QUI, 13 de dez / 2018

Em conferência, metalúrgicos do Brasil e Alemanha debatem o trabalho do futuro

Durante 5ª Conferência Expressões da Globalização, trabalhadores e especialistas relataram experiências em seus respectivos países.

Crédito: Adonis Guerra
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“A quarta revolução industrial está trazendo uma mudança estrutural que consolida a desigualdade social e econômica.” Está é a avalição de Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no painel sobre o trabalho do futuro da 5ª Conferência Expressões da Globalização nesta quinta-feira (13).  O evento, que acontece em Guarulhos (SP), reúne metalúrgicos da Alemanha, Brasil, Argentina, México e Uruguai (leia mais aqui).

A Conferência, que tem como tema “O futuro do trabalho e da Organização dos Trabalhadores na Geopolítica Mundial”,  é uma realização da Fundação Hans Böckler (FHB), organizada pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), em parceria com o Instituto Integrar e o IG Metall (Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha).

Clemente também lembrou da reforma trabalhista do governo Temer que retirou direitos e flexibilizou as relações de trabalho no país. “Empresários contratam e demitem sem proteção sindical. Esta reforma promove um verdadeiro desmonte na legislação que garantia o mínimo de segurança, salubridade e estabilidade ao trabalhador. E nos próximos anos, viveremos um aprofundamento dessas novas relações”, afirmou.  

Crédito: Adonis Guerra
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Em sua intervenção, Moritz Niehaus, do Departamento do Futuro do Trabalho do IG Metall, o sindicato atua para participar da introdução de novas tecnologias nas fábricas, analisando como afetará a vida do trabalhador. “Esta nova indústria com avanços tecnológicos traz racionalização e substitui empregos, redução nos intervalos de descanso e aumento na jornada de trabalho. Além disso, a digitalização tem sido usada para reduzir o diálogo com os sindicatos”, criticou.

Já o presidente da comissão de fábrica Schrader, Frank Kirchner, mostrou uma pesquisa sobre os locais na empresa em que a digitalização poderia ser implementada. “Envolveram especialistas e trabalhadores de diversas áreas da empresa. Digitalizaram as áreas internas da empresa para permitir que todos os trabalhadores pudessem ter acesso e capacidade de compreender os processos na empresa. O IG Metall ajudou em todo este processo e falta pouco para que este projeto se torne um aplicativo”, contou. 

Indústria 4.0 e o futuro do trabalho
Ainda pela manhã, os trabalhadores discutiram o futuro do trabalho e seus impactos e desafios para a classe trabalhadora da América Latina e Alemanha.

Crédito: Adonis Guerra
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Sindicalistas da América Latina e Alemanha sobre o futuro do trabalho 


Confira os depoimentos dos sindicalistas:

Alemanha
"A indústria da 4.0 rompe fronteiras, conectando as máquinas com o mundo externo,  e os trabalhadores têm medo. O IG Metall e a comissão de fabrica das empresas têm o compromisso de lidar com os medos dos trabalhadores sobre estas mudanças no processo de produção.  Sindicato e comissão têm representação forte e para lidar com esta nova indústria."

Thorsten Wottrich, Presidente da comissão da fábrica da empresa GEDIA AutomotiveGroup. 

Argentina
Com a indústria 4.0, os postos de trabalho estão sendo reconstruídos. Na planta da Toyota, por exemplo, já tivemos áreas que foram extintas por conta da robotização no processo produtivo. Além disso, as empresas querem padronizar o físico dos trabalhadores para se adaptarem aos robôs, mas esta indústria digital que precisa se moldar aos trabalhadores.  

Maria Belém. 

Brasil
"O capitalismo age de modo desigual e alinhado em todo o mundo.  E a solidariedade internacional é muito importante para conquistas da classe trabalhadora.  Através dela conseguimos construir um projeto de comunicação dos trabalhadores que é a TVT. A luta da comissão de fábrica da Mercedes na Alemanha ajudou na criação da comissão da mesma empresa no Brasil. A luta faz a lei e somos a resistência!"

Maicon Vasconcelos, secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT e trabalhador na Mercedes Benz. 

México
“Nos vinculamos com outros sindicatos independentes para fortalecer e potencializar a luta. A unidade da luta irá trazer grandes vitórias em defesa dos companheiros e companheiras que estão no chão da fábrica. E o desafio também é representar os terceiros e assumir as rédeas da luta destes trabalhadores.”

Sérgio Javier Rivera, Sindicato Independente de Trabajadores de la Industria automotriz, similares y conexos, Volkswagen de México.

“A classe trabalhadora é imprescindível para a luta contra todo retrocesso. No México, estamos prestes a aprovar uma nova reforma trabalhista progressista que garante direitos mínimos. Os trabalhadores o México apoiam e se solidarizam com os companheiros dos Brasil contra a retirada de direitos que o governo impôs.”
 
Jose Federico Gonzalez Hernadez, Sindicato Nacional de Trabajadores de General Tire de México S.A. de C.V.


"Para nós, desenvolvimento tecnológico deveria ser sinônimo de oportunidade para os trabalhadores. Mas indústria 4.0 é o mesmo que aprofundar as desigualdades.  A primeira condição para uma vitória é resistir. Graças a solidariedade internacional é possível que a luta tenha ótimas vitórias."

Raul Hector Diaz de La Cueva, Centro de Investigación Laboral y Asesoría Sindical – CILAS.

Uruguai
“É uma evolução tecnológica que já está vigente. Postos de trabalhos estão sendo perdidos. Por isso, lutamos pela redução da jornada para que postos novos sejam criados. Esta luta não é apenas por salário, mas também sobre qualidade de vida. É uma questão social importante de se reivindicar.”

Eduardo Burgos, secretário de Relações Internacionais da UNTMRA.

(Fonte: assessoria de imprensa da CNM/CUT)

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