QUA, 06 de abr / 2016

Metalúrgicos da CUT debatem paridade de gênero e racismo no mercado do trabalho

Segundo módulo de Oficina de Capacitação de Lideranças Sindicais promovido pela CNM/CUT reuniu homens e mulheres da direção da entidade que aprofundaram o debate sobre os temas.

Crédito: CNM/CUT
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 Metalúrgic@s da CUT debateram paridade de gênero e racismo em capacitação de lideranças sindicais

Terminou na tarde desta quarta-feira (6) o segundo módulo de Capacitação de Lideranças Sindicais promovido pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). Desde segunda-feira (4), metalúrgicos da CUT de todo país estiveram reunidos para discutir paridade de gênero e o racismo no mundo do trabalho. O encontro aconteceu na sede da entidade, em São Bernardo do Campo (SP).

A primeira etapa do curso aconteceu em fevereiro e foi direcionada especialmente para as dirigentes da CNM/CUT e para o Coletivo Nacional de Mulheres da entidade (leia mais aqui). 

Segundo a secretária de Mulheres da Confederação, Marli Melo, um dos destaques do curso foi a discussão do racismo e machismo institucional. “A discriminação é velada, mas as empresas têm preferência em contratar homens brancos. E nós, mulheres, somos as primeiras na fila das demissões, além de termos trabalhos mais precários. Já as mulheres negras sofrem duplo preconceito, pois são vítimas de racismo e do machismo”, afirmou.

“Através da formação, conseguiremos desconstruir este preconceito que permeia a sociedade e o mundo do trabalho. Precisamos nos unir e compartilharmos a mesma luta, pelo bem de todos”, completou a secretária de Formação da CNM/CUT, Michelle Marques.

Crédito: CNM/CUT
Dirigentes
Encontro aconteceu na sede da CNM/CUT, em São Bernardo do Campo (SP)

O segundo módulo foi ministrado pela socióloga e doutora em Educação Maysa Garcia, e por Marcia Leite, doutora em sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para Marcia, a oficina teve o intuito de fortalecer o debate sobre mulheres e negros no movimento sindical. “A categoria já é bastante politizada; por isso, conseguimos aprofundar mais estes debates. É um grupo que é conscientizado e já faz trabalhos para incluir gênero e raça dentro das ações dos seus sindicatos e federações”, disse. 

Já para Maysa, que também ministrou o primeiro módulo, as mulheres mostraram a importância das suas pautas específicas nas mesas de negociações. “Os líderes sindicais representam um todo e não podem excluir as trabalhadoras, os negros e jovens. Elas se mostraram seguras ao expor suas demandas, mesmo com a participação dos homens. E eles compreenderam que a luta é da classe como um todo”, contou, avaliando que mesclar os dois gêneros no curso contribui para que as mulheres vençam a timidez e a insegurança.

Paridade ajuda romper barreiras
O presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, lembrou que o universo sindical ainda é masculino e machista e o mercado de trabalho, masculino, machista e branco. "Ao olharmos a história recente das lutas da classe trabalhadora, constatamos que o movimento sindical avançou muito na luta pela ampliação de espaços para a mulher. Conseguir, em 32 anos desde a fundação da CUT, sair de uma direção de 24 cargos na qual só havia duas mulheres para uma direção paritária mostra que as companheiras romperam barreiras e se tornaram vozes ativas no meio sindical", destacou Cayres.

"Na própria categoria metalúrgica, a presença feminina tem crescido e isso se reflete nas direções das entidades. No entanto, as companheiras têm de se desdobrar, porque o machismo ainda é forte no nosso sindical. Sabemos o que elas enfrentam no dia a dia e, por isso, cursos como este que a CNM/CUT proporciona ajudam muito para que as trabalhadoras conquistem mais espaço e respeito nas entidades e possam colocar a luta por igualdade de oportunidades e salários entre as pautas prioritárias no movimento sindical", assinalou o sindicalista.

Equidade de gênero
Entre os desafios para o movimento sindical metalúrgico (e no geral), certamente o principal é acabar com a segregação das mulheres, em particular as negras, no mercado de trabalho. Durante este segundo módulo do curso, os relatos das participantes deram conta das enormes dificuldades vividas pelas trabalhadoras negras no que se refere a salário e oportunidades no mercado de trabalho. Além disso, elas têm de conviver com o preconceito racial tanto no emprego quanto na sociedade . "Sofrem duplamente por serem mulheres e negras", reforçou Cayres.

Por isso, o terceiro módulo do curso, previsto para os dias 6 e 7 de julho, vai aprofundar o debate sobre o tema, além de trazer à tona as novas demandas sociais na conciliação entre trabalho e família. Novamente, a atividade será aberta a toda direção da CNM/CUT.

Avaliações
• “Esta integração entre em homens e mulheres é fundamental para alcançarmos a igualdade de gênero. Nós, como líderes sindicais, precisamos colocar as pautas das mulheres, jovens e negros nas nossas reivindicações. A parceria é importante para eliminar as desigualdades de salários, discriminação e assédio", Wilton Gonçalves Lima - Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem (MG).

• “O primeiro módulo foi muito importante para que nós, mulheres, conseguíssemos ter segurança e nos expormos, mesmo com a participação dos homens. Os dirigentes conseguiram absorver melhor as demandas das mulheres e negros no mundo do trabalho. Juntas e juntos somos mais fortes para enfrentarmos as desigualdades de gênero e o racismo”, Maria de Jesus Marques de Almeida - Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

• “Infelizmente, somos uma sociedade pautada no machismo e racismo. O curso nos deu mais propriedade para enfrentarmos um sistema que exclui negros e mulheres que são parcelas importantes da sociedade. Além disso, precisamos levar estas discussões para o chão de fábrica porque este preconceito precisa ser eliminado em todos os espaços da sociedade", Francisco Irailson Nunes Costa - Sindicato dos Metalúrgicos de Natal (RN).

• “O segundo módulo nos ajudou a apresentar melhor para os companheiros as dificuldades das mulheres e negros. Esses temas precisam estar presentes no sindicato porque não podemos aceitar que esta parcela da população seja discriminada no mercado de trabalho”, Kelly Carmo - Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba (SP).

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)

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