TER, 21 de mai / 2019

O impacto dos governos conservadores e progressistas sobre os trabalhadores

Em seminário, dirigentes debatem realidades sindicais no México, Argentina, Canadá, Alemanha e Brasil.

Crédito: Adonis Guerra
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As propostas e alternativas de reestruturação do movimento sindical em meio a um contexto de desmonte das leis trabalhistas, da proteção social e do movimento sindical enquanto instrumento de luta foi o tema dos debates na parte da tarde desta terça-feira, 21, do Seminário Internacional, realizado pela Confederação nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). 

Para o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel Vasconcelos da Silva, 'a troca de experiências é fundamental para conhecer algumas iniciativas concretas de mudança da estrutura sindical para atender melhor aos trabalhadores'.

O secretário das Relações Internacionais dos Sindicatos Independentes dos Trabalhadores no México, Sérgio Javier, explicou as razões da criação dos sindicatos democráticos para enfrentar os chamados sindicatos ‘charros’ (pelegos) ou corporativos.

“Muitas vezes, a empresa ainda nem estava estabelecida e já existia sindicato. Os trabalhadores nem sabiam que estavam sindicalizados a estes sindicatos corporativos, além de acontecer compra de votos para se elegerem”, denunciou o dirigente.

Segundo Javier, a mudança para um governo progressista de André Manuel López Obrador é uma nova perspectiva para os trabalhadores e para os sindicalistas.

“Com a reforma trabalhista, recentemente aprovada, podemos pressionar o governo para escutar a voz dos trabalhadores, mas temos que fiscalizar a implantação e vigiar para que se aplique corretamente”, completou.

O representante da Associação de Trabalhadores do Estado da Argentina, Diego Seimandi, destacou o impacto negativo do governo conservador de Mauricio Macri, com decisões que tem afetado diretamente o emprego, com fechamento de postos de trabalho.

“Com a mudança no governo, o setor naval foi muito afetado por conta da decisão de comprar embarcações militares de Israel, o que daria quatro anos de trabalho aos argentinos”, contou.

“Além disso, paralisou o trabalho que estávamos tendo e poderíamos chegar. Fomos perseguidos por nos manifestarmos e temos muitos companheiros presos pelo governo”, denunciou Seimandi.

Ele afirmou que a Central Obrera na Argentina ainda busca formas de organizar os trabalhadores que estão na informalidade.

“São companheiros que se mudar o governo, tem um trabalho social e direito ao trabalho e têm que fazer parte da organização de trabalho sindical”, defendeu.

Não só a participar em negociações, mas a relevância da política  na vida sindical também foi destacada pelo presidente do Unifor (Sindicato Geral dos Trabalhadores no Setor Privado do Canadá), Jerry Dias.

Ele enfatizou a solidariedade como o compromisso primordial das relações internacionais sindicais.

“O Nafta, acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, nunca permitia o debate com os trabalhadores e sim com o capital”, criticou.

“Conseguimos participar para negociar no Nafta e incluir o fim dos acordos de proteção aos sindicatos 'amarelo' pró-empresa no México e ainda proibir que trabalhadores sindicalizados não paguem pela negociação”,  contou o dirigente.

O secretário de Relações Internacionais do IGMetal, seção de Wolfsburg, na Alemanha, Flávio Benites, relatou as mudanças no perfil dos trabalhadores na Volkswagen, que em 1991 tinham 63 mil trabalhadores na planta da cidade, sendo 3/4 oriundos da produção e os demais de áreas administrativas e outras e que atualmente a fábrica tem os mesmo 63 mil metalúrgicos, mas apenas 1/4 estão na linha de produção.

“Essa mudança no perfil aconteceu por conta da automação, tecnificação, mais serviços que apoiam, como marketing, desenvolvimento, entre outros. No entanto, temos os mesmo 95% de sindicalizados que tínhamos no começo da década de 90”, comparou.  

“Esse trabalhadores nunca sujaram a mão de graxa, mas se sentem representados pelo sindicato. O que não  reflete em outras empresas, por que não  demos as mesmas respostas para problemas semelhantes”, disse.

O dirigente do IGMetal também afirmou que as transformações na indústria colocarão trabalhadores com nível superior ou médio, dentro de pouco tempo como lumpens.

“As empresas, do ponto de vista do capitalismo, aceitam fazer formação ou qualificação profissional para os jovens e programas de aposentadoria para os trabalhadores com mais de 50 anos”, explicou.

"Dos 35 anos aos 50 anos não querem qualificar, o capital não quer, por que custa muito. Será um exército que na visão do capital não servirão mais para nada. É para essa realidade que temos que encontrar respostas”, completou.

A coordenadora do Macrossetor da Indústria da CUT e presidente da Confederação dos Trabalhadores no Ramo do Vestuário, CNTV, Cida Trajano fez um relato da construção do MSI, com a participação das Confederações dos Metalúrgicos, Químicos, do Vestuário, da Construção Civil e Madeira, Alimentação e do Sinergia.

“O MSI tem nos dado o entendimento de que não é mais possível nos organizar em ramos somente. Com o avanço tecnológico vai transformar a forma do trabalho e temos que pensar mais no todo, desenvolver ações para que o trabalhador entenda que a forma do trabalho irá mudar”, afirmou a dirigente.

Cida Trajano, explicou também o Plano Indústria 10+, um conjunto de diretrizes para fortalecer a indústria nacional e garantir empregos de qualidade e melhor remunerados.

“O Plano é resultado de várias discussões promovidas com o Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento, o TID-Brasil, criado para fomentar as ações do MSI para além da estrutura sindical”, completou

(Fonte: Rossana Lana, especial para CNM/CUT)

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