01/04/2008 - 08:55:35 Conjuntura
O mês de março vai fechando-se sob os impactos da crise na economia norte americana, os principais índices de Wall Street tiveram alta, depois que o JPMorgan entrou em negociação para elevar sua oferta pelo Bear Stearns de US$ 2 para US$ 10 por ação. A crise dos subprimes (créditos imobiliários oferecidos a pessoas que não tinham como honrá-los) levantou a probabilidade de recessão econômica nos EUA. Pensava-se, inicialmente, que o custo dos subprimes não ultrapassaria uma centena de bilhões de dólares; mas agora já se sabe que ele chega à casa dos trilhões. Economistas e consultores financeiros mostram-se pessimistas, achando que a crise vai se estender ao mundo todo, enquanto os industriais continuam otimistas depois de anos de bons negócios. A alta no preço do minério de ferro é um claro sinal de otimismo. A japonesa Nippon Steel, maior acionista da Usiminas, anuncia a construção de uma nova siderúrgica na cidade de Cubatão, o grupo Arcelor Mittal, líder mundial na produção de aço, vai ampliar a capacidade de produção da sua usina de aços longos em João Monlevade (MG) dos atuais 1,2 milhão de toneladas por ano para 2,7 milhões de toneladas por ano. Resta saber se a probabilidade de uma recessão norte americana tende a crescer elevando a temperatura nas bolsas internacionais e quais as consequências do derretimento do dólar no mercado brasileiro.
Os reflexos no Brasil apontam para a preocupação do governo federal nos níveis de endividamento dos consumidores, os prazos para financiamentos chegam aos cem meses permitindo a aquisição desse tipo de bem a uma parcela significativa da população economicamente ativa. Os noticiários especulam a possibilidade de que o governo federal venha a diminuir os prazos para financiamentos de automóveis o que restringiria o consumo e diminuindo a produção. A versão do governo é a de observar se há desequilíbrios que possam causar uma crise de crédito no mercado brasileiro, afetando o ciclo virtuoso de crescimento que há muito não se via no Brasil. Dados preliminares de mercado dão conta de que foram licenciados na primeira quinzena de março 103,3 mil automóveis e comerciais leves. O resultado, aumento de 16,5% sobre igual período de março do ano passado, é expressivo porque projeta venda superior a 200 mil unidades desses segmentos até o fim do mês.
O setor automotivo vai investir, até 2010, cerca de US$ 20 bilhões no aumento da capacidade produtiva no Brasil, sendo que deste total, US$ 4,9 bilhões são de responsabilidade das montadoras e o restante por conta das autopeças, que precisam se estruturar para acompanhar o ritmo das fabricantes de automóveis.
Os dados divulgados pelo estudo Dieese-CNM/CUT mostram que o setor metalúrgico brasileiro atingiu uma marca histórica em janeiro de 2008 ao alcançar 2,01 milhões de trabalhadores e, assim, a categoria volta a patamares vistos pela última vez há quase duas décadas, no distante ano de 1991. Entre os meses de janeiro e dezembro de 2007, o saldo positivo de contratações chegou a 180.242 postos de trabalho. Um crescimento de 10,5% - e o segundo maior desde 2003, quando o ramo metalúrgico retomou o crescimento acentuado na produção e no número de trabalhadores.
Desde o início do governo Lula, os números de 2007 (10,5%), só foram superados por 2004, que registrou um acréscimo de 11,2% período. Ao todo, já são 523.073 vagas criadas desde 1º de janeiro de 2003. O setor, que chegou a empregar 2,8 milhões de metalúrgicos, em 1987, passou por crises e viu o número de carteiras assinadas cair assustadoramente, chegando a -52% em dez anos. Assim, 1,5 milhão de trabalhadores deixaram as empresas neste período.
Seguem alguns indicadores coletados junto à Secretaria de Comunicação Social do governo federal que podem ser acessados no endereço www.presidencia.gov.br/secom/destaques:
Redução da desigualdade » A desigualdade de renda medida pelo Índice de Gini caiu para 0,541 em 2006 (o menor desde 1981). » Brasil pela primeira vez para o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). » País já ultrapassou a meta de reduzir pela metade extrema pobreza (ODM) 9,7 milhões de brasileiros saíram da miséria (2003-2006), 20 milhões migraram das classes D e E para a classe C (2002-2007).
Aumento da renda » Renda das famílias chegou a mais de R$ 1 trilhão; » Renda média real aumentou 5,3% entre 2003 e 2006; » Reajuste real de 32% do salário mínimo (2003/2007), ante 21% (1998/2002).
Qualidade de vida » Aumentaram domicílios atendidos por energia elétrica (de 97,2% em 2005 para 97,7% em 2006) e por telefonia (de 71,6% para 74,5%); » Aumento no acesso a água, saneamento básico e coleta de lixo, de 2 a 3 pontos percentuais nos últimos 4 anos.
Educação » 235 mil jovens no ProJovem (nov/07), 310 mil alunos no ProUni (dez/07) e 229 mil vagas/ano no Reuni (jan/08); » 15 novas universidades: 10 implantadas, 2 consolidadas2 e 3 em tramitação (7 mil vagas semestrais); 86 extensões federais: 61 criadas e 25 consolidadas (29 mil vagas semestrais); » 214 novas escolas técnicas: 64 criadas e em funcionamento e 150 em licitação (2007/2010). Beneficiados em 2007: 14 mil alunos.
Programas sociais » 11,1 milhões de famílias no Bolsa-Família (fev/08); » 7,3 milhões de pessoas no Luz Para Todos (fev/08); » R$ 8,4 bilhões contratados no PRONAF (ano agrícola 2006/2007); » 448,9 mil famílias assentadas em 38 milhões de ha (2003-2007); » A conta Caixa Fácil da CEF é o maior programa de inclusão bancária do país com 4,8 milhões de contas ativas, com saldo de R$ 210 milhões em crédito.
PIB » Estimativa IPEA para 2007: R$ 2,5 trilhões (+5,2% frente 2006), cresce há 23 trimestres consecutivos.
Emprego » 10,3 milhões de ocupações criadas, 8,2 milhões formais (jan.03-jan.08); » Recorde histórico em 2007: 1,6 milhão de novos postos formais celetistas; » Melhor janeiro da série histórica do CAGED: +142.921 postos; » Menor taxa média anual de desocupação da série histórica em 2007: 9,3%.
Inflação » Baixa e controlada - 4,56% nos últimos 12 meses (jan/08).
Consumo » Cresce há 16 trimestres consecutivos.
Investimentos » Crescem há 15 trimestres consecutivos. » Estrangeiros Diretos - US$ 34,6 bilhões em 2007 (quase dobrou em relação a 2006) e US$ 4,8 bilhões em jan/08 (melhor janeiro da série histórica). » A UNCTAD considerou o Brasil o 5º melhor país para fazer investimentos.
Balança Comercial » Exportações: US$ 165,6 bilhões (+17,6%). Maior valor histórico. » Importações: US$ 129,2 bilhões (+36,5%). Recorde histórico. » Saldo: US$ 36,4 bilhões (-21,2%).
Reservas Internacionais » US$ 190,5 bilhões (27/02/08). Pela primeira vez, o Brasil é credor externo (reservas internacionais > dívida externa).
Produção Industrial » Em jan/08, a produção industrial cresceu 1,8% na comparação com o mês anterior, alcançando o segundo maior nível da série histórica.
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