QUI, 01 de ago / 2019

Indígenas Wajãpi cobram a presença do Exército e mais investigações sobre invasores

Os indígenas da etnia Wajãpi, que tiveram um líder assassinado na semana passada, reivindicam a imediata presença do Exército no local para ajudar nas investigações sobre os invasores que teriam matado Emyra Wajãpi e garantir a segurança da população. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (31) em um vídeo do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que participou de assembleia na aldeia em Pedra Branca do Amapari, no Amapá.

De acordo com o parlamentar, os indígenas ainda estão muito assustados, mas determinados a encontrar os responsáveis pelo crime, no entanto, se queixam que ao contrário de outras forças de segurança que em menos de 24 horas foram ao local apurar as denúncias sobre as invasões, o Exército ainda não esteve na aldeia. “Os wajãpis pedem que as investigações ocorram, tenham continuidade e sejam rigorosas”, destaca Rodrigues.

Os indígenas ainda se dispuseram a autorizar a exumação do corpo do cacique, mesmo sendo a prática algo fora de sua cultura. Segundo o senador, até agora a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo brasileiro não autorizaram o deslocamento de um helicóptero até o local onde está sepultado Emyra. Ainda segundo Rodrigues, nesta semana os indígenas irão a Macapá prestar depoimento ao Ministério Público Federal (MPF). “O que eles exigem das autoridades é que a investigação tenha prosseguimento e que seu direito à terra seja preservado e protegido”, afirma o senador.

Em nota divulgada às vésperas da visita de Rodrigues, a Funai disse que a Polícia Federal não encontrou invasores ou vestígios da presença de não-índios, mas que a Fundação permanecerá no local para acompanhar as circunstâncias do óbito. O MPF disse ainda que um helicóptero será enviado à região para que o corpo do cacique seja exumado na sexta-feira (2). À imprensa nesta quarta, o Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) disse que um jovem índio disse ter visto um homem armado na região demarcada, e outros moradores notaram rastros de invasores. Desde então, a população está organizada para vigiar todo o trecho da BR dentro da terra indígena.

(Fonte: Rede Brasil Atual) 

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