QUI, 07 de dez / 2017

Hamas convoca nova 'intifada' após anúncio de Trump sobre Jerusalém

O movimento islamita Hamas convocou nesta quinta-feira (7) uma nova revolta palestina depois que o presidente americano Donald Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

"Só podemos enfrentar a política sionista apoiada pelos Estados Unidos com uma nova intifada", declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em um discurso pronunciado na Faixa de Gaza.

O reconhecimento Jerusalém como capital de Israel é mais uma promessa de campanha feita por Donald Trump a um dos segmentos mais conservadores de sua base de apoio, os evangélicos brancos, 80% dos quais optaram por sua candidatura na disputa de novembro de 2016. Esse grupo representa um terço dos eleitores republicanos e vê em Israel a realização de profecias bíblicas.

O mais poderoso grupo de lobby nesse terreno é o Cristãos Unidos por Israel, fundado em 2006 pelo pastor John Hagee. "Eu posso assegurar a você que 60 milhões de evangélicos estão olhando para essa promessa de perto, porque se o presidente Trump mudar a embaixada para Jerusalém, ele vai dar um passo histórico para a imortalidade", disse Hagee na terça-feira, 5, em entrevista à rede de TV Fox News.

Na quarta, líderes palestinos disseram que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos representa uma declaração de guerra contra muçulmanos, que levará a conflitos intermináveis e destruirá as chances de criação de dois Estados para solucionar o conflito palestino-israelense.

Mudando a política mantida por Washington durante décadas, o presidente Donald Trump anunciou a transferência da embaixada dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém. Segundo ele, isso não significará o abandono da busca de um acordo de paz na região.

Mas, em contraste com posições de governos anteriores, ele não apresentou a criação de dois Estados como o resultado necessário desse processo. “Os EUA apoiarão a solução de dois Estados se ela for acordada por ambos os lados”, declarou Trump em discurso na Casa Branca.

O anúncio foi condenado de maneira unânime por países do Oriente Médio. A única exceção foi Israel, onde o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu celebrou o “dia histórico” para seu país.

A comunidade internacional criticou a decisão de Trump. O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que seu país não está de acordo com a decisão. O papa Francisco pediu que o “status quo” da cidade seja respeitado, dizendo que tensões adicionais no Oriente Médio iriam inflamar ainda mais conflitos globais. 

(Fonte: O Estado de S. Paulo)

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