QUA, 12 de set / 2018

Haddad é o candidato de Lula à Presidência da República

Após o TSE impedir a candidatura do ex-presidente, o PT com o apoio de Lula, oficializa Haddad candidato do partido à presidente. Manuela D’Ávila (PC do B) será a vice da coligação.

Na carta ao povo brasileiro, o ex-presidente Lula decidiu abdicar do seu direito de concorrer às próximas eleições, depois das manobras do Poder Judiciário para impedir a sua candidatura, e indicou Fernando Haddad para substituí-lo como candidato à Presidência da República e, como vice, a deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B).

A decisão foi anunciada pela presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, nesta terça-feira (11) – data limite que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu para a mudança dos nomes dos candidatos da coligação ‘O Povo Feliz de Novo’, formada pelo PT, PC do B e Pros.

Após visita a Lula na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde o ex-presidente é mantido como preso político desde o dia 7 de abril deste ano, Gleisi lembrou as injustiças que vêm sendo cometidas contra o ex-presidente Lula e criticou sua condenação depois da tramitação de um processo sem provas e sem crime.

“Este é um momento de dor, de indignação e revolta. Mas a dor nos trouxe até aqui e ela é nosso fermento de luta”, disse Gleisi ao anunciar que Haddad é o substituto de Lula.

Em um palanque improvisado, Haddad falou sobre a missão que tanto Lula quanto os trabalhadores, as trabalhadoras e toda a sociedade brasileira, em especial os mais pobres, esperam que ele cumpra.

“Nossa missão é olhar no olho do povo brasileiro e relembrar os bons dias que vivemos. Vamos dizer ao povo ‘você está sentindo a dor que estou sentindo’. Não é hora de baixar a cabeça. É hora de sair pra rua e ganhar essa luta pelo Lula, pelo PT, PC do B, pelos movimentos socais e pelo Brasil”.

Ele pediu desculpas por estar emocionado, por estar sentindo a dor de muitos brasileiros que gostariam de votar naquele que deveria subir a rampa do Palácio do Planalto.

“É uma dor sentida pelo povo mais pobre desse país que sabe o que representou os nossos governos do ponto de vista tão cruel, de uma história injusta que penalizou dois terços do povo brasileiro”, disse Haddad.

Antes de Lula, lembrou Haddad, o povo não tinha acesso a condições básicas de vida, a um prato de comida, a uma universidade.

“Nosso querido Lula representa um divisor de águas no país. Lula saiu das entranhas do povo e chegou à Presidência superando todos os obstáculos que a vida lhe impôs e que enfrenta ainda hoje”.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, Haddad e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) é a dupla que melhor representa os anseios da classe trabalhadora brasileira que não aguenta mais sofrer com o desemprego e a retirada de direitos sociais e trabalhistas.

“Vamos apoiar Fernando Haddad e Manuela D’Ávila para o Brasil voltar a crescer e o povo ser feliz de novo”, diz o presidente da CUT.

Ainda em Curitiba, na Vigília Lula Livre, onde também estavam a ex-presidenta Dilma Roussef,  o senador Lindbergh Farias, Manuela D’Ávila, o governador Fernando Pimentel, de Minas Gerais, e Wellington Dias, do Piauí, o deputado Paulo Pimenta e o presidente do PT do PR, Dr Rosinha, entre outros, Haddad fez um breve histórico do processo de redemocratização do país, após a ditadura militar, e disse que não imaginava que seus filhos e netos teriam pela frente a mesma batalha, que ele achava que a democracia no Brasil estava consolidada; e falou também sobre os avanços sociais nos governos do PT que foram destruídos depois do golpe de 2016.

“Depois do governo Lula eu imaginava que o Brasil estava definitivamente fora do mapa da fome, que nunca mais veríamos um irmão, uma irmã vivendo o flagelo da fome. Bastaram dois anos para que o Brasil voltasse ao mapa da fome, e aumentasse a mortalidade infantil e materna”, disse Haddad.

O candidato do PT à presidência se perguntou por que tanta injustiça com um homem como Lula que não fez outra coisa a não ser estender a mão para quem mais precisava da ação decisiva do Estado.

“Primeiro celebramos o Bolsa Família que tirou 36 milhões da miséria nos primeiros anos de governo Lula. 40 milhões de brasileiros passaram a pertencer a uma sociedade de consumo de massa, criamos 20 milhões de empregos em 12 anos de governo”, lembrou Haddad.

Segundo ele, o pecado de Lula para a elite foi ter aberto as portas da universidade para os filhos dos trabalhadores, reservar cotas nas universidades  para negros e índios, matar a fome de milhões e levar água ao sertão nordestino, além de garantir juros baixos e olhar olho no olho os principais chefes de Estado como Barack Obama, ex-presidente dos EUA e Vladimir Putin, presidente da Rússia.

“O Brasil nunca teve tanto prestígio internacional, nosso passaporte era respeitado no exterior e a elite se incomodou de sentar ao lado de um negro no avião. Eles se incomodaram porque uma pessoa sem diploma fez o que eles não fizeram em 500 anos de história”.

Haddad ainda criticou a atitude da elite após a reeleição da ex-presidenta Dilma Rousseff. Para ele, a elite só desestabilizou o país, provocando desordem e a desarmonia e ‘chacoalharam a roseira’ da democracia para ver se ela caia, além de tratarem Lula e o PT de uma forma desrespeitosa.

“Mas nós temos um líder que inspira a todos. A gente levanta. E hoje é um dia de luta, da nossa gente que batalha por um Brasil diferente. Não vamos aceitar um Brasil desigual. Sabemos o que podemos ser, não vamos deixar de realizar o sonho. Podem vir com a violência que quiserem.”

Ao final do discurso, Haddad reafirmou: “não vamos desistir desse país porque conhecemos o Brasil que deu certo, não vamos abrir mão de realizar o sonho do trabalhador e da trabalhadora, do jovem, do indígena. Temos a tarefa monumental pela frente, de devolver o Brasil para os brasileiros”.

“Contamos com cada um de vocês em outubro. Vamos celebrar a democracia no Brasil. Viva a democracia. Lula Livre”.

Depois da fala de Haddad, o presidente da CUT, Vagner Freitas, ratificou a decisão da Central de apoiar o indicado por Lula porque, segundo ele, Haddad e Manuela vão fazer pelo Brasil o que Lula faria.

"Confiamos no ex-presidente e nos nomes que ele indicou”, declarou Vagner, lembrando que a direção da CUT já havia decidido que apoiaria Lula ou qualquer um que ele indicasse, caso fosse confirmado que a Justiça rasgaria a Constituição Federal e não respeitaria a decisão do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), como foi reafirmado em nota oficial divulgada nesta terça.

“É importante deixar expresso que a CUT repudia a perseguição jurídica ao ex-presidente Lula e a decisão do Judiciário que o impediu de se candidatar nas eleições deste ano, rasgando a Constituição, ignorando a liminar da ONU e contrariando a vontade da maioria do povo brasileiro, que não teve respeitado o direito de votar no melhor presidente que este país já teve”, concluiu Vagner.

Fernando Haddad

Fernando Haddad nasceu em São Paulo, em 25 de janeiro de 1963. Em 1985, se tornou bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e se especializou em Direito Civil. Mestre em Economia e doutor em Filosofia também pela USP, Haddad foi professor de Teoria Política Contemporânea da universidade e professor do Insper. Ele tem cinco livros publicados.

Ex- ministro da Educação, nos governos Lula (2005-2012) e ex-prefeito de São Paulo (2013-2016), Fernando Haddad entrou para a política ainda na  faculdade, quando se filiou ao PT, em 1983, e virou tesoureiro do Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade dos estudantes do Largo São Francisco,em São Paulo.

Haddad é casado há mais de 25 anos com a Ana Estela Haddad, formada em odontologia em 1988, mestrado em 1997, doutorado em 2001 e livre-docência em 2011, todos pela USP. O casal tem dois filhos: Carolina e Frederico.

(Fonte: Rosely Rocha, especial para Portal CUT)

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