SEG, 19 de mai / 2014

Para CSI, modelo neoliberal de combate à crise 'empurra milhões para escravidão'

Congresso da entidade internacional começou neste domingo e deve eleger brasileiro João Felício para a presidência. Candidatura tem apoio da CNM/CUT.

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João Felício
João Felício : movimento sindical tem de pressionar órgãos internacionais

Sob o lema “Reforçar o poder dos trabalhadores”, teve início neste domingo (18) o 3º Congresso da Confederação Sindical Internacional (CSI). Mais de 1.500 sindicalistas participaram da cerimônia de abertura do evento, que acontece em Berlim e será encerrado no dia 23.

A CSI foi criada em 2006, a partir da fusão da Confederação Internacional de Sindicatos Livres e da Confederação Mundial do Trabalho. A entidade mundial tem 325 filiados (incluindo CUT, Força Sindical, UGT e CNPL, confederação dos profissionais liberais) em 161 países e 176 milhões de trabalhadores na base.

Em seu discurso na abertura, o presidente da entidade, Michel Summer, destacou o papel da unidade e da mobilização do sindicalismo para combater e derrotar a crise da globalização neoliberal, lembrando que muitos governos têm implementado uma “receita equivocada para o diagnóstico errado”. “Vemos hoje muitos países serem submetidos às regras do mercado financeiro. Temos muitos governos que capitularam e assinaram acordos de livre comércio que acabam com a soberania nacional. Nós estamos aqui para afirmar que as nações têm de ser soberanas diante das multinacionais e de seus interesses”, enfatizou, sob aplausos.

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Michel Summer
Michel Summer

De acordo com Summer, o agravamento da crise colocou mais 60 milhões de trabalhadores na pobreza,o que aumentou a desigualdade. “A solução que muitos governos têm utilizado é a chamada austeridade, que nada mais é do que ataque à negociação coletiva, ao sistema público de seguridade social; é neoliberalismo puro que empurra milhões de pessoas para a escravidão”, frisou. É isso o que ocorre “quando a política se deixa dominar pela oligarquia financeira, ditada pelos especuladores em Wall Street, Londres ou Hong Kong”, acrescentou.

O sindicalista destacou que a CSI manifestou sua total solidariedade às famílias dos mais de 300 mineiros mortos em um acidente na Turquia, na última semana, lembrando que “é preciso ampliar a mobilização por respeito à dignidade do trabalhador, por respeito aos direitos humanos”. A tragédia ocorrida naquele país, recordou, representa a mesma coisa vivida em outros, como a falta de direitos dos trabalhadores nos EUA e na Austrália, com a precarização na América Latina e na África. “Daí a importância de termos sindicatos fortes no setor formal e informal, de lutarmos juntos por uma democracia que sirva às pessoas”, disse.

Presente ao evento, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank Walter Steinmeier, manifestou sua solidariedade à luta da CSI para que a classe trabalhadora tenha voz e avance na melhoria das condições de trabalho e segurança em todo o mundo. “A voz dos trabalhadores precisa ter mais peso, porque a desigualdade, que aumentou nos últimos dez anos no mundo, na Europa e na Alemanha, precisa de um contrapeso: um movimento sindical forte”, declarou.

Escravidão no Qatar 
Ainda na cerimônia de abertura, o jogador de futebol profissional marroquino Abdes Ouaddou fez um enfático pronunciamento denunciando as condições de trabalho no Qatar, onde a monarquia absolutista se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2022. Até o momento já morreram dezenas de operários sob o sol de 50 graus e condições inumanas. “Não podemos jogar em estádios onde corre sangue”, protestou.

Ouaddou lembrou que estava jogando como profissional no Qatar quando o clube onde atuava se negou a aceitar o término de seu contrato. Assim que apresentou uma denúncia, foi impedido de sair do país. "Um Qatar livre de sindicatos é um lugar muito ruim para trabalhar. Todo trabalhador tem o direito de se filiar a um sindicato”, asseverou.

"Como disse o ex-capitão da minha seleção nacional, entendo a importância e o significado da liderança, do trabalho em equipe e da solidariedade. Me dei conta de que estes valores estão firmemente arraigados no movimento sindical democrático representado mundialmemnte pela CSI ", enfatizou.

Luta permanente
Na avaliação do secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, candidato a presidente da CSI, as intervenções deixaram claro o reconhecimento de que “há uma luta permanente entre capital e trabalho que extrapola a questão nacional, que diz respeito à manutenção e ampliação de direitos, à valorização salarial, à construção da justiça social, com afirmação de políticas públicas e de distribuição de renda”.

O brasileiro acrescentou ainda: “Nosso compromisso é dar consequência a esta análise, pois entendemos que, da mesma maneira que o capital define seus interesses, que vão além das fronteiras, é fundamental que o mundo do trabalho, com suas entidades, faça enfrentamentos mais consistentes, utilizando sua unidade como força política para pressionar a ONU, a OMC, o G20 e a OIT em defesa de sua pauta”.

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CNM
CNM/CUT presente: (da esq.) Bira, Marcelle, Paulo, Chris, João e Loricardo

Metalúrgicos da CUT
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) foi uma das principais articuladoras da candidatura de João Felício à presidência da CSI, por entender que o brasileiro tem o perfil ideal para o cargo. "Ao longo dos anos, a CUT se consolidou no cenário sindical mundial por seu compromisso com as lutas por igualdade e justiça social. O movimento sindical internacional tem reconhecido a importância de nossa Central e do nosso país na formulação de um modelo de desenvolvimento que garanta proteção social e que se tornou referência mundial. Nós, da CNM/CUT, nos sentimos muito orgulhosos de termos contribuído para este momento e para que, pela primeira vez na história do sindicalismo internacional, um brasileiro seja o escolhido para presidir a mais importante entidade mundial dos trabalhadores", assinalou Paulo Cayres, presidente da Confederação.

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Macrossetor
Felício (centro) com líderes do MSI:  Paulo Cayres e Lu (esq.), Cida e Siderlei (dir.)

Além do presidente, a CNM/CUT está representada no congresso da CSI por João Cayres, secretário geral e de Relações Internacionais, Loricardo de Oliveira, secretário de Política Sindical, Ubirajara Freitas, secretário de Organização, Christiane dos Santos, secretária de Igualdade Racial, e a assostente da Secretaria de Relações Internacionais Marcelle Candil. 

O presidente da Confederação informou que além de apresentar as ações da entidade nacional dos metalúrgicos da CUT em defesa da categoria no Brasil e no mundo, a experiência do Macrossetor da Indústria (MSI) também será destacada. O MSI congrega as confederações cutistas dos metalúrgicos, químicos, têxteis e trabalhadores na alimentação e na construção.

Ao lado de Paulo Cayres, também estão participando do Congresso em Berlim, os presidentes das Confederações cutistas dos Químicos (CNQ), Lu Varjão, dos Têxteis (CNTV), Cida Trajano, e da Alimentação (Contac), Siderlei de Oliveira.

 

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Apresentações mostraram diversidade cultural dos continentes

Diversidade cultural
A cerimônia de abertura do evento também contou com apresentações musicais e de danças representativas dos diferentes continentes, encerrando com um concerto especial da Orquestra Filarmônica de Berlim.

(Fonte: Leonardo Severo - CUT Nacional, com assessoria de imprensa da CNM/CUT)

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