SEG, 04 de jun / 2018

Filme retrata impotência da juventude diante de problemas criados pelo capital

Um judeu de criação antissionista busca de forma incansável e insegura um objetivo que não sabe descrever. As dualidades de um mundo obcecado pelo consumo e com territórios sob disputa estão refletidas no personagem do longa-metragem Los Territórios (Argentina/Brasil, 2017), com estreia prevista para 7 de junho (quinta-feira). O protagonista viaja por diferentes países e sabe muito sobre o que acontece nos lugares em conflito, mas não tem ideia do que fazer a respeito. Mesmo o gênero da película é difícil de definir. Iván Granovsky, que dirige e atua na obra, flutua entre ficção e realidade, ação e impossibilidade, em uma peça construída em cima da metalinguagem. Em São Paulo, em pré-estreia, o filme pode ser visto no Espaço Itaú de Cinema (Rua Augusta, 1470, fone: 11-32886780).

O roteiro do longa se desenvolve inicialmente como uma autobiografia de Iván, como um jovem progressista e sua impotência diante dos entraves da geopolítica. Filho do jornalista argentino Martín Granovsky, conhecido por ser correspondente do Página 12 por muitos anos em vários países, o protagonista divide com o espectador sua angústia de não conseguir desenvolver suas habilidades profissionais. O peso do legado do pai permeia todo o longa, bem como o próprio jornalista que representa ele mesmo na obra que estreia no Brasil no dia 7 de junho.

Enquanto o sobrenome do pai parece pesado ao protagonista, Martín segue como um porto seguro para Iván. Incentivador incondicional do filho, sempre está presente como um guia ideológico e centralizador, para não deixar o jovem de 30 anos se perder em seus objetivos, mesmo que incertos. Realismo e idealismo se encontram nos Granovsky. Da mesma forma como o longa traz a angústia da impossibilidade da realização plena de um documentário sobre jornalistas, ele está lá. Realizado e aos olhos do espectador.

Todo esse conflito é espelhado nos locais por onde Iván passa durante o longa. Ainda com a ideia pouco desenvolvida, o cineasta passa pelo Brasil durante as manifestações que tomaram as ruas em junho de 2013. Com crítica ácida e pontual contra o presidente Michel Temer (MDB), lembra de entrevistas realizadas pelo seu pai no passado. Entrevistas com quem chama de “ídolos” dos Granovsky. Entre eles, o presidente da Bolívia Evo Morales e o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.

O filme então parte aparentemente sem rumo para outros locais de conflito. Iván disse, em entrevista ao Página 12, que a ideia inicial “era uma ficção pura sobre um jornalista esportivo, depois do ataque ao Charlie Hebdo (em 2015, na França), se dava conta de que era interessado por política internacional e começava a usar suas férias para convencer o editor de um jornal de que poderia ser correspondente internacional”. Durante o desenvolvimento, a obra ganhou cada vez mais ares de realidade autobiográfica, o que levou o cineasta a optar por um híbrido entre ficção e documentário.

“Aqui não está um jornalista. Tampouco um diretor. É um ator.” As palavras marcam o documentário e servem para esclarecer o que estava posto, bem como evidenciar a estrutura literária do longa. Como um romance de formação, o protagonista vê sua impotência diante dos anseios e cresce em um ambiente de desilusões amorosas, políticas e vocacionais.

Os territórios
Vivendo do dinheiro da mãe, de forma imatura, Iván se surpreende com o fato de que seu pai nunca esteve em uma zona de guerra. Com a premissa de ver o conflito e fazer algo com isso, o protagonista coleciona fracassos. Após passar por países com problemas internos, como Brasil, Portugal e Espanha, Iván consegue ir para a ilha de Lesbos, na Grécia, para relatar a crise dos refugiados. Lá, não consegue se aproximar nem dos outros jornalistas e nem dos refugiados. Então, escreve um texto puramente opinativo, sem informações, que desagrada a quem ele enviou, exceto o pai, que propõe ajudá-lo.

Relatos de tensões estão esparsos na obra. É o caso de uma tradutora do país basco que demonstra a insatisfação de seu povo de ter, durante anos, a independência negada pelo governo espanhol. Também está ali uma entrevista com Juan Carlos Monedero, líder da esquerda espanhola, um dos fundadores do partido Podemos, que faz uma autocrítica do socialismo que não pode atuar apenas como “mensageiro do apocalipse”, e sim deve apresentar projetos distintos de um capitalismo pautado no consumo que acaba por promover conflitos, ocupações e despejos.

Entretanto, a “realização” que encerra o ciclo de formação do personagem acontece em sua última viagem. Em contato com o massacre do povo palestino promovido pelo estado de Israel, Iván finalmente encontra sua zona de guerra e o dia a dia de uma nação subjugada por uma força colonial dominante. Agora, consciente de sua impotência, Iván descansa desiludido no Mar Morto. Um paralelo trágico a sua visita a Lesbos, quando chama o Mediterrâneo de “uma tumba a céu aberto” e a Europa de “um Éden trincheirado”.

A fera
Antes das sessões de Los Territórios, os cinemas brasileiros exibem o curta-metragem The Beast (África do Sul/França/Brasil, 2016). Igualmente intrigante, a obra de 24 minutos narra um dia em um parque temático sul-africano. No centro da narrativa, um ator de origem Zulu que interpreta um rei da ancestral tribo guerreira. Shaka é um dançarino que sonha em interpretar os grandes clássicos de Shakespeare, mas é frequentemente alertado por sua namorada, também atriz, que o antigo poeta inglês é natural de um império que promoveu massacres. “Chauvinistas”, ela diz.

A cena de maior impacto mostra uma grande atuação do ator Khulani Maseko em uma dança para os turistas aonde, em idioma Zulu, relata ferozmente a necessidade de reação, de vingança dos povos dominados.

(Fonte: Gabriel Valery, Rede Brasil Atual)

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QUA, 24 de out / 2018

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Maicon Vasconcelos*

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