01/02/2010 - 16:06:49 Seminário Mundo Trabalho iniciou com série de debates
A CUT e as demais centrais deram início na tarde do dia 27 ao Fórum do Mundo do Trabalho, atividade por elas organizada e que integra o Fórum Social Mundial 2010 - Porto Alegre, 10 anos depois.
A mesa de abertura oficial do Fórum do Trabalho foi composta por Quintino Severo, secretário-geral nacional da CUT e por representantes das demais centrais brasileiras (CGTB, CTB, FS, NCST e UGT). Também estiveram à mesa Rafael Freire representando a Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA) e Hugo Bosca, da Federação Sindical Mundial do Uruguai.
"Este seminário que abrimos hoje tem papel fundamental para a classe trabalhadora não só do Brasil, mas para a América Latina e para o mundo, diz Quintino após saudar os participantes. "Isso porque nós, os movimentos sociais, quando iniciamos o Fórum Social Mundial há dez anos, acertamos o diagnóstico. Este é um espaço para aprofundarmos as discussões sobre projetos para um novo mundo possível, onde o desenvolvimento que queremos se inclui".
Artur Henrique, presidente nacional da CUT, Maria Pimentel da CGTB e Nivaldo Santana, da CTB, apresentaram painéis com perspectivas e desafios para o movimento sindical perante a crise mundial.
O presidente da CUT foi incisivo ao falar que "a crise tem nome e sobrenome. Nós sabemos quem são responsáveis pela crise aqui no Brasil - é a direita, são os neoliberais. Não podemos permitir que haja retrocesso em nosso país, portanto, precisamos somar nossos esforços e não deixar esse pessoal voltar a governar. Digo isso porque as saídas que eles apresentam para a crise seguem o modelo neoliberal, onde as saídas são sempre as mesmas, ou seja, injetar trilhões de dólares para salvar bancos e empresas enquanto a população está desempregada". (Paula Brandão) (CUT, 29.01.2010)
Presidente da CUT pede união da esquerda para apoiar Dilma a presidente
Arthur Henrique fez pedido durante evento no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, público reagiu positivamente e gritou o nome da ministra Dilma, que é pré-candidata à Presidência da República com o apoio de Lula.
A pesença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, contribuiu para fortalecer a pré-candidata à sucessão presidencial. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, pediu a união da esquerda para evitar a derrota como ocorreu no Chile, onde o empresário da direita Sebastián Piñera venceu o candidato do governo, Eduardo Frei.
O público no Gigantinho reagiu positivamente, gritando o nome de Dilma. A ministra se levantou da cadeira e acenou para a plateia. Um grupo chegou a adaptar um jingle de campanha de Lula - "Olê, olé, olá, Dilma, Dilma". (Agência Estado, 27.01.2010)
Mesa Redonda "Crises e Oportunidades"
CUT defende no FSMT "mecanismos de democracia direta e contrapartidas sociais"
No Fórum Social Temático da Bahia, que iniciou nesta sexta-feira (29) e segue até domingo (31) em Salvador, a Mesa Redonda "Crises e Oportunidades" reuniu lado a lado, literalmente, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, e a escritora Susan George, co-fundadora e presidente do ATTAC, movimento francês que se notabilizou pela campanha para taxar em 1% o fluxo do capital financeiro para acabar com a pobreza mundial.
Conforme os idealizadores do Projeto Crises e Oportunidades, que reúne cerca de 30 especialistas das mais diversas áreas - coordenado pelo professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor -, ao coletivizar as formulações no FSMT, os participantes buscam ampliar a coleta de propostas concretas de transformações e políticas públicas, dialogando diretamente com os responsáveis governamentais pela sua implementação. A idéia, defendem, "visa construir uma agenda de governança que responda de maneira equilibrada às necessidades econômicas, mas que também permita enfrentar os grandes desafios da desigualdade e da sustentabilidade ambiental, nos planos nacional, regional e global".
Esta ação consciente e coletiva é necessária, sublinhou Susan George, pois os responsáveis pela crise continuam a não reconhecer o óbvio: que ela é bem mais do que financeira, "por mais graves que sejam seus aspectos financeiros". Susan avalia que esta é uma "crise múltipla, na qual todos os elementos que a compõem se reforçam e agravam reciprocamente, com a desigualdade alcançando níveis insustentáveis".
Artur Henrique defendeu que uma das questões chaves para o enfrentamento desta crise e para "a construção de um novo mundo possível e necessário" está intimamente ligada à criação de instrumentos e mecanismos de democracia direta, o que fortalecerá a participação coletiva e ampliará a possibilidade de maior controle social do Estado. Da mesma forma, o presidente cutista alertou para a necessidade de se estabelecerem contrapartidas sociais para os empréstimos com recursos públicos, vinculando a sua liberação ao cumprimento da legislação, seja ela ambiental ou trabalhista, à geração de emprego e renda. "Precisamos ter tolerância zero com o trabalho escravo e infantil, tolerância zero com a rotatividade da mãode-obra, com as extensas jornadas. Os trabalhadores precisam de tempo livre para a cultura, a educação e o lazer", ressaltou. Entre as propostas elencadas pela CUT, acrescentou Artur, encontra-se "o imposto sobre grandes fortunas e o limite de propriedade da terra, para promovermos uma profunda mudança no modelo agrário atual".Diante dos ataques de privatistas e neoliberais, Sílvio Caccia Bava, do Instituto Polis e do Le Monde Diplomatique Brasil defendeu a necessidade de se resgatar a dimensão pública do Estado.
O jornalista Joaquim Palhares, coordenador da Agência Carta Maior, alertou para "o vetor ideológico, estratégico para a globalização neoliberal", denunciando a visão alienante e alienadora dos grandes conglomerados de mídia, que têm se comportado como "braços operativos do grande capital" ao defenderem sua "política de Estado mínimo e de privatizações, seu modelo excludente e concentrador de renda". Ao todo foram mais de uma dúzia de intervenções que se somaram, trazendo contribuições nos mais diferentes campos.
Representando a Secretaria Nacional de Economia Solidária, o renomado economista Paul Singer elogiou o tom do documento que vem sendo formatado como "uma agenda de mudanças estruturais", mas cobrou uma definição de uma estratégia que aponte "o que nós intelectuais, sindicalistas e governos podemos fazer para construir as transformações necessárias".
Além do professor Ladislau Dowbor e de Susan George, o documento "Crises e Oportunidades: Uma agenda de mudanças estruturais" contém contribuições de Carlos Lopes, subsecretário geral da ONU e do eco-socieconomista Ignacy Sachs, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Os textos estão disponíveis no site www.criseoportunidade.wordpress.com "podendo ser livremente divulgados para fins não comerciais". (Leonardo Severo, de Salvador-BA) (CUT, 29.01.2010)
Publicação: » Matéria publicada na Brasil Metal Internacional n° 356
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