QUA, 05 de set / 2018

Na 'porta da fábrica', Haddad encontra metalúrgicos no ABC Paulista

O representante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral, Fernando Haddad, esteve reunido nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (5) com trabalhadores metalúrgicos do ABC Paulista, berço do movimento que lançou Lula com liderança política nacional. Acompanhado de Manuela D'Ávila (PCdoB) e dos também petistas Luiz Marinho, que concorre ao governo de São Paulo, e de Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto, que disputam as duas cadeiras paulistas no Senado, Haddad esteve nas portas das fábricas da Mercedez-Bens e da Ford, cumprimentou os metalúrgicos do turno da manhã, e prometeu a retomada do emprego. "Não é qualquer tipo de emprego. Nós queremos gerar empregos de qualidade, com formação profissional, com salário mais elevado."

Saudado aos gritos de "Lula Livre" pelos trabalhadores, Haddad defendeu sindicatos representativos e uma nova política industrial como bases do desenvolvimento do setor. "A gente não pensa só numa sociedade de serviços ou numa sociedade agrícola. Precisamos ter todo o ciclo produtivo dentro do Brasil, pelo tamanho que esse país tem. Temos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 200 milhões de habitantes. Por que teríamos que importar coisas que podem ser produzidas aqui? Temos condições de produzir tudo".

Haddad destacou que Lula sempre apoiou a indústria nacional e procurou abrir mercados no exterior para a exportação de produtos brasileiros. Ele comparou os governos de Lula e Dilma com a atual agenda de "desmonte" promovida pelo  presidente golpista Michel Temer (MDB). "É desmonte da legislação que protege os trabalhadores, da nossa CLT. É desmonte da nossa Constituição que garante os direitos sociais, saúde e educação. É muito importante que estejamos conscientes do que está em jogo nessa eleição. Não é pouca coisa. É a soberania popular e nacional que estão em jogo."

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Wagner Santana, o Wagnão, reforçou que o golpe que colocou Temer no poder não foi apenas contra a ex-presidente Dilma Rousseff ou contra o PT, mas "contra toda a classe trabalhadora". Ele afirmou que a legalização da terceirização irrestrita e a dita "reforma" trabalhista completam o golpe contra os direitos dos trabalhadores.

"Numa empresa como a Mercedez-Bens, por exemplo, é poder terceirizar o camarada que trabalha na linha de produção, não só aquelas atividades como o almoxarifado, o pessoal da alimentação, mas o que a gente chama aqui do 'apertador de parafuso'. Esse camarada vai poder ser terceirizado. Ele vai ser contratado por uma empresa a 50 quilômetros daqui, ganhando um terço do salário, em condições extremamente precárias, sem acesso a direitos."

Haddad afirmou que a tendência é que a terceirização e a dita reforma trabalhista levem ao aumento da desigualdade no Brasil. "O país mais desigual do mundo vai aumentar ainda mais a desigualdade."

Em sua fala, Manuela relacionou o emprego industrial com a educação. "A indústria precisa de mão de obra qualificada, precisa de pesquisa, de tecnologia. Defender a indústria, defender esse emprego de qualidade, vinculado às universidades e escolas técnicas, é defender emprego para todo mundo, para a juventude e para as mulheres". Ela afirmou que, mesmo antes da terceirização e da destruição da legislação trabalhista, metade das mulheres com filhos de até um ano não conseguiam empregos.

Haddad defendeu Marinho como "o único que pode representar os trabalhadores" e afirmou que, em São Paulo, depois de 24 anos de governo do PSDB, o estado vem perdendo a liderança em diversos setores, como a educação. "Tem estado do Nordeste que tem metade dos recursos e passou São Paulo em qualidade. Tem alguma coisa errada acontecendo com a gestão da educação em São Paulo. Não é só na educação, é na saúde, no transporte, na segurança pública", criticou.

Já o candidato ao governo afirmou que São Paulo tem que voltar a ser o estado que impulsiona o Brasil. "São Paulo vem perdendo participação no PIB, vem perdendo investimento industrial. Precisamos retomar o processo de crescimento da nossa economia. O presidente Lula reconstruiu a indústria naval brasileira, com um papel determinante da Petrobras. São Paulo não aproveitou essa oportunidade. Não investiu, não liderou o setor privado para também aproveitar o bom momento do Brasil", afirmou Marinho. Ele disse ainda que pretende criar um banco de desenvolvimento para São Paulo "para ser o nosso BNDES paulista", contribuindo para o financiamento da indústria e demais setores da economia. 

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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