SEG, 26 de nov / 2018

Indicados para BB e CEF podem acelerar privatizações e afetar investimentos

Os nomes dos indicados para assumir o Banco do Brasil (BB), Rubem de Freitas Novaes, e a Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, reforçam a ideia de que a equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deve vender, se não todas, a maioria das empresas públicas brasileiras, inclusive, as lucrativas, sem se preocupar com as consequências que isso acarretará ao desenvolvimento do país.

Tanto Novaes como Guimarães são especialistas em privatização, ligados ao mercado financeiro. Sobre o indicado para a presidência da CEF existe, ainda, a questão ética de conflito de interesses. Como sócio e diretor do Banco Brasil Plural, principal credor no processo de recuperação judicial da empresa Ecovix, na qual Caixa e Banco do Brasil também são credores, ele não poderia ocupar qualquer cargo de gestão na Caixa ou no Banco do Brasil.

Além disso, Pedro Guimarães é suspeito de envolvimento na supervalorização artificial registrada pelo FIP Florestal, fundo do qual a empresa Brasil Plural é gestora. A operação causou prejuízos à Funcef e à Petros e está sendo investigada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal no âmbito da Operação Greenfield, como denunciou em nota a Associação Nacional dos Auditores Internos da Caixa Econômica Federal (Audicaixa).

“Se Guimarães de fato se tornar o presidente da Caixa é fácil prever que os processos de privatizações serão acelerados no banco. Seu perfil se enquadra justamente nessa linha, e não se faz menção a nenhuma experiência dele em gestão pública. Isso derruba de vez a ilusão que alguns colegas ainda tinham de que a Caixa não estaria na lista das empresas a privatizar”, diz a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano.

Para Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), as indicações para as presidências do BB e da CEF no governo Bolsonaro vão aprofundar o desmonte iniciado pelo ilegítimo Michel Temer, prejudicar a população com desemprego, aumento de juros e serviços precários.

“Além disso”, diz a dirigente, “com menos funcionários as filas aumentarão”.

Segundo Juvandia, “atualmente os trabalhadores e trabalhadoras já estão sobrecarregados após tantas demissões com os Planos de Demissões Voluntárias  (PDV), que reduziram o quadro funcional dessas instituições.

“E com a privatização, muitas agências em cidades pequenas poderão ser fechadas, o que é totalmente contrário à política de um banco público - o de estar onde não há interesse de instituições financeiras privadas que só pensam no lucro”, afirma.

Rita Serrano complementa que acelerar o processo de desmonte dos bancos públicos fará o futuro governo de Bolsonaro ficar sem recursos para investimentos sociais. Segundo ela, um dos exemplos de como a venda de ativos dos bancos públicos pode diminuir os investimentos sociais é o leilão da Loteria Instantânea, a Lotex, que a Caixa administra, marcado para o dia 29 deste mês.

O edital é voltado para empresas estrangeiras e, nele, já consta que apenas 16% do que a loteria arrecada irão para investimentos sociais e não mais os 40% atuais.  Ou seja, dos R$ 5,6 bilhões que retornaram para a sociedade no ano passado, apenas R$ 2,4 bi poderão retornar em 2019 e com um agravante: não há segurança de que este valor será aplicado como vem sendo feito hoje.

“O edital que Temer soltou no mercado favorece as multinacionais estrangeiras que mandam os lucros para fora do país. Perderemos divisas”, avalia a dirigente.

Rita diz ainda que os bancos públicos impulsionam a economia com investimentos, principalmente em habitação, como é o caso do programa Minha Casa, Minha Vida, além de financiamento rural, inclusive para a agricultura familiar e projetos de infraestrutura.

“Hoje já não há mais dinheiro para o Minha Casa, Minha Vida 1, que é o programa para pessoas que têm renda familiar até R$ 1.800,00. Os bancos também já aumentaram suas taxas e cobram juros como qualquer outro banco privado e  diminuíram as linhas de crédito. Tudo isso somado ao projeto de Temer e Bolsonaro de vender os ativos como a área de cartões de crédito e seguros da CEF, que são  rentáveis, farão os bancos perderem investimentos, fechar agências, demitir pessoal e perder sua importância”, lamenta Rita Serrano.

R$ 500 bilhões do FGTS podem ir para bancos privados

Outra preocupação dos representantes dos bancários é com as operações com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que hoje têm R$ 500 bilhões de reserva e é um dos maiores Fundos do mundo.

“O FGTS tem dois propósitos: é o seguro do trabalhador e financia a infraestrutura em habitação. Ao privatizar a Caixa, esse patrimônio pode ficar nas mãos dos bancos privados que vão gerir o dinheiro como quiserem. Não há garantias de que esses bilhões serão aplicados em habitação e que o trabalhador e a trabalhadora terão seus rendimentos garantidos”, avalia Rita Serrano.

Os bancos públicos em números

A análise dos balanços dos bancos demonstra que ao longo de 2018, a Caixa e o Banco do Brasil tiveram saldo de emprego negativo em 3,2 mil empregados. Assim, o número aproximado de bancários em instituições públicas ou mistas, no terceiro trimestre de 2018 deve estar próximo de 306,4 mil trabalhadores.

Desde dezembro de 2016, foram cortados 10% dos postos de trabalho nos bancos públicos. Isso  significa um corte de 23 mil trabalhadores.

O número de agências bancárias de instituições públicas também registrou queda no período compreendido entre dezembro de 2016 e setembro de 2018. Segundo os dados do Banco Central, foram fechadas 773 agências de bancos públicos no período, o que representa queda de 8%. Atualmente os bancos públicos possuem 9.483 agências em todo o Brasil.

(Fonte: Contraf/CUT - Subseção Dieese)

 

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