TER, 03 de out / 2017

Povo toma ruas do centro do Rio em defesa das estatais e da soberania nacional

Na data que marca o 64º aniversário da Petrobras, manifestação na capital carioca reúne milhares contra venda do patrimônio brasileiro.

Crédito: Francisco Pomer
Vagner Freitas no ato em defesa da soberania nacional
Vagner Freitas no ato em defesa da soberania nacional

Sobrou chuva, mas não faltou luta. Na capital carioca, desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (3), trabalhadores do setor público receberam movimentos sociais de todo o país para um dia de lutas em defesa das empresas brasileiras e contra a política de entrega das riquezas nacionais pelas mãos do ilegítimo Michel Temer (PMDB).

As agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal amanheceram fechadas no centro e as ruas foram recebendo batuques, bandeiras e cidadãos e cidadãs como a atriz Bete Mendes que ressaltou a importância de resistir ao golpe liderado por Temer.

“Como brasileira, tenho orgulho de estar aqui, mas mais orgulho terei quando puder novamente votar em alguém comprometido com a população trabalhadora. Não quero mais esse golpista que está vendendo a Petrobras”, apontou.

No dia em que a Petrobras completa 64 anos, o presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, ressaltou o impacto que o sucateamento das estatais provoca na economia.

“Esse golpe foi dado para tirar a soberania nacional, para o agradar aos financiadores do golpes, as empresas multinacionais, para que o Brasil volte a ser só exportador de matéria prima e importador de produto pronto. Não podemos aceitar isso, que acabem com conteúdo local; os estaleiros, por exemplo, estão parados. Não importam se é de esquerda ou direita, se você é brasileiro e se quer que pré-sal financie educação, tem que ir para a porta da Petrobras”, disse.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, alertou sobre o tiro no pé que representa a política de Temer.

“Em 2008, durante a grande crise do capital, foi a presença do Estado que fez o povo sentir pouco os efeitos, foi o crédito oferecido pelos bancos públicos, a atuação Petrobras, da Eletrobras. Hoje, ao invés de investir, o Estado está tirando, vendendo o patrimônio e este ato é muito importante para consertar os rumos do país”, definiu.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresa de Energia do Rio de Janeiro (Sintergia), Jorge Luiz Silva, as medidas golpistas vão ao encontro do que querem os rentistas financiadores do atual presidente.

“Não basta 'Fora Temer', tem que ser fora todo o Congresso Nacional, porque o compromisso que eles têm é com os banqueiros e todo o setor financeiro”, criticou.

Crédito: Divulgação
Dirigentes da CNM/CUT participam da manifestação
Dirigentes da CNM/CUT participam da manifestação

Dirigentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) participaram da atividade. Durante a passeata, o presidente da entidade, Paulo Cayres, lembrou que a defesa das estatais é fundamental para a luta pelos empregos e o desenvolvimento econômico-social do país. "A Petrobras foi a grande estimuladora da retomada do setor naval, gerando mais de 90 mil empregos durante os governos Lula e Dilma, porque foi estabelecida a política de conteúdo local. Com o golpe, os primeiros atingidos foram os trabalhadores e o setor naval foi praticamente dizimado", assinalou.

Ditadura agora
A secretária de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT, Janeslei Albuquerque, explicou o que significa exatamente a privatização: “Isso é roubar do povo brasileiro e entregar para Estados Unidos, China, Canadá e Noruega. Esse governo é inimigo do Brasil e do povo brasileiro.”

Também presente no ato, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, explicou como os estados podem se mobilizar.

“Esse movimento é contra as políticas de Temer, mas também de seus asseclas, como Alckmin e Dória, que trata a cidade de São Paulo como se fosse uma empresa e resolveu privatizar serviços públicos essenciais para a população. Por isso fazemos parte do movimento ‘São Paulo não está à venda’, para impedir que o Estado deixe de atender as pessoas”, falou.

A campanha pretende colher assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que se contrapõe à venda de patrimônios públicos. Se aprovada, a medida fará com que aconteça um plebiscito (consulta popular) antes de qualquer privatização.

O presidente da CUT-RJ, Marcelo Rodrigues, relata que a privatização significa também o fim das políticas sociais de inclusão social. 

“Uma Caixa transformada em ‘S/A’ não vai se preocupar com Minha Casa Minha Vida, financiamento habitacional. A Caixa tinha a missão de atender a população em todo o país e isso gerou muito lucro, provando que dá para ganhar e atender a população ao mesmo tempo. E no momento em que pedimos mais funcionários e mais recursos para atender e investir no país, Temer vem com uma proposta de privatização”, criticou.

(Fonte: Luiz Carvalho e André Accarini - CUT Nacional)

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