SEX, 26 de fev / 2021

Saúde, emprego e renda estão entre as reivindicações dos metalúrgicos e metalúrgicas em 2021

Um ato nacional contra Bolsonaro também está na pauta de luta para negociação coletiva, que será nacional. A construção de um contrato unitário de reivindicações foi definida em coletivo num encontro da categoria CUTista

Crédito: Renata Filgueiras
Plenária Metalúrgicos
Plenária Metalúrgicos

Saúde, emprego e renda estão entre os principais pontos de reivindicações para 2021 definidos pelos metalúrgicos e metalúrgicas que participaram da plenária virtual: “Campanha de Negociação Coletiva 2021”, promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), nesta quinta-feira (25). A realização de uma paralização nacional em protesto contra o desgoverno Bolsonaro também inserida no plano de ações da categoria.

“Não é possível discutir somente salários neste momento que vivemos, temos que discutir os pontos que interferem na vida do trabalhador e da trabalhadora no local de trabalho, como redução de jornada, condições de trabalho e a imunidade para enfrentar o covid19. Precisamos também discutir os impactos do futuro do trabalho e da organização sindical.”, disse o Secretário-Geral da CNM/CUT, Loricardo Oliveira, em matéria de divulgação da atividade.

Crédito: Renata Filgueiras
Plenária Metalúrgicos - Loricardo Oliveira
Plenária Metalúrgicos - Loricardo Oliveira

O encontro, que reuniu centenas de dirigentes sindicais de todo o país, foi mais um passo na construção de um “Contrato Coletivo Nacional de Trabalho”, iniciado em 2004, durante o 4º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT. O Contrato Coletivo Nacional de Trabalho visa estabelecer uma base mínima, de caráter nacional, geral e articulado, sobre a qual os metalúrgicos vão desenvolver as negociações coletivas deste ano.

Os metalúrgicos da CUT destacaram também como pautas de luta a regulamentação do home office, sustentação financeira dos sindicatos, organização no local de trabalho, fortalecimento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), homologação no sindicato, redução da jornada de trabalho, principalmente para mulheres que exercem dupla jornada, entre outras.

Crédito: Renata Filgueiras
Plenária Metalúrgicos - Paulo Cayres
Plenária Metalúrgicos - Paulo Cayres

As bandeiras de luta da categoria foram decididas com subsídio do presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, da técnica da subseção do Dieese na CNM/CUT,  Renata Filgueiras e do professor da FGV, Luis Paulo Bresciani, que fizeram uma análise de conjuntura, um diagnóstico do que foi 2020, do ponto de vista de negociação coletiva, e falaram sobre as perspectivas para o futuro da classe trabalhadora.

Os participantes da plenária, depois das apresentações, se reuniram em grupos regionais, e construíram, além da pauta que os unificam para a Convenção Coletiva de Trabalho, uma pauta defendendo a vacina para todos e todas de forma gratuita, revisão da tabela do imposto de renda, um piso nacional para os metalúrgicos e a redução da jornada sem redução de salário.

Papel Sindicato

Para Renata, a negociação coletiva é uma das principais atribuições dos sindicatos em qualquer país com democracia instalada. “As negociações são o palco onde as principais intervenções do movimento sindical acontecem. Os resultados das negociações vão ter efeito imediato na vida concreta dos trabalhadores, bem como nas comunidades onde vivem e na economia da região”.

Crédito: Renata Filgueiras
Plenária  Metalúrgicos - Renata Filgueiras
Plenária Metalúrgicos - Renata Filgueiras 

E ela complementa: “essas negociações ganham ainda mais importância quando são realizadas em meio a uma grave crise sanitária, um aprofundamento da crise econômica e uma asfixia financeira do movimento sindical”.

Covid-19 e as reivindicações

Para Breciani “é fundamental construir uma estratégia política para as negociações coletivas para além das pautas econômicas, considerando todo o cenário político, econômico e sanitário adversos’.

Segundo ele, a falta de uma política nacional eficiente de imunização e combate a pandemia da Covid-19 é mais um ingrediente que pesa contra a classe trabalhadora e as entidades sindicais na hora de reivindicar melhorias econômicas e sociais.

“É preciso identificar em quais lugares estão as alianças mais viáveis em torno do desenvolvimento; interromper e reverter a queda livre da atividade industrial e intensificar a batalha contra a Covid-19”, afirma Breciani.

Fora Bolsonaro

O presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, chamou a atenção dos sindicalistas para os ataques promovidos sistematicamente pelo atual governo, principalmente contra os serviços públicos, o que impacta a democracia.

“Vivemos uma pseudodemocracia. Nossa democracia é atacada diariamente. Todas as medidas que vêm do Congresso, inclusive a reforma administrativa, vão quebrar todo o setor público. À medida que você enfraquece o setor público, se quebra a saúde a educação e nem todo mundo tem plano de saúde ou condições de pagar uma escola particular”.

De acordo com Cayres, “o ambiente está contaminado por fascistas e genocidas e e preciso tomar o remédio da elevação de consciência, de saber em que território estamos e pisando pra poder defender de fato a classe trabalhadora e reestabelecer a democracia no nosso país. Ao combater o fascismo estaremos combatendo o capitalismo, que é sustentado por tal prática”.

Crédito: Renata Filgueiras
Plenária Metalúrgicos  - Luis Paulo Bresciani
Plenária Metalúrgicos - Luis Paulo Bresciani

Tendência econômica e Indústria

Olhando para um futuro próximo, as projeções sanitárias e econômicas feitas por Luis Paulo Bresciani, professor do departamento de gestão pública da FGV, não são animadoras. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2021, segundo dados do Instituto Econômico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é de 3,6%. Este índice não recupera a queda do Produto Interno Bruto (PIB) registrada em 2020.

De acordo com Breciani, a participação da indústria de transformação no PIB vem registrando queda anualmente. Em 2019 caiu para 11%. A produção industrial registrou, no ano passado, queda de 4,5%, puxado pela baixa fabricação de veículos. E ainda tem elevado número de trabalhadores informais, desempregados e desalentados que, segundo dados da Pnad de 2020, equivale ao número de trabalhadores formais. Na indústria de transformações mais de 1 milhão de trabalhadores perderam o emprego.

*Texto escrito com a colaboração do assessor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região, Leandro Souza Gomes.

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