QUA, 29 de nov / 2017

Mercedes critica abertura comercial abrupta

As empresas e suas entidades representativas não hesitam em apoiar o ajuste fiscal, mas fazem suas defesas quando os subsídios ao setor são colocados em discussão.

O impasse ficou claro em debate ocorrido no Insper na terça (28). Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz no Brasil, avisou que as montadoras fechariam as portas diante de abertura comercial feita de modo abrupto.

João Manoel Pinho de Mello, assessor de reformas microeconômicas da Fazenda, rebateu com críticas duras ao setor. Mello reconheceu que a transição para um novo programa de incentivo ao setor automotivo não pode ser feita com "açodamento". Mas pontuou que a transição requer menos protecionismo e não inclui políticas "consideradas ruins".

"Gostaríamos de transitar de maneira suave [para expor o setor à competição], ninguém é louco", disse Mello. "Mas, perdão, a gente vai ter que trocar o pneu com carro andando porque a pressão que se coloca também faz o carro andar", afirmou.

Schiemer e Mello, ao lado de outros especialistas, debatiam relatório do Banco Mundial sobre políticas para a indústria automotiva.

O documento sugere eliminação gradual do tratamento tributário diferenciado dado a veículos produzidos no Brasil –pilar do Inovar-Auto (atual programa de incentivos às montadoras) – e foco nas exportações.

Schiemer defendeu a indústria ao dizer que não seria possível alterar as regras do jogo enquanto ele se desenrola. O Brasil, disse, precisa entrar no "mundo liberal", mas isso precisaria ser feito com estabilidade.

Mello alertou: há um 'trade-off' entre estabilidade e "más políticas" e será preciso, afirmou ele, encontrar um meio-termo para isso.

A Mercedes-Benz do Brasil foi uma das primeiras a receber benefícios estipulados na década de 1950. Desde então fabrica caminhões na região do ABC (Grande São Paulo).

Nos anos 1990, nova rodada de estímulos à produção local fez a empresa se instalar em Juiz de Fora (MG) para produzir um dos maiores fracassos da indústria automotiva, o compacto Classe A.

Hoje, a Mercedes ainda paga pelos prejuízos da fábrica mineira (que produz caminhões) e trabalha para tornar rentável a fábrica de Iracemápolis (interior de São Paulo).

Essa última unidade fabril veio na onda de incentivos do Inovar-Auto – e baseada em um mercado que apontava 4 milhões de veículos emplacados por ano.

Com menos proteção à produção local, a Mercedes teria de arcar com os custos altos de fabricar no país e ainda concorrer com importados isentos de tarifas extras.

No país de origem da empresa, a história é outra. A Alemanha está entre os três maiores exportadores do mundo e entre as economias mais complexas do planeta. 

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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