SEG, 03 de dez / 2018

Sindicalistas de todo o mundo debatem estratégias de luta da classe trabalhadora

‘Mudar as Regras’ (Change The Rules) é o tema do 4° Congresso da Confederação Sindical Internacional (CSI), que teve início neste domingo (2), em Copenhagen, capital da Dinamarca. Até a próxima sexta-feira (7), mais de 1.200 sindicalistas de 132 países vão discutir as estratégias de luta para garantir a defesa dos direitos da classe trabalhadora de todo o planeta.

A CSI representa 207 milhões de trabalhadores e trabalhadoras de 331 sindicatos nacionais, em 163 países. O Congresso também elegerá a nova direção da entidade para os próximos quatro anos.

“A CSI é um importante instrumento de luta da classe trabalhadora mundial. Por isso, desejo ao futuro presidente e à direção da confederação muita energia para seguir fortalecendo a entidade e a luta em defesa da justiça social no mundo todo”, disse o atual presidente da entidade, o cutista João Antônio Felício, durante a abertura oficial do Congresso.

Para o dirigente, o atual momento é de grande desafio aos trabalhadores e todos aqueles que buscam por justiça social e um mundo menos desigual, onde a riqueza produzida pela classe trabalhadora não fique concentrada nas mãos de poucos.

A crise econômica mundial, aliada a políticas fiscais austeras, o desemprego, os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a diminuição de investimentos sociais estão aprofundando as desigualdades entre países dos hemisférios Norte e Sul, explica João Felício.

“Estamos vivendo num mundo cujos ataques aos direitos se apresentam fortemente contra os trabalhadores. O sistema capitalista ultrapassa o limite da produção e atinge o campo ideológico fazendo com que os trabalhadores acreditem que ter direitos é algo ‘ultrapassado’”.

O dirigente utiliza como exemplo o Brasil, onde a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer, que acabou com mais de cem itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), retirou direitos históricos dos trabalhadores, além da aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95, que congelou investimentos públicos por 20 anos, principalmente nas áreas de saúde e educação.

Desafios

O diretor geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, alertou para o fracasso da economia em gerar empregos e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Ele destacou que “a média mundial de aumento real de salários, de 0,8%, foi a menor desde 2008 e significa que o mundo ainda está no caminho para uma maior desigualdade e injustiça social”.

Para o atual presidente da CSI, é justamente nesse cenário que se dá o principal desafio da organização dos trabalhadores.

“A CSI deve cumprir o papel de grande articuladora das lutas e campanhas internacionais contra o neoliberalismo e também contra o fascismo, por um novo modelo de sociedade, onde a democracia, a solidariedade e os direitos do cidadão sejam prioridades”, defendeu.

João Felício destacou ainda que as ações dos sindicatos em todo mundo devem ser tão importantes quanto as relações diplomáticas entre os países e a pressão sobre os organismos internacionais.

Mudar o mundo

O primeiro ministro da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, destacou a importância da CSI na luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora em todo o mundo e sugeriu aos sindicalistas a criação de um ambiente mundial em que sindicatos e empregadores trabalhem juntos para atingir um equilíbrio entre direitos e responsabilidades.

“E se criássemos uma sociedade em que todos os cidadãos tivessem uma chance justa, independentemente de raça ou origem?”, questionou o líder político.

“Um futuro onde a educação e os cuidados de saúde são gratuitos e onde todos têm direito ao apoio econômico e social em caso de perda de emprego, doença ou deficiência? Por que não mudar o mundo?”

Debates

Durante o Congresso, serão realizados quatro debates principais para elaborar as futuras políticas da CSI. Os temas são Paz, Democracia e Direitos; Regulando o Poder Econômico; Mudanças Globais - Apenas Transições; e Igualdade.

(Fonte: Andre Accarini, CUT Nacional)

Com a Palavra

QUA, 24 de out / 2018

Pelo direito de discordar

Maicon Vasconcelos*

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