SEX, 06 de set / 2019

ONGs denunciam enfraquecimento da proteção da Amazônia com governo Bolsonaro

Nesta quinta-feira (5), em que se celebra do Dia da Amazônia, Organizações Não-Governamentais (ONGs) denunciam que o governo de Jair Bolsonaro, mesmo após todo escândalo internacional sobre o aumento de focos de incêndio e queimadas no bioma, não apresentou nenhuma medida concreta de combate ao desmatamento. “O máximo que fez foi enviar o Exército para estancar uma sangria, e tem data, o Exército em algum momento sai de lá”, afirma o coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil, Márcio Astrini.

Em entrevista à repórter Larissa Bohrer, da Rádio Brasil Atual, o coordenador destaca que, ao contrário, o governo Bolsonaro parece enfraquecer institucionalmente a proteção dessa que é a floresta com fauna e flora mais rica do planeta.

“Não é exatamente que o governo não faz nada, ele incentiva essa situação, por exemplo desautoriza operações do Ibama, persegue fiscais do ICMBio, coloca culpa em ONGs, em indígenas, diz que vai abrir terras indígenas para mineração e agropecuária, há todo momento o governo tá fazendo declarações ou tomando atitudes que vão criando um quadro contra a floresta. O crime ambiental, que está instalado, já entendeu o recado e está agindo, infelizmente a ação deles resulta nisso que a gente está vendo, muito fogo e destruição da Amazônia”, adverte Astrini.

Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) sobre a taxa de desmatamento da Amazônia, mostram um corte de 1.209 quilômetros quadrados em julho, o mais alto índice de desmatamento em um mês desde 2015, também 102% maior do que o observado no mesmo período do ano passado.

Especialista em biodiversidade do Instituto Socioambiental (ISA) Nurit Bensusan observa que não é apenas a biodiversidade, as espécies, os povos indígenas e comunidades locais que perdem com o enfraquecimento da Amazônia. “Esse são os impactos mais imediatos”, ressalta. “Mas tem mudanças climáticas locais que podem afetar a qualidade de vida das pessoas, a disponibilidade e qualidade de água, temos várias capitais que passaram por graves crises hídricas, São Paulo e Brasília são exemplos. E essa situação pode se agravar muito a curto prazo com a destruição da Amazônia, mas você também tem todo um prejuízo para a agricultura e o agronegócio brasileiro que dependem muito do regime de chuvas”, analisa Nurit.

Mas, apesar desses efeitos da crise ambiental e suas proporções, o coordenador de políticas públicas do Greenpeace destaca que a mobilização da sociedade civil em torno da defesa do bioma deve ser celebrada neste Dia da Amazônia. “A vigilância sobre a Amazônia ela tem de ser constante, isso é um patrimônio nosso, dos brasileiros, cabe a nós cuidar dessa floresta, é por isso que é tão importante as pessoas se mobilizarem e estarem atentas ao que está acontecendo”, destaca Astrini.

(Fonte: Rede Brasil Atual)

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