SEX, 02 de mar / 2018

Fórum Alternativo Mundial da Água debaterá as ameaças da privatização

O Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) quer debater e mobilizar a sociedade em torno da defesa da água como um direto e não como mercadoria. O evento, que será realizado entre os próximos dias 17 e 22, é um contraponto ao Fórum Mundial da Água.

Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), explica que a necessidade de criar um evento alternativo se dá pelo fato do fórum tradicional ser apoiado por governos e empresas que defendem a privatização. "Eles vão reunir empresas, bancos e o conjunto de especuladores que querem privatizar, além do serviço de saneamento, também os rios e aquíferos. Esse fórum acontece no Brasil porque é o maior território com água doce do mundo", critica em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

De acordo com ele, entre os temas que serão debatidos no Fama está a contextualização da ofensiva do capital para a privatização do bem natural. Segundo o MAB, com a crise, o capitalismo tenta criar um grande mercado da água mundial.

"Ao estabelecer a propriedade privada sobre a água, ela passar a ser dominada pelas grandes empresas, criando um grande mercado mundial. Isso é uma das alternativas que eles encontram para acumular mais riqueza durante a crise", afirma Cervinski.

A partir deste ponto, ele destaca a importância de mobilizar a população por meio do debate. "Um dos pontos do evento será discutir qual será o projeto dos trabalhadores para a questão da água, sobre seu domínio, acesso, qualidade e tarifas. Ali será um espaço para articulação de luta."

Gilberto explica que o maior consumidor de água no mundo é o agronegócio e cita um exemplo de como este uso se torna prejudicial para o meio ambiente. "Eles consomem muito porque têm uma irrigação em grandes áreas. Hoje, o agronegócio tem cerda de 6 milhões de hectares de produção agrícola irrigada. Recentemente, na cidade de Correntina, na Bahia, uma região de nascente do Rio São Francisco, empresas se apropriaram dos rios e secaram tudo. Agora, a população não tem mais água", lamenta.

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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QUA, 24 de out / 2018

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Maicon Vasconcelos*

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