TER, 26 de jan / 2021

Fechamento de fábrica da 3M revela que ‘indústria está ao deus-dará’, diz Dieese

Fausto Augusto Junior afirma que mudanças são reflexo do processo de desindustrialização do país

Crédito: Divulgação
3 M no interior de SP
3 M no interior de SP

A multinacional 3M anunciou o fechamento de sua fábrica em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O local era responsável pela fabricação de itens odontológicos, que serão realocados para outra sede da empresa, em Sumaré (SP). 120 funcionários deverão ser demitidos.

Recentemente, outras grandes empresas anunciaram sua saída do Brasil. A Ford mudou-se para a Argentina e a Sony, para a China. Na última semana, a Yoki também anunciou que mudará o local de sua fábrica, que sairá de Nova Prata (RS) para Pouso Alegre (MG). 300 funcionários da empresa também serão dispensados.

Fausto Augusto Junior, diretor técnico do Dieese, afirma que essas mudanças, como a da fábrica da 3M, são reflexo do processo de desindustrialização do país e que se agravou, nos últimos cinco anos, após o impeachment de Dilma Rousseff. “O setor automotivo tem preferido importar produtos do México, os eletroeletrônicos estão vindo da China. Sem uma política industrial que incentive a produção local, vamos assistir a um país que encolhe sua produção industrial. A indústria está ao deus-dará”, disse à Rádio Brasil Atual.

Dinâmica econômica

Com a reforma trabalhista, realizada durante o governo de Michel Temer (MDB), o poder de compra do trabalhador foi reduzido. Fausto explica que o Brasil perdeu seu dinamismo econômico, reduziu a demanda e aumentou a concentração de renda.

“É bom lembrar que, desde 2016, todas as políticas de proteção à indústria nacional foram desmontadas, o que acelerou a saída das empresas e caminhamos para ser um país apenas agroexportador”, acrescentou o especialista.

O diretor técnico do Dieese rebate o argumento das empresas, que justificam suas saídas por conta do “custo-Brasil” – termo usado para definir um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento da produção industrial.

“Sempre que o mercado fica frágil, o conjunto de empresários tenta recolocar a culpa no “custo-Brasil”, sem especificar o que é. Eles mesmos tentam reduzir os direitos dos trabalhadores cada vez mais. O fato é que quando há demanda, a produção nacional fica aquecida. O que puxa o investimento é seu mercado, a perspectiva de boas vendas, o que não há”, finalizou.

*matéria publicada no site da RBA

 

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