QUA, 16 de set / 2020

Sony anuncia fechamento de fábrica e Sindicato dos Metalúrgicos no Amazonas fala em 220 demissões

‘Qual é a política industrial do País? Nenhuma!’, afirmou presidente do sindicato, Valdemir Santana

Crédito: Poder 360
Sony Manaus
Sony Manaus

Pelo menos 220 trabalhadores perderão o emprego com o fechamento da fábrica da companhia japonesa Sony em Manaus, no Amazonas, após decisão do grupo empresarial comunicada a varejistas na segunda-feira 14. A unidade foi instalada há 36 anos em Manaus, no ano de 1984. A Sony chegou no Brasil em outubro de 1972.

A empresa informou que as portas da fábrica serão fechadas em março de 2021. Em meados do ano que vem, interromperá as vendas de produtos de consumo pela Sony Brasil, como televisões, equipamentos de áudio e câmeras digitais.

Demais negócios do grupo Sony no Brasil serão mantidos: Games, Soluções Profissionais, Music e Pictures Entertainment. Os produtos do videogame Playstation seguem com vendas normais – a produção do aparelho não ocorre no Brasil desde 2017.

Em nota, a empresa justificou que decidiu fechar sua unidade amazonense “considerando o ambiente recente de mercado e a tendência esperada para os negócios”.

Também afirmou que está se empenhando para garantir os direitos dos funcionários.

“A Sony está tomando todas as medidas necessárias e está muito comprometida como empresa em empenhar seus esforços para garantir todos os direitos, o melhor tratamento e cuidados especiais aos seus colaboradores”, diz a empresa.

Sindicato critica falta de política industrial do país

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, a fábrica tem cerca de 220 funcionários diretos e mais de 200 indiretos. O piso salarial dos metalúrgicos é de aproximadamente 2,3 mil reais, mais benefícios, como auxílio para creche e plano de saúde. Outras categorias também estão envolvidas, em setores como alimentação, transporte e limpeza, segundo a entidade.

Ouvido por CartaCapital, o presidente do Sindicato, Valdemir Santana, afirmou que a fábrica já teve mais de três mil funcionários e, há dois anos, eram 1,2 mil funcionários.

Santana avalia que especialmente alguns dos produtos descontinuados pela Sony Brasil foram ultrapassados pelos avanços da tecnologia, como os equipamentos de áudio.

No entanto, a falta de uma política de industrialização e a abertura do mercado brasileiro são fatores que favorecem o fechamento da fábrica no País, diz ele, porque a empresa se sente mais atraída em produzir em outro lugar do que investir na produção em território brasileiro.

“É ruim para o Brasil todo. A empresa vai deixar de produzir aqui, mas vai produzir em outro lugar, no Paraguai, onde que seja, e mandar para o Brasil. A marca Sony não acabou. Acabou a produção dela no Brasil, porque fica inviável. É muito mais fácil trazer de fora, porque é mais barato do que produzir no Brasil”, disse.

Santana diz que não ficou surpreso com a notícia, porque outras empresas no ramo da tecnologia anunciaram o encerramento dos negócios no Brasil nos últimos anos, como a Nikon, no fim de 2017. Segundo ele, os trabalhadores foram avisados da decisão da Sony na segunda-feira 14, mas o assunto também já havia sido conversado na categoria.

Na mesma data do anúncio, a empresa assegurou ao Sindicato que garantirá os direitos do acordo coletivo e acrescentará bônus, segundo Santana.

Ainda assim, o sindicalista diz que solicitou para o governo estadual, de Wilson Miranda Lima (PSC), a implementação de uma política de incentivos fiscais a empresas de alguns setores, para evitar o fechamento dessa fábrica e de outras que produzem os mesmos produto.

Perguntado sobre a possibilidade de haver uma mobilização entre os trabalhadores para evitar o fechamento da fábrica, Santana diz que “tudo é possível”, mas que o diálogo está aberto com a empresa e com o governo do Estado.

“Vamos tentar conversar para chegar a um acordo. Mas é importante que se discuta a situação na sua totalidade, não só da questão da Sony, mas de outras empresas”, declarou. “O governo federal não tem uma política de industrialização no País. Não tem nenhuma responsabilidade. O que ele mais faz é abertura de mercado. Não tem sensibilidade, nesse momento ele deveria segurar o emprego. E qual é a política industrial do País? Nenhuma.”

*matéria publicada no site da Carta Capital

 

Com a Palavra

SEX, 11 de set / 2020

A Volta da Carestia

Escrito por Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas

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