QUI, 10 de set / 2020

Setembro amarelo: Situações limites podem levar indivíduo a tirar a própria vida, mas nem todos dão sinais

A pressão excessiva no trabalho, cansaço extremo e frustração são fatores que agravam quadros de depressão e estresse, mas há quem não dê demonstrações de estar com problemas, não se pode generalizar

Crédito: Divulgação
Setembro Amarelo
Setembro Amarelo 

O assunto é delicado e doloroso, por isso sua abordagem carece de todo cuidado e responsabilidade. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de setembro, foi estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em parceria com outras instituições internacionais relacionadas à saúde mental, em 2003, para discutir o tema de forma acolhedora.

No Brasil foi instituído, em 2015, o Setembro Amarelo. Durante todo o mês são feitas campanhas nas redes sociais, veículos de comunicação e instituições para tratar do assunto. Fatores como depressão, estresse e cansaço excessivo estão associados a situações que levam alguém a tirar a própria vida, quadros que podem ser agravados no ambiente de trabalho, como ressalta o secretário-geral do Sindicato, Moisés Selerges.

“Muitas doenças são psíquicas, não é só a dor nas costas e o problema na coluna. Sabemos, ao observar o dia a dia nas fábricas, que muitos trabalhadores desenvolvem quadros depressivos por sofrerem pressão excessiva da chefia, por terem um alto nível de cobrança, metas por vezes impossíveis de seres alcançadas, que podem levar a depressão e o estresse a um nível muito avançado. Essas questões também precisam ser conversadas no chão de fábrica para que os companheiros, de alguma forma, possam ajudar”.

O coordenador do departamento de Saúde do Sindicato, Nilton Teixeira, complementa destacando a sensação de inutilidade e frustração que muitas vezes acomete o indivíduo.

“A questão do excesso de trabalho pode levar a um quadro de exaustão e a pessoa acaba não coordenando mais as vivências cotidianas. É aquele conceito de ‘eu faço tanto e não consigo nada’, uma sensação de inutilidade, frustração, é um conflito insuportável e o sujeito acaba por tirar a própria vida”.

O médico destaca que um comportamento gerencial também pode fazer com que o indivíduo incorpore as cobranças de tal forma que tenha seu nível de estresse agravado, mas lembra que em alguns casos e em algumas profissões específicas há um excesso de cobrança da própria pessoa.

“Entre médicos e policiais há um número bastante significativo de suicídio ou tentativas por conta da cobrança do próprio profissional, além de sofrer pressão externa. O médico, por exemplo, acha que tem que salvar tantos pacientes”.

Nilton complementa lembrando que a pressão não existe só no ambiente de trabalho, ela pode estar na faculdade, na escola, na família.

Sem sinais

Muito se diz que é possível prever o suicídio em quase todos os casos, mas é muito mais complexo do que isso, já que muitos não dão sinais de estarem com problemas. O médico pondera que é importante que não se generalize e responsabilize diretamente aqueles que rodeiam a pessoa que tentou ou tirou a própria vida.

“Nem sempre é possível afirmar a exata causa que levou a pessoa a cometer o ato extremo. Podemos fazer algumas relações com o quadro pré-existente de depressão, perda de um ente querido, mas nem sempre há sinais. Alguns indivíduos apresentam sinais e sintomas, outros são totalmente assintomáticos, sem sinais, não demonstram nada. Não há uma regra”.

“Tive três colegas médicos, dois homens e uma mulher que tiraram suas vidas, todos eram socorristas, atuação de grande tensão. Um deles não dava sinais de depressão, estava em uma confraternização com a gente tocando cavaquinho antes de se suicidar. Não era uma pessoa antissocial ou que aparentava ter um perfil depressivo. Ele aparentava estar bem”.

Entre os sinais mais comuns, segundo ele, estão a negatividade, o cansaço excessivo, a não sociabilidade, o afastamento de grupos sociais, inclusive dos melhores amigos, o que passa a ter repercussão no cotidiano, como deixar de ter hábitos saudáveis com alimentação e higiene eficaz o dia todo em casa deitado.

Nilton lembra que alguns não chegam a cometer o encerramento da vida de fato, mas deixam de comer, aumentam a ingestão de bebida ou o uso de drogas.

É hora de pedir ajuda

LIGUE 188

O CVV (Centro de Valorização da Vida) apoia pessoas com necessidade de ajuda emocional. Para conversar com um voluntário, basta ligar para 188 em todo o território nacional, 24 horas, todos os dias, de forma gratuita e anônima.

Cuidados com o próximo

• Não colocar o tratamento terapêutico e psiquiátrico como cura para todos os males;

• Não atribuir culpas;

• Não usar frases que ignoram o sentimento do outro;

• Indique sempre locais para obter ajuda ou mais informações sobre o tema;

• É importante ter escuta acolhedora e ativa.

 

*matéria publicada no site do sindicato

 

Com a Palavra

SEX, 11 de set / 2020

A Volta da Carestia

Escrito por Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas

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