividade dos sindicatos diminuiu drasticamente com a ascensão desse modelo econômico. “O trabalho temporário e a terceirização reduziram o índice de filiação aos sindicatos. Com menos trabalhadores representados, os sindicatos perdem sua força e as empresas pressionam cada vez mais os funcionários. Um dos sinais da falta de representatividade é que os trabalhadores não ganham aumento real de salário desde 2010”, contou. 

Ação fundamental

Créd.Roberto Parizotti
Jürgen Keith
Jürgen Keith

Em sua intervenção, o representante da Comissão de Fábrica da Mahle apontou as alternativas dos trabalhadores na planta da Alemanha para assegurar os empregos durante e após a crise financeira. “A Comissão de Fábrica foi fundamental neste momento que abalou o mundo. A primeira ação foi reduzir a jornada de trabalho e fazer um acordo com a empresa para não demitir os funcionários. Fizemos um programa de inovação para melhorar a organização e segurança no chão de fábrica. Mas isso tudo teve um preço, pois os salários ficaram estagnados”, afirmou Jürgen Keith. 

     Créd. Roberto Parizotti
Johann Kirchgässner
    J. Kirchgässner
 
 


Já o trabalhador na ZF ressaltou a organização e diálogo entre trabalhadores de todo o mundo para aliviar os impactos da crise de 2008. “Se quisermos avançar, é preciso dialogar ainda mais com trabalhadores de outros países, principalmente nas mesmas empresas, por meio das redes sindicais. É uma necessidade efetiva para enfrentar o capital deste mundo globalizado”, disse Johann Kirchgässner. 

Se o cenário é negativo nos países europeus por conta dos fortes impactos da crise, na opinião do professor Marcelo Manzano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Brasil realmente passou por uma “marolinha” na crise de 2008, como havia dito o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à época.  

Segundo o professor, as políticas econômicas e sociais dos governos de Lula e Dilma Rousseff foram essenciais para que a crise não derrubasse o país. “Em 2008, o governo brasileiro estava conseguindo aliar a distribuição de renda com o crescimento econômico. Consequentemente, estávamos reduzindo a pobreza e aumentado a classe média sem achatar as classes mais abastadas. A descoberta do pré-sal também garantiu que pudéssemos aumentar o investimento em educação e saúde”, assinalou Marcelo Manzano.

Crédito: Roberto Parizotti
Marcelo Manzano
Manzano (no microfone) destacou políticas sociais e econômicas dos governos Lula e Dilma 


O economista também destacou a política de valorização do salário mínimo como fator para que a crise internacional não chegasse ao Brasil. De acordo com ele, 70% da redução da desigualdade no país são por conta da valorização do salário mínimo. “É uma política extremamente importante. Ainda existe um grande contingente de trabalhadores que ganham apenas o valor do salário mínimo e puderam se inserir no mercado consumidor”, reforçou Manzano.

Para finalizar, o professor fez críticas à imprensa brasileira, que segundo ele esconde números reais da economia no país. “De 2002 a 2013, o governo diminuiu consideravelmente os gastos com as contas públicas. E, atualmente, os números estão cada vez menores. Mas a mídia publica diariamente que as contas estão descontroladas. Conseguimos saldar a dívida externa. Agora temos o desafio de quitar a dívida interna, que reduziu pela metade nos últimos 10 anos”, afirmou.

O painel teve a moderação do secretário da Juventude da CNM/CUT, Leandro Soares.

Sobre a 3ª Conferência, confira:

Solidariedade internacional marca abertura da 3ª Conferência Expressões da Globalização

Mercado interno continua fundamental para o Brasil, diz pesquisador da Unicamp

(Fonte: Shayane Servilha – Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)
 

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