SEG, 08 de fev / 2021

Sindicatos conquistam na justiça suspensão das demissões na Ford

Mobilizações dos trabalhadores e trabalhadoras e reuniões com empresa continuam. Representantes dos sindicatos dizem que meta é reverter a decisão da Ford de encerrar a produção no país

Crédito: Arquivo Sindmetau
Ato em defesa dos empregos em Taubaté
Ato em defesa dos empregos em Taubaté

A decisão da Justiça do Trabalho de suspender as demissões na Ford enquanto não terminarem as negociações sobre a saída da montadora no país entre representantes dos sindicatos Metalúrgicos de Taubaté (Sindmetau) e de Camaçari (Stim Camaçari) e da empresa é vista pelos sindicalistas como uma grande vitória da mobilização e pressão da categoria em defesa dos empregos.  A decisão da Justiça deu mais ânimo para os trabalhadores continuarem os protestos, dizem os dirigentes.

Na manhã desta segunda-feira (8), os trabalhadores e as trabalhadoras da Ford em Taubaté aprovaram em assembleia a realização de uma segunda carreata na próxima sexta-feira (12). Em Camaçari, o próximo ato em defesa dos empregos será na quinta-feira (11). Um ato das mulheres metalúrgicas vai acontecer em frente à prefeitura da cidade.

As reuniões entre representantes dos sindicatos com as empresas também continuam. Nesta segunda, também está prevista uma videoconferência com a direção global da montadora.

“A vitória desta decisão da Justiça é dos trabalhadores e das trabalhadoras da Ford, que participaram de nossas atividades nesse último período e tiveram papel fundamental nesta conquista. Para nós este passo na luta pelos empregos é importantíssimo neste momento que estamos vivendo, mas a luta continua”, disse o presidente do Sindmetau, Claudio Batista, o Claudião, na assembleia da categoria na manhã desta segunda onde foi anunciada a paralisação das demissões.

“Nós temos que utilizar todas as ferramentas possíveis para sairmos vitoriosos de fato. Essa decisão equilibra as forças na mesa de negociação”, completou o dirigente.

A liminar, expedida na última sexta-feira (5), em resposta a ações movidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), também determina que a Ford não pode suspender o pagamento de salários e licenças durante as negociações, que não faça propostas individuais ou pratique assédio moral junto aos trabalhadores e ainda proíbe que a multinacional americana faça remessas financeiras para o exterior. A empresa pode recorrer, mas até lá, as multas, caso a Ford descumpra qualquer item, chegam a R$ 500 mil.

“Este é um ponto importante para garantir nossos direitos e a questão financeira dos trabalhadores, que vão ter que ser respeitados antes da Ford tomar qualquer decisão. Além disso, a justiça suspendeu todas as negociações que foram feitas até agora, provocando reinício das conversas com a empresa com a participação do MPT”, explicou Claudião num vídeo publicado na página do Facebook da entidade.

O presidente do Stim Camaçari, Júlio Bomfim, também se pronunciou pelas redes sociais e agradeceu ao MPT, que tem outros inquéritos contra a Ford, e também ressaltou a importância da continuação das mobilizações.

“Vamos dar continuidade a nossa vigília e mobilizações ordeiras para fazer um convencimento verbal com toda sociedade e continuar lutando por empregos ou indenizações justas para todos e todas”, finalizou.

A Justiça ordenou que a montadora entregue ao Sindmetau, em até 15 dias, todas as informações que sejam necessárias às negociações e tomadas de decisão. Estabeleceu ainda que a Ford apresente, em até 30 dias, um cronograma de negociação conjunta com o Sindicato.

Sobre reunião com Ford Global

O coordenador sindical na Ford, Sinvaldo Cruz, disse que o Sindicato vai defender a posição prioritária dos trabalhadores neste momento: reverter a decisão da Ford de encerrar a produção no país.

"Essa é mais uma discussão importante para nós, trabalhadores. Vamos estar reunidos com a direção dos Estados Unidos para colocar nossas reivindicações. E também para entender, da parte deles, o que é possível fazer para manter as fábricas de Taubaté, Camaçari e Horizonte", explicou

*Matéria publicada no site da CUT

 

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