QUI, 31 de jan / 2019

Indígenas fazem mobilização nacional contra ameaças do governo Bolsonaro

Com o lema "Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais", povos originários realizam nesta quinta-feira (31) uma série de manifestações para denunciar as crescentes ameaças que vêm sofrendo em seus territórios. Organizações indigenistas afirmam que os ataques têm se intensificado por conta do discurso e das ações do presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

As ações marcam o encerramento do #JaneiroVermelho, e ocorrerão em pelo menos 22 estados e no Distrito Federal, onde também será realizada uma coletiva de imprensa, às 15h, em frente ao Ministério da Agricultura. No exterior, também estão sendo organizados atos em pelo menos seis países, entre eles a Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Portugal e Irlanda.

Pela manhã, indígenas da etnia Tupinambá fecharam a rodovia BR-101, em Ilhéus, na Bahia, exigindo demarcação de terras. Em Londres, ativistas também realizaram uma manifestação em frente à embaixada brasileira exigindo o fim do genocídio indígena no Brasil.

No Maranhão, indígenas das etnias Awa, Ka'apor, Guajajara, Tremembé, Gamela marcharam até a sede estadual do Incra, no município de Santa Inês, para pressionar pela reativação de demarcações de terras no estado. Em Fortaleza, indígenas marcharam até a sede do Ministério Público, também em defesa das demarcações. No Mato Grosso, o povo Kisedje, também realizou manifestação na aldeia Khikatxi da Terra Indígena Wawi, no leste do Rio Xingu.

Uma das primeiras medidas do novo governo foi retirar da Funai as atribuições relativas aos processos de identificação e demarcação de terras indígenas, agora sob incumbência do Ministério da Agricultura.

"Tal medida é carta branca aos ruralistas para ditar as regras sobre demarcação das TIs (terras indígenas), já que a titular da pasta, (a ministra da Agricultura) Tereza Cristina, representa os interesses do agronegócio", diz, em nota, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A Medida Provisória (MP) 870/19 que deu ao Ministério da Agricultura atribuições sobre demarcações de terras indígenas também deslocou a Funai do âmbito do Ministério da Justiça, passando para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, sob comando da ministra Damares Alves.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o governo Bolsonaro é a representação máxima de uma "barbárie" continuada de 519 anos, que busca expulsar os indígenas de suas terras por meio de uma política de extermínio, agora chancelada pelo Estado brasileiro. "Diante disso gritamos em alto e bom som: – O sangue indígena é o sangue do Brasil e nenhuma gota a mais será derramada!"

A Apib denuncia que, só em janeiro deste ano, ao menos oito territórios demarcados foram atacados. Do norte ao sul do país, esses ataques vão desde o roubo de roubo de madeira, derrubada da floresta nativa para ampliação de áreas de pastagens, ocupação ilegal, escolas e postos de saúde depredados, a ataques com armas de fogo. Desde 2017, segundo o Cimi, o Brasil registrou 96 casos de invasão, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos às TIs.

Atualmente, são cerca de 1 milhão de indígenas que compõem a população brasileira, vivendo em áreas que ocupam 12,5% do território nacional. As organizações indigenistas também destacam a importância das TIs na preservação do meio ambiente.

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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