SEX, 09 de mar / 2018

Em conversa com Lula, mulheres relatam dificuldades e renovam reivindicações

Em vez do tradicional discurso em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, "companheiras" se reuniram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã deste 8 de março, e relataram as dificuldades vividas no dia a dia, no trabalho, em casa, na rua e na política. Diferença salarial, sobrecarga do trabalho doméstico, assédio sexual e carreiras obstruídas nas empresas e nas organizações sociais e sindicais foram algumas das questões por ela levantadas.

Michelle Marques, que trabalhou na Volkswagen e hoje atua na formação política do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, lembrou que há cerca de 40 anos ocorria o primeiro congresso das trabalhadoras da categoria. De lá para cá, as pautas da luta ainda são muito parecidas. "Elas hoje ganham igual aos homens. No nosso ramo não tem diferença salarial. A diferença é na ascensão na carreira. Das mulheres que entram na produção, a maioria permanece lá e acaba sua carreira lá. O homem vira chefe, supervisor. Há muito preconceito ainda no nosso ramo", relatou.

Ela conta que avanços só foram obtidos a partir do momento em que as mulheres passaram também a participar das mesas de negociação. "Os companheiros até têm sensibilidade, mas às vezes não basta, têm que viver (a realidade feminina)", disse Michelle, que também apontou a falta de creche, os múltiplos turnos das fábricas e a necessidade de divisão igualitária do trabalho doméstico. "A questão é dividir, e não só ajudar."

Marina, ativista política e jornalista, ressaltou que as mulheres não ocupam o devido espaço na política, porque movimentos sociais e partidos não são espaços "acolhedores" às mulheres, principalmente para as mães, que têm de conciliar o cuidado com os filhos e a necessidade de lutar para transformar a realidade.

Como exemplo, ela destacou a onda machista que foi alimentada contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. "A disputa política é um espaço muito arredio para as mulheres. A gente viu o que sofreu a presidenta Dilma – que sofreu um golpe machista, misógino – e o que fizeram para desqualificá-la como ser humano, e não as políticas e medidas econômicas. Eram críticas ligadas ao gênero.

"A gente precisa que as nossas organizações nos deem respaldo para trazer cada vez mais mulheres", reivindicou. Lula lembrou da época que não havia sequer banheiro para as mulheres na Câmara dos Deputados, porque era impensável a atuação política para elas. "Não basta garantir na lei que a mulher tenha direitos. É preciso garantir condições", concordou o ex-presidente.

A assistente social Ana Lúcia contou que participou da sua primeira greve, numa fábrica de lingeries, aos 15 anos de idade. "Era um monte de mulheres andando na Oliveira Lima, em Santo André, reivindicando. O povo caçoava da gente na rua", e ressaltou a desigualdades no ambiente de trabalho. "Os homens eram os chefes. Eram eles que mandavam, e a gente lá, na linha de produção."

Amanda, que atua no Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, lembrou que hoje a situação ainda não é muito diferente. As trabalhadores sofrem constantes assédios e sofrem com a extensão arbitrária da jornada sem o pagamento de horas-extras. Ela relata que, se reclamarem, correm o risco de serem demitidas.

"Se elas procuram o sindicato para alguma orientação e o patrão descobre, são reprimidas ou até demitidas. E não têm facilidade para arranjar outro emprego. Por isso se tornam quase prisioneiras daquilo”, relatou ela.

Lula lembrou que, "infelizmente", a tendência é piorar, na medida em que os direitos trabalhistas foram "destruídos", a partir da "reforma" trabalhista do governo Temer.

A copeira Luciana, que mora na periferia de São Bernardo, contou que levanta às 4h30 da manhã para trabalhar, enfrenta assédio dos homens no transporte público, e o medo da violência, pois tem de caminha por áreas ainda escuras antes do sol nascer.

“É muito apertado no ônibus, e parece que eles (os homens) fazem questão. Mesmo vindo não tão arrumada, já para não acontecer esse tipo de coisa, eles ainda ficam perturbando", contou Luciana, que ainda faz bicos como manicure aos finais de semana. Ela disse que pretende voltar a estudar, pois teve de interromper a faculdade de enfermagem quando nasceu seu primeiro filho. 

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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