SEG, 27 de nov / 2017

O rebaixamento da renda do trabalho e a democracia de aparências

Marcio Pochmann

O retorno das políticas neoliberais impõe a transição das tradicionais classes médias assalariadas e de trabalhadores industriais para o novo e extensivo precariado e o avanço da classe média proprietária dos pequenos negócios. Em síntese, o rebaixamento da condição salarial.

O vazio proporcionado pela desindustrialização vem sendo ocupado pela chamada sociedade de serviço, o que constitui, nesse sentido, uma nova perspectiva de mudança estrutural do trabalho como até então se conhecia no Brasil. Mudança essa que torna cada vez mais intenso o padrão de exploração do trabalho frente ao esvaziamento da regulação social e trabalhista e às promessas de modernidade pelo receituário neoliberal que não se realizam.

Com a dependência crescente da produção e exportação de produtos primários, em meio ao esvaziamento da indústria, o setor de serviços assume dominância pelo rentismo financeiro que reordenamento a configuração do trabalho. Ou seja, a redução crescente do custo do trabalho como elemento da competição capitalista.

Gráfico: Evolução do custo do trabalho horário em dólar

 
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Fonte: BLS/EUA

A queda no custo do trabalho industrial no Brasil tem sido tão intensa que o tornou - desde o ano de 2016 – inferior ao do chinês. Sinal de que a o conservadorismo da pauta patronal encontra-se em vigor, colocando sem segundo plano a opção pela modernidade dos investimentos no progresso técnico e da redistribuição dos ganhos de produtividade para todos.

Entre os anos de 2002 e 2014, o custo do trabalho industrial na China era inferior a 1/3 do brasileiro. Atualmente encontra-se acima de 16% do Brasil. No caso da comparação com o custo do trabalho industrial nos Estados Unidos, o do Brasil era cerca de 1/3, passando para 1/5.

Com isso, percebe-se a volta da velha e conhecida condição nacional assentada no baixo rendimento do trabalho, com desigualdade ampliada. A normalidade histórica, nesse sentido, está sendo restabelecida pelo governo Temer, demarcada pela democracia de aparência, da economia dependente do exterior e da exclusão dos pobres do orçamento público.

* Marcio Pochmann é professor de Economia na Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo

(Artigo publicado originalmente na Rede Brasil Atual)

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