QUI, 07 de dez / 2017

PIB per capita estaciona, mas bem-estar melhora

O crescimento de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, frente aos três meses anteriores, foi suficiente apenas para acompanhar o ritmo de crescimento da população no período. O PIB per capita - uma das medidas de padrão de vidas dos brasileiros - ficou estável de julho a setembro, após dois trimestres seguidos de expansão do indicador. Economistas avaliam, contudo, que a melhora em dados de emprego, renda e inflação sugere que a sensação de bem-estar das famílias segue em recuperação.

Estimativa da consultoria LCA mostra que o PIB per capita (indicador que divide o PIB pelo número de habitantes) encolheu 9,1% durante a recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 até o quarto trimestre de 2016, de acordo com o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Desde então, o indicador avançou 1,1% no primeiro trimestre e 0,5% no segundo, sempre frente aos três meses anteriores, com ajuste sazonal. No terceiro trimestre, ficou estável em R$ 31.150, valor anualizado.

Segundo Rodrigo Nishida, economista da LCA e responsável pelos cálculos, o indicador ficou estável porque o IBGE revisou para cima o desempenho da economia nos últimos trimestres. Pelas projeções da consultoria, o PIB per capita pode ter um ligeiro recuo no quatro trimestre deste ano e voltar a crescer gradualmente a partir de 2018. "Nas nossas projeções essa baixa do PIB per capita ao longo da recessão deve ser totalmente recuperada apenas em meados de 2021", acrescentou o economista.

Apesar da estabilidade do segundo para o terceiro trimestre no PIB per capita, José Francisco Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, diz que o maior número de trabalhadores empregados no país seria um forte indício de melhora de bem-estar da população. Segundo dados do IBGE, 1,6 milhão de pessoas conseguiram emprego no trimestre encerrado em outubro deste ano, frente ao mesmo período do ano passado. A renda real desses trabalhadores cresceu 2,5% no período, para R$ 2.127.

"Quando melhora o emprego, melhora o consumo e também a sensação de bem-estar. Isso pode ser visto pelo índice de confiança do consumidor da FGV, que tem melhorado nos últimos meses", disse o economista-chefe do banco Fator.

O próprio crescimento do PIB no terceiro trimestre, puxado em grande medida pelo consumo das famílias, sinaliza o fim do ciclo de empobrecimento médio da população, diz Cristiano Oliveira, economista do Banco Fibra. Ele lembra que nos últimos dois anos (2015 e 2016), a inflação subia no país, corroendo a renda, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego crescia. "A queda da inflação contribuiu bastante para a melhora de bem-estar da população, especialmente com a baixa de alimentos", avalia Oliveira.

A LCA projeta o crescimento do PIB de 1% em 2017 e de 2,5% no ano que vem. O estudo da consultoria concluiu que a retomada do PIB per capita tem ocorrido de forma semelhante ao de outros ciclos recessivos.

Nas recessões de 1981-83 e 1989-92, a aceleração do crescimento veio de choques como o Plano Cruzado (lançado em fevereiro de 1986) e o Plano Real (em julho de 1994), respectivamente. Para a consultoria, as eleições presidenciais do ano que vem podem desempenhar esse papel na retomada do crescimento.

"O avanço da economia em 2019 pode acelerar para algo como 3% a 4% se o resultado das eleições presidenciais for favorável a um candidato que apoie a sustentabilidade fiscal e seja favorável às reformas. Mas se algo contrário ocorrer, provocaria a interrupção da recuperação do PIB per capita e colocaria a economia numa segunda perda da recessão, num formato de W. O cenário intermediário prevê crescimento de 2,5% do PIB", disse Nishida, da LCA.

Um ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI), atualizado em outubro, coloca o PIB per capita brasileiro como 84º maior de 224 países e regiões. O FMI calcula o indicador em US$ 10.019, acima da média da América do Sul (US$ 9.304), porém abaixo da Costa Rica (US$ 11.856) e Rússia (US$ 19.248).

Especialistas lembram que os indicadores de PIB per capita não levam em consideração a desigualdade da distribuição da renda, um fatores desfavorável ao Brasil, considerado um dos países mais desiguais do mundo.

(Fonte: Valor Econômico)

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