SEG, 09 de nov / 2020

O desafio dos jovens para furar o bloqueio e entrar no mercado de trabalho

Jovens entre 18 e 29 anos, historicamente as primeiras vítimas das crises econômicas, se rendem a profissões precarizadas, apesar de setores da economia terem aumentado contratações em setembro. Qual a saída?

Crédito: agência brasil
Juventude
Juventude 

Vencer as barreiras, entrar no mercado formal de trabalho e se manter nele são as principais dificuldades da maior parte da juventude brasileira, parcela da população que não tem condições de bancar os estudos sem a renda do trabalho, que também é usada para complementar o orçamento familiar. 

Mas, mesmo em épocas de profundas crises econômicas, como a atual, que foi agravada pela pandemia do novo coronavírus, é possível aos jovens conquistarem uma colocação decente, com progressão de carreira, afirma a secretária de Juventude da CUT, Cristiana Paiva, que defende a formação política, a qualificação e a organização, como armas para os jovens vencerem os desafios.

“A qualificação é essencial para competir de igual para igual no mercado de trabalho”, diz a dirigente, que complementa: “Nós vivemos o avanço da tecnologia e cada vez mais a especialização é necessária para vencer as barreiras e conquistar um espaço no mercado”.

“Já a formação política da juventude”, acrescenta, “é fundamental para que os trabalhadores se fortaleçam e possam lutar por direitos e por espaços melhores no mercado de trabalho. Para isso, é preciso ter autonomia política sobre o que se passa no país e sobre a sociedade é o primeiro passo para a organização”. Leia mais sobre formação política no final do texto.

Informação é, portanto, uma das chaves para os jovens entenderem o complexo momento e se prepararem para conseguir um emprego que ofereça oportunidades de ascensão na carreira, direitos e bons salários, apesar da realidade mostra o contrário. As pesquisas mostram quem cresce a cada dia o número de jovens lutando pela sobrevivência em empregos informais e precarizados, a maioria deles pertence aos setores mais vulneráveis da sociedade, os primeiros a perder o emprego nas crises, junto com os negros e as mulheres.

Os números da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Continua (Pnad) Trimestral, realizada pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2020, a taxa de desocupação entre os trabalhadores de 18 a 24 anos foi de 29,7%. Na faixa etária entre 25 a 39, foi de 12,9% e entre os trabalhadores de 40 a 59 anos, foi de 8,7%.

Disputa

Com o aumento do desemprego, que atingiu mais de 13,8 milhões de trabalhadores no trimestre de junho a agosto, segundo o IBGE, trabalhadores com mais qualificação, até mesmo com nível superior, acabam se sujeitando a salários menores em atividades que não requerem essa qualificação e isso também acaba tirando, em geral, os empregos dos jovens.

“No mercado de trabalho, os jovens sempre vão competir com quem tem mais qualificação, até mesmo para profissões que não exigem diplomas”, confirma o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cesar Andaku.

A falta de oportunidades faz os jovens recorrem às atividades chamadas ‘empreendedoras’ que, nada mais são do que trabalho precário e sem direitos, exercido seja vendendo objetos nas ruas, seja trabalhando para plataformas digitais donas de aplicativos como Uber, Rappi, Ifood, recebendo uma renda irrisória, sem nenhum direito, nenhuma expectativa de crescimento, nenhuma segurança, afirma a secretária da de Juventude da CUT, Cristiana Paiva.

“A juventude passa por um momento ruim. A maioria entende ainda que ser Uber é ser uma empresa e que são donos do próprio negócio. Ainda é difícil para muito enxergar que as oportunidades com a tecnologia existem, mas elas não necessariamente significam ter qualidade de vida”, diz a dirigente.

O economista do Dieese concorda com a avaliação. De acordo com ele, a crise provocada pelo coronavírus tem apresentado, além do aumento dos jovens trabalhando para empresas de aplicativos, um crescimento de contratações de trabalhadores entre 18 e 29 anos. “Historicamente, os jovens são os primeiros a perder o emprego e os que mais têm dificuldades de retorno ao mercado de trabalho, mas nessa pandemia, o cenário é atípico”, diz.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo federal, que registra empregos formais, inclusive os contratos intermitentes, e vem sendo contestado por apresentar erros, de 1.379.509 contratações em todo o Brasil, 668.846 foram de jovens entre 18 e 29 anos. A maior parte das contratações foi nos setores de comércio e telemarketing.

César avalia que uma das probabilidades é de que esteja acontecendo uma troca de trabalhadores mais velhos por mais jovens, com menor salário e mais facilidade de locomoção. “Ainda temos uma taxa de desemprego geral de 14,4% no Brasil e no mesmo mês [IBGE] e o Caged mostra um total de 583.147 demissões de pessoas com mais de 30 anos de idade”, ele diz.

Ainda de acordo com o economista, empresas de telemarketing têm contratado mais trabalhadores para complementar o trabalho feito por robôs nesse tipo de atividade. “As empresas estão vendo uma necessidade de um humano para concluir negociações, por isso estão contratando”, ele conclui.

Campanha da CUT sobre formação política

Com o objetivo de conscientizar os jovens em sobre a importância da organização no trabalho, a CUT e a central sindical alemã DGB desenvolveram o projeto “Segue o Fio”, uma oportunidade para eles se familiarizem com a essência das lutas diárias por direitos dos trabalhadores.

“A CUT, dessa forma, se renova e cumpre o papel de defesa da classe trabalhadora, ampliando o horizonte de luta para aquelas categorias que não têm nenhuma representação, caso dos informais, trabalhadores remotos sem carteira assinada, e que não têm a oportunidade de unir a categoria para lutar pelos direitos”, explica a secretária da Juventude da CUT.

Leia a matéria completa no site da CUT

 

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