SEG, 19 de nov / 2012

No ramo metalúrgico, negros são minoria e ganham menos

Gráfico 1
Fonte: RAIS/MTE - Elaboração: Dieese CNM/CUT - FEM-CUT/SP

Numa das categorias mais organizadas, a dos metalúrgicos, a realidade dos trabalhadores negros não é muito diferente do que ocorre no mercado de trabalho brasileiro. Estudo feito pela subseção do Dieese da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e da Federação Estadual dos Metalúrgicos de São Paulo (FEM-CUT/SP), aponta que os trabalhadores negros recebem 37% menos que os trabalhadores não negros empregados nesse ramo da indústria. Já a remuneração das mulheres metalúrgicas é ainda menor: 41% inferior à do trabalhador não negro.

No entanto, o levantamento da Subseção do Dieese – feito com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE) de 2011 – mostra uma realidade bem diferente no que se refere à mão de obra empregada. De acordo com esses dados, o ramo metalúrgico emprega 2.340.250 trabalhadores. Desse total, o número de metalúrgicos negros soma apenas  26,7%.

Tomando por comparação o estudo feito pela Fundação Seade e o Dieese na região metropolitana de São Paulo – a mais industrializada do país –, constata-se que a proporção de trabalhadores negros nas empresas metalúrgicas é bem inferior. De acordo com o levantamento (que foi baseado na Pesquisa de Emprego e Desemprego), do total da População Economicamente Ativa (PEA) da Grande São Paulo o setor industrial emprega 17,2% negros e 18,4% não negros. Ou seja, a proporção de raças é quase a mesma.

Para a secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, essa diferença entre os dados gerais da indústria e os do ramo metalúrgico tem uma explicação: a qualificação da mão de obra.

“Infelizmente, o círculo vicioso gerado pelo preconceito ainda persiste no mercado de trabalho: paga-se menos para o trabalhador negro e, assim, ele não tem como se qualificar profissionalmente. Com isso, mesmo sendo maioria na população, aos trabalhadores negros continuam restando as ocupações que exigem menor qualificação”, avalia Christiane, citando como exemplo que os negros são maioria na construção civil e no trabalho doméstico: “Na PEA da Grande São Paulo, a construção civil emprega 8,4% de negros e 4,9% de não negros. Entre os trabalhadores domésticos, os não negros são 5,4% e os negros, 10,1%”.


Remuneração no ramo metalúrgico
O estudo da Subseção do Dieese da CNM/CUT e FEM-CUT/SP revela que a remuneração média do metalúrgico negro é de R$ R$ 1.938,00 contra R$ 2.661,67 da recebida pelo trabalhador não negro (gráfico 2). Já a metalúrgica negra recebe salário médio de R$ R$ 1.421,00. Entre as não negras, a remuneração média é de R$ 2.007,48 (gráfico 3).

“Aqui, de novo constatamos o abismo e como a discriminação é ainda mais gritante em relação à mulher negra.  Ou seja, apesar de todas as políticas afirmativas em relação a gênero e raça, infelizmente o preconceito continua sendo um instrumento de geração de lucro para o capitalismo. A lógica de que o trabalahdor negro vale menos persiste, 124 anos depois da abolição da escravatura”, ressalta Christiane.   
 

Gráfico 2
 

Gráfico 3
Fonte: RAIS/MTE - Elaboração: Dieese CNM/CUT - FEM-CUT/SP

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