QUA, 19 de abr / 2017

Petrobras decide importar equipamentos e desemprego no Brasil deve crescer

Crédito: PAULO PINTO/FOTOS PÚBLICAS
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A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou nesta terça-feira (18) uma audiência pública para discutir o chamado pedido de waiver (solicitação para dispensar o cumprimento do conteúdo local previsto por contrato) feito pela Petrobras. A estatal brasileira fez uma solicitação para contratar integralmente no exterior a primeira plataforma para a área de Libra no pré-sal, na Bacia de Santos.

Os fabricantes brasileiros de equipamentos do setor petrolífero questionam o argumento utilizado pela Petrobras de sobrepreço de 40% nos valores nas duas licitações realizadas no ano passado. De acordo com representantes da indústria, o pedido da direção da Petrobras para contratar 100% dos equipamentos no exterior "assusta".

O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí foi representando por sua diretoria: Edson Rocha (presidente), Luiz Cláudio Bitencourt (vice-presidente), Flávio Vitorino (tesoureiro) e Fábio Veloso (diretor).

Edson Rocha, que também é secretário de Administração e Finanças da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) fez um discurso duro contra os diretores da Petrobras. “Eles não estavam preocupados com o povo brasileiro. A direção atual da Petrobras está na contramão da história. O mundo inteiro, inclusive o Estados Unidos, estão aplicando o conteúdo nacional mínimo para manter os trabalhadores nos empregos. O que vão fazer os trabalhadores que investiram na sua formação e qualificação? Vão fazer o quê com os diplomas? A direção da Petrobras poderia ser um pouco mais nacionalista e não entregar o país e os empregos dos brasileiros para os estrangeiros”, disse.

"Fazer um projeto desse tamanho sem usar os recursos que a gente tem parece uma coisa inconcebível. Nós temos 13 milhões de desempregados, os estados da União estão quebrados, então como pode um projeto dessa importância não contribuir para nenhum destes dois aspectos", afirma Cesar Prata, vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em entrevista à TVT.

Segundo o diretor da Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) Auzélio Alves, o governo Temer, junto à gestão de Pedro Parente na Petrobras, está destruindo todas as conquistas do setor no Brasil.

"Nós, trabalhadores da Federação Única dos Petroleiros (FUP), sempre lutamos para que essa conquista viesse para os trabalhadores brasileiros, se nós tivemos o poder de descobrir essa grande jazida (de petróleo no pré-sal), por que não nós brasileiros construirmos os nossos equipamentos? Lutamos por isso e conquistamos um espaço de 40 a 80% do conteúdo local sendo fabricado aqui, agora vem esse governo destruindo tudo aquilo que nós conquistamos", critica.

Cesar Prata alerta para o risco de um crescimento dramático nos números do desemprego nos próximos 12 meses, caso o governo mantenha a política de desmonte da Petrobras e de sua rede de fornecedores. "Só nesse setor de construção naval já tem 80 mil empregos que não vão acontecer nesse período. Tem estaleiros sendo desativados, recentemente construídos para atender essa demanda, mas estão sem serviço, por causa do descompasso, não só econômico, como (a política) de rever as obrigações de conteúdo local. Agora, nós do setor fornecedor como um todo, estamos prevendo que produziremos um efeito de mais um milhão de desempregados no próximos 12 meses", afirma o empresário.

Para Auzélio, o efeito dominó de desemprego "é assustador". "Antes de 2003, a indústria naval tinha apenas em torno de 2 mil trabalhadores. Com o governo progressista, de Lula e Dilma, chegamos a mais de 80 mil trabalhadores. Mas isso já reduziu pela metade e é um efeito dominó, todos os outros seguimentos que dependem dessa cadeia do petróleo vão ter um impacto negativo."

Suape e Citepe
Auzélio também chama a atenção para a venda da Petroquímica Suape e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), ambas subsidiárias da Petrobras em Pernambuco, para a mexicana Alpek. Segundo ele, os US$ 385 milhões obtidos com a entrega do patrimônio nacional foi muito pouco em relação à dependência que o Brasil criará com o México.

"Com essa petroquímica teríamos mais independência das importações, agora ficaremos na mão das empresas mexicanas, porque ela vai dominar o mercado e vai produzir aqui se ela quiser. Se não, ela fabrica no México e mantém esse sistema preso a ela", diz.

"A gente vem de uma luta de 15 anos para conseguir essa independência, tanto que buscamos a construção dos polos petroquímicos no Nordeste, para os nossos trabalhadores fazerem toda essa produção. Nós buscamos o conteúdo local. E agora está indo tudo por água abaixo", lamenta o diretor da Sindipetro.

(Fonte: Rede Brasil Atual, com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói)

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