SEX, 10 de Aug / 2018

Lava Jato e crise acabaram com 600 mil empregos na construção civil

Levantamento do Dieese mostra que o setor da construção civil perdeu 600 mil postos de trabalho entre 2014 e 2017, em função da crise econômica, da redução dos investimentos públicos pelo governo Temer e também pelo tipo de combate à corrupção realizado pela Operação Lava Jato – que, em vez de punir os administradores envolvidos em desvio, pune também grandes construtoras, que empregam milhares de trabalhadores.

Só no ano passado, o setor fechou 17 mil vagas apenas na região metropolitana de São Paulo, segundo dados do boletim Trabalho e Construção divulgado nesta quinta-feira (9). O diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, afirma que além do fechamento de vagas, o setor registra ainda o aumento da informalidade, com aumento do número de operários que trabalham por conta própria ou são assalariados, mas sem registro em carteira.

Em decorrência da queda do nível do emprego e do avanço da informalidade, os salários no setor da construção civil caíram de R$ 13,20 por hora, em 2014, para R$ 10,61 no ano passado. Também em 2017, pelo menos 47% dos trabalhadores que atuaram por conta própria, que deverão contribuir diretamente com a Previdência, para terem resguardados os direitos de aposentadoria e licença em caso de acidente, por exemplo.

Sobre o método de atuação da Lava Jato, Clemente diz que é como se o médico acabasse matando o paciente para pôr fim a determinada doença. "É mais um resultado dos efeitos que a grave crise econômica trouxe para o mercado de trabalho brasileiro, nesse caso para a construção civil. Um setor que, além da crise, sofre as consequências de uma estratégia de combate à corrupção que, em vez de punir os responsáveis, pune as empresas e os seus trabalhadores, juntamente com a capacidade produtiva do país", disse o diretor-técnico do Dieese à Rádio Brasil Atual.

A saída para a crescimento do empregos no setor, segundo ele, passa pela retomada dos investimentos públicos em infraestrutura econômica e social, com obras para a construção de portos, aeroportos, redes de distribuição de energia e também em coleta e tratamento de esgoto. Investimentos a cargo do governo federal e dos estados, mas também pequenas obras que podem ser encomendadas pelas prefeituras.

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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