QUI, 07 de dez / 2017

'Acusar é mais fácil do que investigar e elaborar provas'

Por Janio de Freitas

Os 24 pedidos de arquivamento de inquéritos, feitos ao Supremo pela Procuradoria-Geral da República, incluem 14 decorrentes de ineficiência investigativa ou lentidão excessiva no transcurso. O diagnóstico é da procuradora-geral, Raquel Dodge, e localiza as deficiências no tempo de seu antecessor. Além de não dar a resposta devida sobre a conduta dos políticos processados, o pacote de arquivamentos adverte para esperáveis problemas no julgamento de casos mais graves, com incompreensões e reações da opinião pública. Rodrigo Janot, de fato, não se mostrou intransigente com os procuradores, na necessidade de investigações como
prioridade ante declarações.

Disso o coordenador da Lava Jato curitibana, Deltan Dallagnol, deu mais um testemunho, em documento há pouco assinado com os também procuradores Jerusa Viecili e Paulo Galvão. Sob a aparência de informações ao Tribunal de Contas da União, trata-se de uma louvação ao recurso a delações premiadas para conhecer crimes e nomes. Não precisaria dizer mais, embora diga, em detrimento de investigações, perícias técnicas e científicas. Esse desequilíbrio como regra não recebeu de Janot nem sequer discordância, e muito menos correções.

Encabeçada por Dallagnol , a quem o "Financial Times" se refere como "o procurador de 37 anos educado em Harvard", a louvação às delações indica que, sem elas, estariam em questão crimes de total menor que R$ 100 milhões. Para os quais, no entanto, a estimativa da Lava Jato vai a R$ 30 bi e a da Polícia Federal, a R$ 40 bi. Nenhuma dessas afirmações tem fundo.

A expressão da Lava Jato inflou quando foram invadidos os escritórios das grandes empreiteiras e tomados documentos em abundância, incluindo planilhas financeiras, agendas e registros de contatos da ação criminosa. Nada disso precisava ou veio de delação. Mas aí estava a chave do tesouro. A partir de então, o já comprovado da movimentação de milhões deve-se às investigações de contas e investimentos, também no exterior, e não a delações.

Presos ou soltos, pagadores e recebedores indicados na documentação não teriam como ludibriar por muito tempo, sob o avanço de investigações. A corrupção traz em si mesma o seu dedo-duro.

Crime sempre com muitos rastros, sua queda só depende do interesse em investigá-la. Não há quem possa afirmar que investigações plenas teriam alcançado até mais do que a Lava Jato atribui às delações.

Os valores são apresentados pelos procuradores como "estimativas". Hipotéticos, valem pouco ou nada. Estimativa por estimativa, vou muito ainda alto, com dois bons motivos: a corrupção vem de muito mais longe do que os limites que a Lava Jato se deu e, pior, até mesmo nesse estreito e cômodo calendário, é certo que a corrupção não se conteve no que foi delatado. Nem houve investigações sequer preliminares para rastrear.

Mas não se ignora que acusar, ainda mais se protegido pela impunidade funcional, é mais fácil do que investigar e elaborar provas.

FINESSE
Michel Temer, Moreira Franco, Henrique Meirelles e Eunício Oliveira combinaram e praticaram uma grossa cafajestada. Ainda que se ignorem os critérios da "Istoé", ou deles se discorde, Sergio Moro é uma das pessoas mais destacadas do ano no Brasil. Os quatro não precisavam aplaudi-lo, cada qual com seu risco na Lava Jato. Mas recusar-se a levantar com os da mesa e a plateia, quando Moro anunciado, foi ignorar que não estavam ali como pessoas, e sim como representantes do Executivo e do Legislativo. Como pessoas, não. 

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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