QUI, 14 de set / 2017

Importação de bens de capital consegue ‘respiro’ em agosto

Em agosto, a importação de bens de capital subiu 6,6% contra igual mês de 2016, na primeira alta após 42 meses seguidos de queda, levando em consideração a comparação mensal contra igual período do ano anterior. No acumulado no ano até agosto, a importação caiu 23,4%.

Analistas dizem que é preciso esperar para saber se a alta do indicador, que reflete nível de investimento, se sustentará. Pondera-se que a base de comparação é evidentemente baixa, mas importadores de máquinas já percebem pequena retomada e contam com início de recuperação de vendas com base em bens de capital voltados para elevar produtividade.

Em linha com os dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), a Abimei, que reúne importadores de máquinas, percebe uma recuperação no ânimo das empresas, mais clara nos dados ainda parciais de agosto levantados pela entidade, diz Paulo Castelo, presidente da associação. Ele pondera que houve queda muito grande no nível de importação de bens de capital nos últimos dois anos, mas ressalta que as empresas voltaram a cotar projetos no início do segundo semestre.

Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), destaca que a redução dos desembarques de bens de capital iniciou-se em fevereiro de 2014, com queda de 20,9%, e seguiu de forma ininterrupta até julho. Em janeiro de 2014 o crescimento foi de 12,8%, sempre na comparação interanual. Naquele mês a importação de bens de capital somou US$ 2,99 bilhões. Em agosto deste ano, o desembarque chegou a US$ 1,47 bilhão, bem abaixo dos US$ 2,26 bilhões importados em agosto de 2014. De qualquer forma, diz Cagnin, a alta em agosto, mesmo que se revele pontual, quebra um padrão. "É um respiro, a primeira vez com a cabeça fora da água depois de muito tempo”.

O relato das empresas também mostra recuperação após o mergulho dado pelas importações de bens de capital. João Carlos Visetti, diretor-executivo da Trumpf, conta que nos 12 meses encerrados em junho contra os 12 meses imediatamente anteriores o faturamento da empresa no Brasil cresceu 50%. A alta foi ocasionada, avalia, principalmente por busca de produtividade e não ainda expansão de capacidade. Os pedidos foram puxados principalmente pelos setores de agronegócios e de transportes, incluindo automobilístico.

O executivo ressalta que a alta de faturamento é importante, mas vem sobre uma base baixa de comparação. O desempenho dos 12 meses encerrados em junho - Visetti usa essa comparação por conta do ano fiscal da matriz alemã - equivale a 55% do faturamento da empresa de julho de 2013 a junho de 2014. Tendo o mesmo período como referência, diz ele, no ano fiscal de 2015 a 2016, a importação de máquinas chegou a 33%, o que foi o "fundo do poço".

O desempenho dos últimos meses, com a chegada aos 55%, levantou as expectativas. A projeção do executivo para o ano fiscal que vai até junho do ano que vem é que as vendas alcancem os 70%, ainda como referência o ano fiscal entre 2013 e 2014. Para o segundo semestre de 2017 o executivo estima crescimento de 30% em relação a mesmos meses do ano passado.

Segundo Visetti, as empresas têm tirado projetos do papel e começam a tomar a decisão de comprar. Desde o fim de junho e mais em julho, conta, há um otimismo maior das indústrias. "A compra de máquinas não é para aumento de capacidade produção, mas para a melhoria da produtividade, para automatização e modernização do parque industrial. Para aumento de eficiência e redução de custo", avalia o executivo.

Com percepção parecida, Icaru Sakuyoshi, diretor-presidente da empresa Yaskawa Motoman, também diz que os clientes buscam produtividade. A retomada na compra de máquinas, diz ele, vem principalmente do setor automotivo. Também contribuem para a recuperação segmentos como de alimentos e farmacêutico. "Acredito que alguns planos estão sendo retomados para iniciar investimentos ainda em 2017."

A empresa, diz ele, desenvolve linhas de automatização com robôs importados da sede japonesa. As indústrias, avalia, tentam elevar a produtividade ao mesmo tempo em que querem se adaptar à indústria 4.0 e à internet das coisas aplicada à produção.

Sakuyoshi é conservador em relação ao desempenho de vendas da Motoman em 2017. Para ele, o faturamento deverá empatar com o do ano passado, "com chances de ser um pouco maior". Em 2016 a empresa conseguiu avançar 30% nas receitas depois de uma queda de 25% em 2015. "Viemos de três anos de recessão, com as empresas investindo minimamente e com o setor produtivo com média de 50% de capacidade ociosa. O investimento só acontece quando se acredita numa melhora nos volumes de venda”.

Na Trumpf, o investimento calcado na busca de maior produtividade pelos clientes resultou na mudança de mix dos produtos que a empresa mais vende no Brasil. Antes, diz Visetti, o carro-chefe eram as máquinas de corte a laser. "Mas hoje as empresas já têm essas máquinas em volume suficiente, porque há capacidade ociosa." Por isso, o que tem ganho fatia maior nas vendas da empresa, conta ele, são as dobradeiras. "E o lado positivo disso é que a busca por esse produto indica a automatização da etapa seguinte, que é a solda."

Atualmente, a venda de máquinas de corte não chega a 10% do melhor período de vendas para esse tipo de equipamento, diz o executivo. Ao mesmo tempo a comercialização das dobradeiras estão equiparadas à do melhor momento da empresa.

As indústrias, conta Visetti, foram obrigadas a demitir muitos trabalhadores. "E é uma mão de obra extremamente qualificada, que não acha de volta e leva tempo para treinar." Por isso, em vez de contratar, as empresas estão preferindo tornar os processos mais automáticos e mais precisos.

Os setores que têm puxado as vendas são o de agronegócio e o do setor de transportes como um todo, esse último por conta de busca de materiais e processos inovadores que também tragam maior segurança e reduzam preço. Já no agronegócio, diz ele, há uma grande demanda reprimida porque a capacidade de estocagem é ainda baixa e boa parte dos equipamentos é antiga.

A concentração da demanda de importação de bens de capital em poucos segmentos é outra ponderação importante, diz Cagnin, do IEDI. Ele destaca que essa reação, ainda que possa ser pontual, não é disseminada e  deu-se mais setor de transportes. Segundo o Mdic, entre os segmentos em que as importações de bens de capital mais cresceram estão automotivo, de aviões, lâmpadas de LED, turbinas e rodas hidráulicas, radares, chassis com motor e tratores.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a alta em agosto é somente um dado mensal e é preciso esperar para tirar qualquer conclusão. É possível, diz, que a mudança e o atraso na concessão de ex-tarifário tenha represado embarques e acumulado parte deles em agosto, referindo-se ao regime no qual o MDIC reduz temporariamente a alíquota do imposto de importação de bens capital sem produção nacional. "Mas essa é apenas uma hipótese."

Na indústria doméstica de bens de capital, porém, os dados não são animadores. A receita líquida interna com máquinas e equipamentos caiu 4,9% em julho contra igual período de 2016. No acumulado do ano, a queda é de 0,9%, segundo dados da Abimaq, que reúne os fabricantes de máquinas e equipamentos. O valor exportado aumentou 20,2% em agosto contra mesmo mês de 2016, com alta de 4,7% no acumulado. O consumo aparente - produção doméstica menos exportações e mais importações - continua em forte queda. Em agosto caiu 19,7% e, no ano, 25,4%.

(Fonte: Valor Econômico)
 

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