QUA, 08 de ago / 2018

Entidades sindicais internacionais discutem democracia e futuro do trabalho

Cerca de 150 sindicalistas de 40 países dos cinco continentes estiveram reunidos nesta terça-feira (7), na sede da CUT nacional, em São Paulo, para debater o futuro do trabalho e os perigos à democracia, provocados por movimentos neoliberais e de direita, que cada vez mais proíbem o direito à greve e à manifestação de trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo.

Na abertura do evento, cujo tema foi “O Futuro do Trabalho: Democracia, Desenvolvimento e o Papel do Trabalho”, o presidente da CUT Vagner Freitas, aproveitou para falar sobre a democracia brasileira, que vem sendo atacada desde o golpe de 2016, dos retrocessos sociais e trabalhistas e da criminalização aos movimentos sociais e sindicais, e como tudo isso compromete o futuro dos trabalhadores e trabalhadoras do país. 

“O objetivo do golpe de 2016 foi o de destruir a CUT, o MST, o PT, os movimentos populares e o Lula como referência de liderança no Brasil e personalidade do mundo. Mas os golpistas não vão nos destruir. Vamos enfrentá-los nas ruas e nas urnas e vamos vencer”, declarou Vagner.

Segundo o presidente da CUT, a presença maciça de lideranças sindicais da América Latina, Estados Unidos, Europa, África e Ásia na Conferência é uma demonstração de força do sindicalismo brasileiro e da unidade entre os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo.

“Enquanto a mídia brasileira se cala e nos censura diante das arbitrariedades, nós só temos a agradecer a vocês aqui presentes que são a nossa voz lá fora para desmascarar os golpistas e dizer que Lula é inocente, que ele está forte e animado. Lula só não será candidato se rasgarem a Constituição”, disse Vagner que foi acompanhado de um coro da plateia que gritou em várias línguas de “Lula Livre”.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, realizar esse projeto no Brasil e na sede da CUT tem um significado importante pelo momento em que o país vive - de perda de direitos.

“Para o movimento sindical mundial há clareza de que Lula é inocente e, é um preso político. Ele foi condenado num processo absurdo e que os objetivos da sua condenação e prisão são a consolidação do golpe de estado no Brasil. E, por isso, estamos lutando por sua liberdade com a abertura de comitês internacionais por ‘Lula Livre’ e outros comitês surgirão”, acredita Lisboa.

A relação que os dirigentes da CUT fizeram entre democracia e os riscos que o futuro do mundo do trabalho correm foram referenderadas por todos os dirigentes de entidades internacionais. Para todos, o golpe que destitutiu a presidenta Dilma Rousseff acendeu o sinal de alerta no mundo para a perda de direitos e fortalecimento da onda neoliberal. 

Segundo Christoph Scherrer, do International Center for Development and Decent Work (ICDD), o golpe de 2016 no Brasil, que depôs uma presidenta eleita democraticamente com 54 milhões de votos, colocou o mundo em alerta, especialmente dos trabalhadores que temem que ocorram em seus países o mesmo o que aconteceu no Brasil: a perda de direitos e ataques ao direito de greve e manifestação.

“O Brasil é um exemplo de como a perda do financiamento sindical eliminou direitos. Há poucos anos o Brasil era visto como exemplo de políticas progressistas e hoje se nota a perda rápida desses direitos. Isto nos coloca em alerta. Não podemos só confiar nos bons políticos, precisamos de uma sociedade forte”, declarou Scherrer, durante a mesa de abertura do evento.

Para Katharina Hofmann, da Fundação Friedrich Ebert (FES), entidade que promove a democracia em todo o mundo, o golpe de 2016 trouxe de volta a extrema miséria, a fome e o desemprego recorde de 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

“Lula e Dilma mostraram ao mundo que é possível reduzir a pobreza. O Brasil vive seu pior momento após a ditadura militar. O país vive sob um governo que não foi eleito, sem legitimidade, e a prisão de Lula, líder em todas as pesquisas eleitorais, reforça a necessidade de defendermos a democracia brasileira”, ressaltou a dirigente da FES.

Já Michelle Williams, representante da Universidade Global do Trabalho (GLU), disse que o mundo do trabalho vive a ‘tormenta perfeita’ e, que é preciso a união da classe trabalhadora.

“Os ricos estão cada vez mais ricos, obscenamente ricos, enquanto mais de 2 bilhões de pessoas em todo mundo, que representam 1/3 da população, estão sem trabalho formal. Além disso, há uma crise de alimentação provocada pelas tempestades ,furacões e o aumento da temperatura no globo”, enfatizou Williams.

Democracia e mudanças climáticas afetam o mundo do trabalho

Sobre as conseqüências das mudanças climáticas no mundo do trabalho, Rafael Peels, da Organização Mundial do Trabalho (OIT), lembrou que já é uma realidade, e que elas farão desaparecer trabalhos como a pesca e o extrativismo, entre outras atividades.

“As mudanças climáticas, o envelhecimento da população, as mudanças das profissões e das relações de trabalho. Todos esses fatores precisam ser estudados com maior profundidade para que os trabalhadores consigam manter um emprego decente”, disse o representante da OIT.

Os ataques à democracia também na América Latina e aos direitos dos trabalhadores e sindicatos com a imposição de pesadas multas às categorias que realizam movimentos grevistas foram lembradas por Anselmo Luis dos Santos, do CESIT/IE/UNICAMP.

“O Brasil e a América Latina vivem uma situação dramática com governos cada vez mais de extrema direita. Por isso, a solidariedade de todos os trabalhadores do mundo, neste momento, é de suma importância”, declarou.

A situação da América Latina também foi criticada por Victor Baez, da CSA, que participou da mesa “Mudanças Estruturais e Futuro do Trabalho”. O dirigente relatou as pesadas multas que o governo argentino sob o comando de Mauricio Macri, vem aplicando aos sindicatos.

“Multaram os caminhoneiros em US$ 26 milhões e os professores de Buenos Ayres em US$ 23 milhões. Isto é suprimir o direito de greve”, afirmou o dirigente da CSA.

A falta de democracia e os avanços de governo de direita também preocupam  Victor Figueroa, da International Transport Workers’ Federation (ITF). Segundo ele, a instabilidade global e os conflitos em países como a Ucrânia, Síria e Venezuela promovidos por governos externos de direita demonstram que há uma crise na ideologia social democrática.

“Há um esforço de Trump (presidente dos Estados Unidos) e seus aliados, que viajam pelo mundo, em promover novas alianças antidemocráticas”.

Já sobre o uso da tecnologia, para o representante da ITF, o mais preocupante é o armazenamento de dados pessoais por empresas particulares.

“A revolução tecnológica trará um impacto negativo por razões diferentes. Não é somente a questão da robotização, mas também como os dados de trabalhadores dentro de uma empresa poderão ser utilizados”.

Pochmann defende redução de jornada e mudanças nas idades de entrada no mercado de trabalho e também na saída

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, disse que pensar o futuro do trabalho é debater coisas como o aumento da idade em que os jovens que ingressam no mercado do trabalho e a diminuição da idade de saída dos trabalhadores mais velhos.

Ele lembrou que, no início da revolução industrial, era comum crianças de cinco anos trabalharem e que as pessoas trabalhavam até morrer, sem assistência, sem aposentadoria.

“Os filhos dos ricos só ingressam no mercado de trabalho após estarem formados em universidades, enquanto os pobres estudam e trabalham. Na verdade, os pobres frequentam a escola porque não dá para estudar após uma jornada de oito horas de trabalho”, sustentou.

Além de defender a redução da jornada de trabalho, Pochmann disse que há um exagero no discurso de que robôs roubarão os empregos dos trabalhadores.

“Isso enfraquece os sindicatos, pois é um discurso de exploração dos patrões que falam que o trabalhador tem de se qualificar, se adaptar. É preciso reduzir a jornada, abrir mais vagas, para que o trabalhador possa viver com dignidade e os jovens não precisem ir tão cedo ao mercado de trabalho”.

Desafio para as mulheres

A representante do Centro Interdisciplinar de Estudos sobre o Desenvolvimento (CIEDUR), do Uruguai, Soledad Salvador,  lembrou dos desafios que as mulheres enfrentam no mundo do trabalho.

“A falta de condições dignas, os salários menores e a redução de vagas para as mulheres que vem sendo notada desde 2005 reforçam os estereótipos de gênero e por tudo isso é preciso lutar por uma sociedade mais democrática”, declarou a dirigente uruguaia.

Ato Lula Livre

Ao final da 13ª Conferência da Universidade Global do Trabalho (Global Labor University - GLU), foi realizado um Ato Internacional em Defesa da Democracia e de Lula, com a participação de mais de 100 convidados internacionais, entre eles sindicalistas, ativistas e acadêmicos de todos os continentes, além dos convidados nacionais. 

Nessa quarta (8) e na quinta (9), outras mesas da Conferência serão realizadas na Unicamp, em Campinas.

(Fonte: Rosely Rocha, especial para Portal CUT)

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