QUI, 29 de mar / 2018

Segurança Pública do Paraná é acusada de negligência durante caravana de Lula

No momento em que os dois ônibus da caravana do ex-presidente Lula foram atingidos por três disparos de arma de fogo nesta terça (27), durante deslocamento entre a cidade de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná, não havia nenhum carro da Polícia Militar fazendo a segurança da comitiva. Segundo assessoria do ex-presidente, o estado foi o único de todos os percorridos pela comitiva a não fornecer uma escolta policial para a comitiva dos ônibus.

Dois dias após o atentado, a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp) ainda não divulgou informações sobre o avanço das investigações ou indicou suspeitos. O resultado da perícia, que poderá apontar pistas sobre a autoria da tentativa de homicídio, só deverá ser concluída, segundo a Secretaria, "daqui a alguns dias".

A atuação da Sesp durante a passagem da comitiva do ex-presidente Lula pelo Paraná foi criticada por Gleisi Hoffman, senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT). Em coletiva logo após o atentado desta terça (27), a senadora afirmou que "a violência contra a caravana vêm crescendo, nós já tínhamos denunciado isso. Mandamos um ofício com o roteiro da caravana, pedindo apoio da segurança. Falamos com o comando da PM. O fato é que não temos proteção. O nível de violência e ódio chegou a um ponto que precisamos da manifestação das autoridades desse país. Vamos deixar a política virar um bang bang? Temos um evento em Curitiba [encerramento da Caravana] e tenho que saber o nível de segurança das pessoas que vão nesse evento. Ou não somos mais um país democrático?".

Operação Castra

Não é a primeira vez que a atuação da PM é contestada por organizações de esquerda no Paraná. Em novembro de 2016, a Operação Castra, deflagrada pela polícia civil do estado com o objetivo de investigar supostos crimes na área rural, foi acusada por organizações e advogados populares como uma tentativa de criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

"Ao que tudo indica, a ação da polícia [na operação Castra] teve como pano de fundo o ataque ao movimento social, à organização política lícita de trabalhadoras e trabalhadores que lutam em conjunto pela reforma agrária", afirmou Fernando Prioste, advogado da organização de direitos humanos Terra de Direitos.

Para os integrantes do MST, a Operação Castra atendeu aos interesses da madeireira Araupel, que tem perdido batalhas jurídicas e políticas contra o movimento na questão fundiária em Quedas do Iguaçu (PR). Prioste avalia que "saber o que animou a deflagração da operação Castra mostra-se, agora, ainda mais relevante, uma vez que o delegado Adriano Chohfi ocupa o cargo de diretor do Departamento de Inteligência do Estado".

Adriano Chohfi era o delegado da policia civil em Cascavel responsável pela Operação Castra. Atualmente, ele comanda o Departamento de Inteligência do Estado, órgão ligado à Sesp.

Chohfi já apareceu em fotografias ao lado de executivos da Araupel e de políticos do PSDB como o deputado estadual Paulo Litro e Valdir Rossoni, secretário da Casa Civil no governo Beto Richa. No domingo (25), dois dias antes do atentado contra a caravana de Lula, Rossoni fez uma transmissão ao vivo pelo Facebook desafiando os militantes petistas e criticando o ex-presidente. No vídeo, o tucano disse que a caravana era uma "afronta".

Já na segunda (26), Rossoni foi condenado por ato de improbidade administrativa por ter colocado dois servidores comissionados do legislativo para trabalhar na campanha eleitoral de seu filho, Rodrigo Rossoni. O secretário terá de pagar multa civil correspondente a 20 vezes o subsídio mensal percebido à época dos fatos.

(Fonte: Juca Guimarães, Brasil de Fato)

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