SEX, 22 de set / 2017

Dirigentes da CUT repudiam ameaça de golpe militar

Recentemente, o general do Exército, general Antonio Hamilton Mourão, apontou que há aproximações sucessivas rumo à uma intervenção militar. Para piorar, o comandante do Exército, general Eduardo Villlas Boas, não negou as declarações do general, o que provoca apreensão em todos os democratas e cria tensão para qualquer um que conheça a história recente de torturas e desrespeito aos direitos humanos no país.

Em artigo, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, e a secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos, Jandyra Uehrara, criticam a omissão de Villas Boas e apontam que a Central nasceu para lutar e permanecerá nas trincheiras contra qualquer ataque à democracia.

Leia abaixo o artigo:

O Brasil precisa voltar a ser um país democrático, com os poderes definidos pelo Povo. Afinal, democracia é o governo do povo, com o povo e para o povo.

Na medida em que o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, não nega as declarações do general Antonio Hamilton Mourão de que estão em curso “aproximações sucessivas” rumo a uma intervenção militar caso as instituições não consigam “solucionar o problema político”, e que já existem “planejamentos muito bem feitos” com esta finalidade; na medida em que considera não ter havido quebra de hierarquia e que descarta a aplicação de punição ao militar, o comandante do Exército, não apenas admite como, na prática, subscreve aquelas declarações.

A Central Única dos Trabalhadores repudia com veemência as recentes e graves declarações do alto comando das Forças Armadas, nas quais se reafirma a possibilidade de recurso a um golpe militar para tentar solucionar a crise política e institucional do país.

A tentativa de impor uma solução para a atual crise pelo uso da força militar tende, pelo contrário, a agravá-la. Ao invés de restituída, a ordem constitucional e democrática violada pelo golpe jurídico-parlamentar-midiático seria novamente transgredida por um eventual golpe militar.

A CUT nasceu em 1983 combatendo a ditadura militar, denunciando seus crimes e lutando pela redemocratização do país. Os resultados das investigações promovidas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e pela Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT demonstram que os trabalhadores e trabalhadoras foram as principais vítimas do aparato de repressão do regime, que buscou calar, a qualquer custo, as vozes da classe trabalhadora em luta por melhores condições de trabalho e de vida.

Naquele período sombrio de nossa história, eram recorrentes as intervenções em sindicatos, cassação de mandatos de dirigentes sindicais, invasão e destruição do patrimônio das entidades, desrespeito à legislação sindical, prisões, torturas, desaparecimentos e assassinatos de sindicalistas. Ainda que os tempos sejam outros, o fato de um capitão do Exército infiltrado em movimentos sociais de São Paulo em 2016 ter sido promovido a major, ao invés de punido, demonstra que o sentido geral de um golpe militar seria semelhante: reprimir as forças sociais e políticas que se opõem à ofensiva reacionária que retira direitos sociais, ataca as liberdades democráticas e compromete a soberania nacional.

Por Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, e Jandyra Uehara, secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos

(Fonte: CUT Nacional)

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