QUI, 31 de jan / 2019

Unificação e representatividade dos sindicatos para enfrentar os ataques do governo e as novas leis trabalhistas

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Paulo Cayres (em pé): "Reforma da Previdência é o maior desafio da classe trabalhadora

Na noite desta quarta-feira (30), foi realizada uma reunião com representantes dos sindicatos de metalúrgicos do Vale dos Sinos e região metropolitana de Porto Alegre. O encontro, que contou com a participação do presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Paulo Cayres, aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo e teve como principal ponto de pauta a unidade das entidades sindicais diante da realidade imposta a partir da Reforma Trabalhista.

Cayres iniciou afirmando que o debate sobre unidade e unificação dos sindicatos é muito importante. “As entidades como federações e confederações servem para isso. O que só fortalece os sindicatos e a classe trabalhadora”. Ele explicou que o objetivo é construir Convenções Coletivas Nacionais, pois o Brasil é o único país que tem diferenciação nas relações de trabalho dentro do próprio país. “Na Alemanha todos os metalúrgicos de uma mesma empresa ganham a mesma coisa. Aqui, o operador da unidade de São Paulo não ganha o mesmo de um do Rio Grande do Sul”, exemplificou.

O dirigente declarou que “após a reforma trabalhista, os trabalhadores não querem saber dos sindicatos. E, além disso, os patrões atacam  os sindicatos permanentemente. “Práticas antissindicais sempre existiram e vão continuar existindo. Eles vão implementar a máxima do governo de emprego sem direitos ou direitos sem emprego e é isso que a GM está fazendo, esse tipo de ataque”, enfatizou.

“Estamos falando de luta de classes, por isso é tão importante estarmos unidos. Tem que haver unidade entre os trabalhadores, entre os sindicatos, a política sindical e a esquerda. Caso contrário, seremos engolidos”, declarou Cayres.

Lembrando que para o próximo período o maior desafio será barrar a Reforma da Previdência, ele enfatizou que o fundamental é a organização no local de trabalho. “É lá que vemos o que os trabalhadores sofrem, o dia a dia, as reais condições de trabalho. Vocês não tem noção da importância do dirigente sindical estar dentro da fábrica”, concluiu.

Representatividade
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS, Lírio Segalla, é preciso fazer esse debate. “Não podemos ficar a margem”. Lírio afirmou que essa é uma das tarefas da direção da FTM-RS: o debate sobre a representatividade.

“As novas leis nos obrigam a ter uma nova dinâmica de negociação. Por exemplo, a ideia é ter uma negociação permanente com o sindicato patronal”, disse e conforme relatou, já houve reuniões com os patrões.

O diretor contou que 17 sindicatos, dos 29 filiados à FTM-RS, integram uma única na mesa de negociação. “Quando chegarmos na data base (1º de maio) iremos debater apenas as cláusulas econômicas, pois as sociais já houve avanços devido às negociações terem começado com antecedência”.

Abordando a situação das mulheres dentro das fábricas e num contexto de crise, a diretora do STIMMMESL, Simone Peixoto relatou que em 2013, quando ingressou na empresa que trabalha, as mulheres eram 10% do quadro funcional e agora esse número não passa de 5%.

“As mulheres são sempre as primeiras penalizadas”, disse. De acordo com ela, as trabalhadoras estão se organizando. “Estamos discutindo, inclusive com outras unidades”, contou.
 

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Em sua intervenção, Loricardo destacou o Programa Indústria 10+ 

Secretário geral da CNM/CUT, Loricardo Oliveira, salientou a importância do debate, “pois é isso que irá nós fortalecer”. Ele relatou também o Programa Indústria 10+, elaborado pelo Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID-Brasil), que propõe medidas para o desenvolvimento do setor industrial nos próximos 10 anos. Segundo Loricardo, o programa será apresentado para o prefeito de São Leopoldo, Ary Vannazi (PT) e empresários da região.

Rodolfo de Ramos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville (SC), falou da importância do dirigente sindical para enfrentar as medidas neoliberais dos governos, bancadas pelos empresários. “Temos dificuldade de elegermos representantes dos trabalhadores, que conheçam a nossa realidade. Nós, dirigentes estamos sendo forjados dentro das fábricas. Por isso, o papel sindicalista é importante ainda mais diante deste governo que é uma grande ameaça aos trabalhadores e à democracia”.

CSES
No começo da reunião, o secretário de Formação do STMMMESL, Genilso Vargas da Rosa falou sobre os Comitês sindicais de Empresa (CSEs), como uma maneira de organizar o local de trabalho, recuperar a representatividade junto à base e reaproximar os sindicato e os trabalhadores.

Ele acredita que a maioria das entidades devem iniciar o debate para implantar os Comitês, pois além da representação, são espaços que apresentam como potencialidades a autonomia, cidadania, democracia, entre outros.

“É uma oportunidade de transformar o trabalhador num dirigente sindical no sentido pleno da palavra” afirmou Genilso após trazer o contexto histórico e exemplos de sindicatos que já implantaram os CSEs.

A reunião foi coordenada pelo presidente do STIMMMESL, Valmir Lodi, que também pontuou a necessidade dos sindicatos mais próximos se unificarem. “Esse nosso debate é muito importante e pode fazer a diferença para as nossas entidades no futuro”, enfatizou.

Para Valmir, muitos não se deram conta do que estava por vir quando os dirigentes realizavam assembleia em frente as fábricas para alertar os trabalhadores sobre a Reforma Trabalhista. “Agora, precisamos nos organizar e fortalecer diante desta nova realidade.”

(Fonte: STIMMMESL)

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