QUA, 20 de fev / 2019

Metalúrgicos na Ford param contra fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo

Planta que responde pela fabricação de caminhões e do Fiesta emprega 4 mil trabalhadores, que devem ser demitidos. Impacto na cadeia do setor pode 'custar' outros 10 mil empregos.

Em assembleia realizada nesta terça-feira (19), os metalúrgicos e metalúrgicas na Ford decidiram entrar em greve imediatamente contra o anúncio inesperado de fechamento da fábrica que produz caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em novembro deste ano. Uma nova assembleia para encaminhar os próximos passos da luta ocorrerá na próxima terça-feira (26).

"Nós lutamos, fizemos de tudo para que isso não ocorresse. E não dá para ter uma notícia dessa e achar que dá para continuar trabalhando. Precisamos ir todos para a casa e retornar na semana que vem. Até lá é greve", disse José Quixabeira de Anchieta, coordenador-geral do Comitê Sindical na Ford.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, a notícia foi recebida com indignação e revolta. "Em janeiro fizemos uma assembleia na portaria da fábrica, decretamos o estado de luta e pedimos que uma reunião acontecesse para que a Ford deixasse claro qual era a sua real intenção em relação a planta de São Bernardo do Campo".

"E hoje nos deparamos com o anúncio de que ela encerrará as suas atividades ainda este ano. Anúncio este que não considera cada trabalhador e trabalhadora direto ou indireto, aqueles que serão atingidos diretamente por uma empresa que quer visar o lucro somente", critica Wagnão. "Nós não desistimos de que essa planta se mantenha aqui na região. Nós não aceitamos esse anúncio. E vamos fazer a luta necessária para reverter essa decisão", completou.

É o que reforça o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), Paulo Cayres, que também é trabalhador da Ford. "Fomos surpreendidos com essa forma irresponsável que a Ford utilizou para anunciar o fechamento da fábrica. Faremos o que sabemos fazer de melhor: lutar contra retrocessos. Lutaremos até o final pelos nossos empregos e direitos. E foi assim que fizemos em 1998, quando a Ford teve uma atitude irresponsável semelhante, lutaremos para reverter esse quadro e garantir os empregos dos metalúrgicos e metalúrgicas".

O anúncio

Em nota, a montadora alega que a crise econômica inviabiliza a continuidade da produção na cidade. Com a decisão, cerca de 4 mil trabalhadores diretos e cerca de mil terceirizados serão demitidos. A decisão foi tomada na sede dos Estados Unidos e comunicada nesta terça-feira (19) à unidade de São Bernardo. Sindicalistas estão reunidos para definir alternativas na tentativa de evitar o fechamento da fábrica.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os modelos de carros mais novos estão sendo produzidos na unidade de Camaçari, na Bahia. Assim, a fábrica de São Bernardo ficou com parte de sua capacidade ociosa. O que poderia ser resolvido com a produção de um novo modelo na planta, o que estava em processo de negociação.

Segundo acordo coletivo de 2017, haveria período de negociação para a retomada dos investimentos pela Ford São Bernardo. Mas, desde então, não houve nada efetivo por parte da direção.

De lá para cá, cerca de mil trabalhadores saíram por meio de Programa de Demissão Voluntária (PDV). Desde janeiro deste ano, os metalúrgicos começaram a realizar assembleias internas para cobrar da direção da montadora a retomada de investimentos na unidade de São Bernardo do Campo.

(Fonte: CUT)

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